Por Washington Lemos
O que é isso? (!)
Por: Washington Lemos


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21/04/2010
Mudança...

Queridos amigos, leitores e críticos mordazes e mentes pensantes, depois de 5 anos hospedando no Blog-se é hora de sair. Este blog está de mudança para novo endereço.

Apesar de ainda estar em ambiente de testes e com muitas coisas a acertar, estou passando a postar em novo endereço: www.washingtonlemos.com.br

Sou profundamente grato ao Blog-se e desejo que todos atualizem seus links e nos acompanhe. Como o novo ambiente ainda está em desenvolvimento, ficaria muito feliz se opinassem sobre aquilo que está faltando, o que pode ser mudado e o que ficou ruim.

Um forte abraço,
Washington Lemos

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04/04/2010
Cronicidade crônica

Acabei de ler ontem pela madrugada As cem melhores crônicas brasileiras. Gostei muito deste livro e recomendo! Apesar de não ser muito fã de compêndios e coletâneas, neste caso acho que se justifica, afinal muitas crônicas não estão em livros de seus autores, tendo permanecido imutáveis e eventualmente esquecidas nas edições dos jornais e periódicos nos quais foram originalmente publicados.

Literariamente falando, minha relação com a crônica é algo novo. Sempre gostei muito mais de poemas e contos, seguidos dos romances. Sempre vi a crônica como uma forma perecível de literatura, como uma manifestação descartável do pensamento. Mas lendo as obras completas de Machado descobri que eu estava errado. Literatura, como arte, é tudo aquilo que fica e, apesar de inicialmente e por questão de vocação inerente à sua natureza toda crônica ter o “compromisso apenas com o efêmero”, muitas conseguem transcender a temporalidade e além de serem prazerosamente inteligentes, nos fazem pensar a respeito de “banalidades”, de atentar aos detalhes do cotidiano e revelar o absurdo ou o fantástico dos detalhes da vida. As crônicas fazem-se mais esplendidas por razão de como são escritas do que por aquilo sobre o que se escreve.

Viva ao prazer da leitura! Salve a poesia em prosa!

Indico fortemente a leitura do livro todo, mas se não queres ou não podes, leia ao menos estes (é satisfação garantida ou seu dinheiro de volta):

O nascimento da crônica [Machado de Assis]
Um mendigo original [João do Rio]
O inferninho e o Gervásio [Stanislaw Ponte Preta]
Grande Edgar [Luís Fernando Veríssimo]
Sobre o amor [Ferreira Gullar]
Bar ruim é lindo, bicho [Antônio Prata]


Forte Abraço, Washingtn Lemos
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30/03/2010
Sabe a biblioteca que estava aqui? Sumiu!
Um mistério paira em Resende há mais de um ano: Onde esconderam a biblioteca municipal?

Bibliotecas são quase sempre lugares místicos, envolvidos em um silêncio quase fúnebre e um ar de superioridade aristocrática. Nada disso é injustificado, pois uma biblioteca é o símbolo máximo da busca pelo conhecimento, da importância em se valorizar o trabalho (cultural, artístico, científico e histórico) que foi feito por pessoas antes de nós.

Contudo, o século XXI realinhou os planetas, as mentes e deveria fazer o mesmo com os cérebros. As bibliotecas precisam ter seu papel revisto, precisam ser cada vez menos depósitos de livros para tornarem-se catalisadores e difusores de conhecimento e idéias.

Neste sentido Resende havia conseguido um avanço elogiável. Após décadas de ostracismo e frequentada apenas por uma elite razoavelmente intelectualizada, a biblioteca municipal havia finalmente encontrado um lugar de destaque: O Espaço Z, antigo Mercado Municipal. Apesar das condições prediais inadequadas (sem isolamento térmico ou acústico) o Espaço Z representava uma grande vitória para popularizar e democratizar o conhecimento, e isso devido a sua ótima localização. Ao lado da antiga rodoviária, era impossível ignorara a presença daquele prédio. Esta é uma condição necessária e obrigatória para que as pessoas comecem a se interessar pela biblioteca: saber que ela existe.

Como é comum no Brasil, e mais ainda em cidades do interior como Resende, um grande avanço nem sempre é percebido e eis que de um momento para outro, sem consulta popular, sem diálogo e nem contrapartidas, a prefeitura simplesmente desfez o bem feito e, em um passe de mágica que deixaria até mesmo David Copperfield ou Criss Angel estupefatos, desapareceu com a biblioteca municipal e seus quase 20.000 livros. Se alguém entrar no site da prefeitura ainda será informado que a Biblioteca Municipal está localizada na Av. Gustavo Jardim, s/nº - Espaço Z (antigo Mercado dos Produtores), Centro - Resende/RJ, entretanto, caso o cidadão decida escarafunchar o assunto e vá ao referido endereço, ficará ainda mais intrigado. Encontrará um belo prédio, com uma bela placa indicando que ali está instalada a Biblioteca Pública Dr. Jandyr César Sampaio, todavia, se isso for verdade, tratar-se-á da primeira biblioteca do mundo sem livros. O Espaço Z está abandonado e trancado há mais de um ano, sem aviso de onde foram parar os livros que ali estavam e nem os motivos que levaram algum gênio e defensor da cultura a retirá-los dali.

Resende, que antes (intencionalmente ou não) havia dado um passo para o futuro, no sentido de difundir conhecimento, conseguiu dar meia-volta e mergulhou com vontade na mediocridade do seleto e vergonhoso grupo dos municípios sem uma biblioteca pública municipal.

Do Espaço Z fez-se um túmulo, resta-nos erguer uma lápide e colocá-la sobre seus alizares: Exemplum dedi vobis. In Memoriam Biblioteca Pública Municipal de Resende.


Este texto deu origem a uma reportagem do RJTV que segue abaixo...
http://riosulnet.globo.com/web/conteudo/16_268162.asp
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12/01/2010
Bem-vindo à nova Resende

As notas curtas de jornais, as pequenas notícias dão sinais claros daquilo que Resende pode vir a se tornar. Ao longo do último ano todo resendense ouviu dizer, ou leu, ou ficou sabendo de algum crime ou violência ocorridos devido ao exponencialmente crescente uso de drogas (especialmente crack) na cidade. São crianças se prostituindo por R$10 na “Grande Alegria”, assaltos no comércio e recorrentes furtos residenciais.

Tudo isso é comentado nas esquinas, entre vizinhos ou em conversas familiares, porém sempre supõem-se que são casos isolados, espasmos de truculência que raramente acontecem em uma tranquila cidade do interior como Resende.

Pois bem... lamento termos evidências suficientes para não acreditar nisso. O ano de 2010 começou dando fortes indícios do agravamento da situação (veja matéria do jornal A Voz da Cidade, ou pergunte ao seu vizinho, se você more nos arredores da Itapuca).

Ontem (11/01/2010) uma arma de calibre 32 e uma granada foram encontradas na Itapuca. Mais ainda: tal arma tinha a inscrição CV, insígnia conhecida como Comando Vermelho, grupo criminoso que atua em nosso Estado do Rio. Ou seja, o que é corriqueiro na capital e até então inédito em Resende começa a acontecer: armas de uso exclusivo do exército estão sendo usadas pelos marginais de Resende, via crime organizado. Outro detalhe importante é que os envolvidos (ao que tudo indica) são menores de idade, adolescentes e até mesmo crianças metidas em crimes sérios e brutais.

No olho do furacão, em uma calma artificial, vendo todo o resto girar, estão os setores públicos e administrativos de Resende. Não sei exatamente qual é a razão da paralisia de nossos representantes. Caso eles estejam conscientes do problema que se avoluma no horizonte, contudo não o consideram importante, tratar-se-á de omissão. Se estes senhores simplesmente não perceberam a seriedade da situação, fica evidente a incompetência. Em ambos os casos, porém, esta discussão em nada contribui para a busca de uma solução. E ela, a solução, existe.

O primeiro passo a ser dado em direção a uma solução é pensar em ação conjunta entre prefeitura, Estado (através das polícias civil e militar), iniciativa privada além da sociedade. Isso pode ser evidenciado na necessidade crítica e urgente de estabelecer um posto móvel (porém permanente) de vigilância na entrada do acesso Oeste. Esta nova entrada de Resende foi extremamente mal projetada, pois se encontra antes (no sentido SP-RJ) do posto da polícia rodoviária federal. Esta falha de projeto gerou parte do problema atual. Para evitar a polícia federal os marginais que trazem drogas e armas vindas de São Paulo descobriram que passar por dentro de Resende é mais seguro, pois evita dois postos federais de fiscalização rodoviária (caso optem por retornar à rodovia Dutra apenas em Bulhões). Deslocar-se por dentro de Resende está tão fácil que estes marginais já estão incrementando e tudo leva a crer que transformaram locais da “grande Alegria” em pontos logísticos de distribuição, estadia e armazenamento. Por isso é preciso mostrar que cruzar a cidade inteira sem encontrar um posto policial não será tão simples e fácil. Resende não pode ser um atalho para o tráfico.

O assunto Segurança Pública quase sempre é visto como um assunto exclusivamente de polícia, de repressão, de função do Estado e não da prefeitura. Esta concepção é antiga e equivocada. A segurança passa diretamente por um planejamento urbanístico e conservação dos bens e locais públicos. Manter as ruas iluminadas, sem buracos e com terrenos baldios murados e sem mato contribui muito para melhorar a segurança. O clima de anomia e a desordem promovem os pequenos delitos e crimes de venda e consumo de drogas. Ruas escuras e terrenos com matagal acobertam marginais. Buracos diminuem a velocidade de veículos em localidades consideradas menos seguras. Todas estas ações são de responsabilidade da prefeitura e ingenuamente vistas como medidas menores, sem impacto ou importância para a segurança.

Para promover a segurança do cidadão a prefeitura precisa zelar pelo bem estar da sociedade, aumentando sua qualidade de vida e promovendo um convívio social mais salutar. Por isso, é impossível falar ou pensar seriamente segurança pública sem envolver educação – educação em tempo integral, obviamente.

Qualquer estatística feita às pressas mostrará que (atualmente) os envolvidos em crimes são jovens, jovens quase sempre por nós não educados. Para que uma criança se envolva com drogas e a pequena criminalidade (porta de entrada para crimes mais violentos no futuro) é condição necessária o contato com delinquentes e tempo ocioso longe de pais, professores ou outro adulto responsável. Por isso, apenas o fato de tirarmos a criança das ruas (no período em que seus pais estão trabalhando fora de casa) e a mantermos em uma escola preparada para educar e incentivar atividades intelectuais, culturais, sociais e esportivas, já será um grande salto para a redução da criminalidade.

Outras centenas de ações podem e devem ser tomadas pela administração pública municipal visando garantir a segurança do cidadão. A grande importância da prefeitura e seu papel indispensável consistem justamente em seu poder de mobilização da sociedade e capacidade de coordenação de esforços. Se a prefeitura se omite em protagonizar e exercer esta função, a sociedade perde grande potencial de ação e solução de problemas.

Abraço,
Washington Lemos


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08/01/2010
Liberdade de não tolerar

Somos livres. Livres para escolher entre beber uma coca-cola ou um suco de laranja, ter filhos ou adotar um cachorrinho, casar e passar os domingos em frente à TV ou permanecermos solteiros também em frente à TV em dia de domingo.

Podemos ler o jornal e manifestar toda a nossa revolta seletiva com o último crime bárbaro da semana (alguém aí se lembra do João Hélio?) ou cuspir discursos intelectuais de loja de conveniência (com a superficialidade das análises de um Arnaldo Jabor) a respeito dos desmandos políticos e sobre as velhacarias que ultrapassam o limite de nossa tolerância ética.

Eis algo que se multiplica viroticamente por aí: tolerância ética. Nada é mais bizarro que esta ética de padaria, de botequim, rampeiramente supérflua, frouxa, modorrenta. Uma ética que esbraveja virilmente quando uma reportagem do Jornal Nacional flagra dinheiro na cueca ou ligações grampeadas nas quais negociatas com o dinheiro público se fazem mais explícitas que bundas ou peitos de participantes do último Big Brother. Contudo, esta mesma ética não vê improbidade em pedir uma ajuda (ou favorzinho, assim mesmo, no diminutivo, para denotar uma falsa simplicidade, uma humildade de quermesse) a vereadores que atuam como facilitadores na transação pecuniária entre o privado e o público, uma ética preguiçosa que chama de secretários municipais os aliciadores dos membros ilustres de reputação ilibada da sociedade suburbana dispostos a tornarem-se parceiros comerciais nas transações pecuniárias e eticamente duvidosas entre o prefeito, vereadores e parasitas sociais, todos loucos por seu quinhão de vantagens e facilidades que o ocupante da cadeira do executivo municipal pode lhes conceder.

Uma tolerância que não se manifesta como liberdade, mas sim como opressão, uma ditadura moral, de costumes. Ouse não tolerar, ouse dizer que não é normal, ético, correto e nem necessário aceitar que ocupantes de cargos públicos tratem tudo como se fosse seu e negociem apoios como quem empresta dinheiro de sua própria carteira, fazendo investimentos contabilizando potenciais votos e não a melhoria da qualidade de vida da população e o bom funcionamento das cidades. Faça isso e receberá duas possíveis alcunhas: Mentiroso (afinal ninguém pode realmente pensar assim, seria coisa exclusiva de político hipócrita em véspera de eleição) ou Ingênuo (afinal é preciso ser muito trouxa para acreditar que se pode mudar alguma coisa no ambiente fétido e sufocante da política). Se você estudou o assunto, se você desenvolveu modelos que possibilitem alcançar estes resultados, se há exemplos de sucesso espelhados pelo mundo, ninguém acreditará, é bravata.

E a Liberdade? A liberdade que exercemos hoje está aí: no direito de criticar de modo infecundo e tolerar lenientemente. Na apatia pragmática de se calar e “tocar a vida” cuidando das “coisas mais importantes”: Pagar o IPTU, o colégio das crianças e o IPVA do carro novo comprado em 36 prestações. Engolindo “sapos” para garantir o emprego ao mesmo tempo em que alimentando suas metástases. Asfixiando qualquer pensamento visto como perturbador ou socialmente incômodo, que dificulte o sorriso amarelo e os gestos artificialmente gentis e conciliadores. Trata-se de uma liberdade de ficção, de marionetes. Pode-se pensar tudo, desde que esteja no mainstream, nos modelos mentais e nos manuais de sobrevivência e boas maneiras da sociedade. Uma liberdade de video-game, na qual todo movimento permitido foi programado e estudado pelo desenvolvedor, pela Matrix.

Em resumo: vivemos uma liberdade de bosta, fake, dolosa, hipócrita. Uma liberdade que “manda às favas” o existencialismo de Jean-Paul Sartre que via a liberdade como a manifestação da potencialidade de escolha autônoma, independente de quaisquer condições e limites, por meio da qual o ser humano realiza a plena autodeterminação, constituindo a si mesmo e ao mundo que o cerca.

Constituir a si mesmo e ao mundo que o cerca. Eis a liberdade em toda a sua sedução, aquela liberdade gravada em um singelo libertas quae sera tamen. Tardia... ainda que tardia... mesmo que tardia, porém, acima de tudo, inegociável.

Exercer a liberdade (a liberdade verdadeira, sartriana) é não tolerar a tolerância ética, é não aceitar a realpolitik governista, não se intimidar com os olhares ora descrentes, ora piedosos de quem nos ouve dizer ser possível, necessária e inadiável (quase inevitável) a reformulação dos modelos de administração pública e representatividade social, que é factível a construção de uma cidade onde a qualidade de vida e o bem estar da população sobrepujam os pequenos interesses particulares daqueles que de modo predador, ou como urubus rodeando carniça, se acomodam na administração de nossas câmaras legislativas e prefeituras à espreita de uma bala oportunidade de “se dar bem”

A liberdade real é a liberdade de acreditar... mais que isso: é a liberdade de fazer, de construir. Deveríamos ter menos tolerância ética e mais tolerância aos novos pensamentos e às novas idéias. Tolerar o ímpeto da mudança de atitude e ponto de vista. Deveríamos acima de tudo ter a ousadia de tolerar o atrevimento daqueles que acreditam serem capazes de executar o que nós consideramos impossível, aqueles que têm esperança.

Abraço,
Washington Lemos
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24/12/2009
Movimento Livro Livre

Adorei a ideias do Movimento Livro Livre. Sábado passado foram deixados no calçadão de Resende centenas de livros, quem se interessasse poderia pegar, levar para casa, ler e depois ou devolver ou passar para outro leitor. Bem... pelo o que entendi todo sábado ficará no calçadão (em frente ao Bradesco) uma estante do Movimento Livre Livre, na qual poderão ser encontrados livros para distribuição gratuitamente e sem necessidade de nenhum cadastro: é só chegar e pegar. É uma oportunidade também para quem tem livros em casa e não sabe como ou para quem doar. Para doar basta levar os livros e deixá-los ao lado da estante do Livro Livre.

A idéia é boa e vem em momento muito oportuno, afinal Resende precisa muito de pessoas e lugares dedicados à leitura, uma vez que a Prefeitura simplesmente fechou, eliminou, sucateou e extinguiu a Biblioteca Municiopal que foi defenestrada do antigo espaço Z. O Movemento Livro Livre dá uma lição à Prefeitura: por mais esforço que seja feito para se eliminar a vida inteligente em Resende, ela sobrevive e se multiplica.

Transcrevo abaixo o Manifesto do Movimento Livro Livre.

Manifesto Livro Livre (manifesto dos manifestos)


A história de todas as sociedades que existiram até os nossos dias é a história da luta de classes. Homens livres e escravos, patrícios e plebeus, senhores e servos, mestres e oficiais, numa palavra: opressores e oprimidos, [1] e a mais negra e medonha força opressiva, a mais tétrica manifestação de submissão condensa-se na relação Estante x Livro!

Quando na clausura das prateleiras empoeiradas, a literatura fica enaltecendo a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo ginástico, o salto mortal. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade. [2]

Não pode haver esta escravidão de estantes no mundo moderno, contemporâneo, com novas formas da indústria, da viação, da aviação. Postes. Gasômetros. Laboratórios e oficinas técnicas. Vozes e tics de fios e ondas e fulgurações. Estrelas familiarizadas com negativos fotográficos. O mundo atual exige Filósofos fazendo filosofia, críticos, critica. A Poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem [3] e claro! Livros sendo lidos!

Urge (e urramos!) livros libertos, soltos dos grilhões enferrujados da preguiça e comodidade que amordaçam com os nós górdios do marasmo intelectual as palavras no limbo funesto de páginas fechadas em livros enfileirados nas estantes, encaixotados sob a cama ou perdidos nos armários, lentamente devorados por traças, soterrados por poeira e ácaros, inertes, infecundos, prostrados e apáticos.

Socorram estas singelas folhas de papel, impressas, cortadas, dobradas e reunidas em cadernos! Liberdade às palavras! Circulação imediata às idéias! Independência aos vocábulos. Transgressão. Ousadia cerebral. Afinco alfabetizador. Horror à ignorância. Não à falta de livros. Não à falta de vida.

Por isso convocamos todos os ex-proprietários de livros, cidadãos e humanos de boa fé a compartilharem o conhecimento que lhes farta, lhes empanzina as estantes e lhes priva a alma da comunhão com o saber. Abasteçam os “depositórios de livros”, os totens do Livro Livre! Doem os livros que clamam por ser lidos. Deixem que eles cumpram sua missão na Terra: serem lidos.

Obs.: Se erramos, tropeçamos na língua pátria ao longo deste raivoso manifesto, foi porque nos roubaram os livros, no-los negaram, foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil. [4]

Resende, dezembro de 2009
Movimento Livro Livre
livrolivre@terra.com.br




1 – Manifesto Comunista, 1848, Karl Marx e Friedrich Engels
2 – Manifesto Futurista, 1909, Filippo Tommaso Marinetti
3 – Manifesto Pau-Brasil, 1924, Oswald de Andrade
4 – Manifesto Antropofágico, 1928, Oswald de Andrade (este gostava de fazer manifestos)





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06/12/2009
O Retorno

Como quem passou semanas ausente e meses de jejum, este blog voltou: faminto de saudades!

Durante toda esta ausência forçada, centenas de textos deixaram de ser escritos, fatos importantíssimos aconteceram, tive impressões e opiniões que não pude manifestar, ao menos aqui.

Bem... a questão é que este blog volta (salvo hecatombe nuclear ou afim) à vida.
É interessante que notar que há algo de irônico (ou anacrônico) em voltar a escrever um blog. É que neste meio tempo li mil textos que condenam os blogs à extinção. Para quem diz entender do assunto, os blogs são lentos demais e com uma dinâmica jurássica.

Bem, não sei. Acho que realmente os blogs não me parecem tão ágeis e modernos como antes. Mas de toda forma é uma grande oportunidade de trocar algumas idéias de modo mais estruturado. O que não me parece ser possível com o twitter (queridinho da vez). Contudo, para mostrar que não sou fundamentalista, manterei o blog, tal como o twitter (@wmlemos). Prometo também uma modernizadazinha na cara deste blog, porque assumo que bonitinho ele não está.

O importante é que fico feliz de poder estar com todos os meus quase 3 leitores e que este espaço é muito querido por mim.

Forte abraço,
Washington Lemos

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09/09/2009
De que planeta é Azeredo ?

Não sei em que planeta vive Excelentíssimo senhor Senador da República Eduardo Azeredo (PSDB). Talvez um planeta no qual a internet tenha um dono, assim como uma emissora de TV ou rádio, um planeta em que a liberdade de expressão só é tolerada quando não provoca embaraço ou contradições aos mesmos nobres políticos que tanto gostam de invocá-la.

Não sei de onde ele tirou a idéia estapafúrdia e anacrônica de determinar como e quando os sites da internet irão cobrir as eleições. Talvez de uma sanha stalinista ou saudades da ditadura militar. Talvez deva ser por que na falta do que falar deseja que ninguém mais possa expressar-se livremente. Mas uma certeza eu sei, não foi dos ideais que estão no cerne do PSDB, não foi das aulas que teve na fundação Dom Cabral. Eduardo Azeredo é candidato a “coronelito” digital, um novo Sarney do século XXI, pois abandonado pelo PSDB, defende ao lado de Marco Maciel a censura na Internet. Mal acompanhado e mal intencionado, resta-nos aguardar que o PSDB se posicione oficialmente contra a proposta do auto-intitulado especialista em assuntos informáticos, o Excelentíssimo senhor Senador da República Eduardo Azeredo.

Não sei o que teme o caro senador. Mas eu sei o que eu temo. Temo perder aquilo que está redistribuindo as forças de comunicação, equilibrando a assimetria de poder entre o cidadão comum e as grandes redes de rádio, TV e jornais que se compactuam aos “podres poderes” dominando a opinião pública.

Faço um apelo ao Magnânimo Excelentíssimo Senhor Senador da República Eduardo Azeredo: Deixe de achar que entende de internet. A internet é (e precisa manter-se) livre. Qual parte o senhor não entendeu ainda?

Abraço,
WML

obs.: Este blogue não morreu, porém ainda não volto agora aos posts regulares. Apenas não aguentei os descalabros de Azeredo.
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20/08/2009
Nota curta de falecimento

É triste... do fundo do coração ver o PT assim.

E ver todo um trabalho de pessoas que dentro da PT se empenharam em valorizar a ética e a trasparência ser desprezado em nove de uma suposta "governabilidade", da real politic.

Quando afastei-me do PT pensei que tratava-se de um desvio de curso momentâneo, que logo logo Lula sairia da presidência e que, longe do governo e fora da disputa do dia-a-dia do poder, o PT reencontraria os valores morais. Assim, apesar de divergir do governo sempre guardei um carinho pela PT, talvez daí minha maior birra, minahs palavras ácidas, pois tentava defender o PT como o via no início. MAs parece que estava errado.
Nunca vi um grupo político ter tanto escárnio pelos valores que supostamente deveria defender.

É o fim de um partido. O nascimento de um novo PMDB.
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29/07/2009
Resende - a Arte, a Cidade, os sentimentos
Não pretendia escrever nada tão cedo... porém ao caminhar por Resende percebi algumas coisas estranhas nos postes e paredes e não resisti... e vi também que somente um texto não seria capaz de traduzir o que pensava então fiz o vídeo que segue abaixo.

Aqui transcrevo as legendas....


Prólogo
A cultura veste-se quase sempre de terno ou blazer, vestido longo e charpe. Refugia-se em museus, salas escuras de teatros e galerias do MAM, MAC e afins, entre pessoas soberbas e chãs. Nas palavras de Monteiro Lobato diria que teorizam a arte pendurada nas paredes ou encenada nos palcos “com grande dispêndio de palavrório técnico, descobrem nas telas intenções e subintenções inacessíveis ao vulgo, justificam-nas com a independência de interpretação do artista e concluem que o público é uma cavalgadura e eles, os entendidos, um pugilo genial de iniciados da Estética Oculta”.

Contudo, graças a Deus e a alguns espasmos de originalidade, nem tudo é tão modorrento...

Arte Insólita
Eis que um dia um bando de garotos decide fazer xilogravuras... e colá-las nas ruas... se as pessoas não vão à galeria, pois bem, a galeria que venha às pessoas, é assim que se justificam as centenas de gravuras fixadas em postes, paredes, pilares e outros lugares públicos de Resende.

É a arte ofensiva, ofensiva no sentido de sair das galerias esterilizadas e infecundas e invadir a polis, a cidade... Laçando, não pela sofisticação cultural, mas pela curiosidade e pelo insólito, seu público.

A Cidade e a Polis
Cidade
Polis
Comunidade
Arte

Como se relacionam as pessoas com a cidade? Como se relacionam os resendenses com Resende? Haverá, Houve ou há um movimento estético resendense?
O belo, o feio, o prazer de contemplar-se no espelho, será que temos isto? Auto-estima... ou auto flagelação? Autopiedade ou automatismo ao caminhar pelas ruas como se fossem túneis, sem olhar para os lados, sem perceber a cidade, as pessoas, apenas os buracos fazem-se perceber, mais por abundância do que por perspicácia do observador...

O gosto do bom gosto
Arte... sementes de bom gosto... um choque aos olhos acostumados a cinza, cal e asfalto... ou apenas poluição visual? Ou somente anarquia gratuita sujando paredes e pilares de pontes? Arte ou somente contestação barata? Arrogância de artistas petulantes ou um gesto de gentileza urbana? Não sei... porém, acima de tudo, é uma arte incômoda que grita para ser ouvida... que o bom senso nos levar a pensar a respeito... de nós... das gravuras... e da cidade.

Pensemos a cidade... pensemos nossas casas e ruas, nossos rios... nosso espaço, pois como criaturas urbanas este é nosso habitat, este é nosso mundo.

Abraço,
Washington Lemos




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26/07/2009
Urbano Humano – preciso em ambos os sentidos

Ousado e criativo no estilo. Modesto nas intenções. Promissor estrategicamente. Incompleto no momento, porém sob medida para o que se propõe. Deveria ser feito agora, já.... Eis minhas impressões durante e após a apresentação feita por Ton Kneip (Secretário Municipal de Gestão Estratégica e Planejamento) na câmara municipal de Resende.

O projeto apresentado transcende a pretensa organização do fluxo de veículos no centro comercial de Resende e isso fica evidente no nome: Urbano Humano. Ou seja, visa transformar a cidade, o ambiente urbano, em um habitat humano, um local onde seja possível prazerosamente viver, ou ao menos sobreviver de modo menos invasivo do que o atual.

O centro de Resende já apresenta sinais claros de hostilidade urbana, com trânsito pesado de caminhões, carros desrespeitando faixas e desviando de bicicletas, pedestres cruzando as ruas em locais perigosos, buracos nas avenidas e calçadas destruídas. A Praça da Concórdia, onde fica a rodoviária, é uma verdadeira manifestação de mal gosto, com pontos de ônibus sujos, sem sinalização das linhas de ônibus que por ali passam, lixo, ambulantes e (agora é novidade) um trailer sabe-se lá de onde surgiu sobre a calçada.

Portanto, mais do que uma mudança no trânsito, Resende precisa de um marco regulatório urbano, uma revitalização de sua paisagem urbana. E é justamente isso o que, a meu ver, propõe o projeto elaborado por Ton e sua equipe. Extremamente bem influenciada, a apresentação esbanjou referências a Jaimer Lerner e Niemeyer deixando deduzir as intenções estratégicas e estilísticas.

Estrategicamente o plano adota a máxima de Jaime Lerner (lendário prefeito por três mandatos de Curitiba) ao dizer que o projeto deve buscar não o ideal distante, mas sim o possível já. Repetidas vezes o secretário municipal deixou claro que o apresentado não seria a solução de todos os problemas do trânsito de Resende, contudo poderia se tronar embrião de um movimento a ser repetido em outros pontos da cidade (acupuntura urbana, nas palavras de Lerner). Portanto, estruturalmente o projeto é comedido, consistindo basicamente em alargamento para contemplar ciclovias nas duas pontes onde hoje trafegam somente veículos automotores e pedestres (a Tácito Viana e a Miguel Couto), extensão do “calçadão” sobre a av. Albino de Almeida e Nova Resende (rua do centro empresarial) e a construção de uma passarela ligando a ponte Nilo Peçanha (ponte velha) à Praça da Concórdia (a calçada da rodoviária a qual me referi acima). Estas mudanças podem ser vistas nas imagens no slide ao final do texto ou no site Resende Afora.

Quanto ao estilo, a inspiração é Niemeyer, ou seja, moderno, marcante e polêmico. E é justamente aí que está o grande mérito. Ao propor uma identidade visual para o centro da cidade o projeto coloca em evidência algo mais importante do que o design, convoca a população para debater sua cidade. A cidade precisa ter sua auto-estima valorizada, polida e exaltada e o Urbano Humano não foge deste fardo, pelo contrário, o tem como grande ponto de destaque. Um desenho moderno e ousado pode (e deve) servir de argumento para mudanças mais profundas como na educação social e na eliminação do caos urbano.

As linhas modernas e ousadas escolhidas por Ton parecem ter se inspirado naquilo que temos de mais tradicional e antigo: a ponte Nilo Peçanha. Com seus metais cruzados e cor vermelha, a ponte velha parece ecoar por todo o projeto, criando uma marca inovadora para a cidade sem, todavia, perder a referência (e a reverência) ao mais antigo cartão postal de Resende.

Outro detalhe que deve ser valorizado na proposta é a ausência daquelas soluções que os políticos adoram evocar sempre que falam de trânsito: viadutos, pontes e grandes passarelas. Realmente seria catastrófico erguer viadutos no centro de Resende, ou cruzar o centro histórico com avenidas e passarelas. A sobriedade do projeto neste sentido é louvável. As mudanças no trânsito propostas certamente causarão desconfortos quando forem implementadas, pois praticamente reformulam-se os sentidos de tráfego de todas as ruas no centro comercial e administrativo da cidade, entretanto, as melhorias aparecerão, ao menos por um período de tempo. Em política urbana e de trânsito não existe medida definitiva. É preciso que constantemente a sociedade busque novos caminhos visando sempre soluções que elevem a qualidade de vida.

Por tudo isso, como projeto piloto, a proposta de Ton, Alessandro Passos, Felipe Castaño, Roberto Reis, Marcelo Mattos, Sirléia Siqueira e Adriane Sobreira é muito bem-vinda. É um luxo para Resende termos a oportunidade de impor um estilo moderno e dinâmico à paisagem urbana. Contudo há ressalvas.

As pessoas que são pagas pelo contribuinte para pensar e criar soluções para o problema urbano de Resende deram mostras de que o estão fazendo seriamente e de modo competente. Agora resta esperar para vermos o trabalho de quem é pago para executar. A administração Rechuan em suas demais secretarias (Governo, Finanças, Administração e Obras) já cometeu um grande erro: apresentaram uma proposta técnica sem demonstrar estimativas de custos envolvidos bem como prazos para execução das obras. Existe uma expectativa (de bate-papo de corredor) de que o projeto fique em torno de R$ 10 milhões, entretanto nada oficial. Todas as apresentações são conduzidas somente pela Secretaria de Gestão Estratégica e Planejamento, sem a participação dos demais envolvidos no governo. É mais que necessário, é primordial que sejam divulgados os custos e prazos de execução para que o projeto seja levado com seriedade pelas demais secretarias municipais.

Sendo assim, fica evidente que o projeto Urbano Humano é de longe a primeira e melhor proposta de reforma levantada pela administração de Rechuan nestes quase 6 meses de governo. Merece todo o respeito dos resendenses, todo o apoio da sociedade. E cabe à prefeitura conduzir com clareza, transparência e eficiência as ações necessárias para executar o que foi tão bem projetado. Não gostaria de escrever um texto sobre os motivos pelos quais um projeto tão bom e importante não foi implementado.

É preciso planejar para fazer. É necessário fazer acontecer. Já.


Abraços,
WML

Apresentação retirada do site Resende Notícias feito sobre fotos de Otacílio Rodrigues do Resende Afora.



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17/05/2009
Nossa educação é péssima e Ronaldo sabe disso

Nunca fui muito fã do futebol de Ronaldo (dito “fenômeno”), e fui um dos que quebraram a cara achando que sua carreira já tinha acabado. Mas isso não é importante, ao menos não neste texto.

Ele foi entrevistado na “sabatina da Folha” na última sexta-feira e proferiu algumas sentenças que atiçaram aquela hipocrisia que silencia as verdades incômodas. Basicamente Ronaldo disse preferir que seu filho seja educado na Europa, pois o brasileiro carece de educação. Questionado por Clóvis Rossi se a afirmação carregava certo racismo Ronaldo encerrou a discussão: "Não, acho que é a realidade. A gente não queria que fosse assim. Esta diferença é uma realidade, e, se posso escolher, prefiro que meu filho tenha uma educação europeia" e sentenciou: "A gente tem que pensar nos filhos".

Bastou isso para que a censura velada travestida de falso patriotismo iniciasse o patrulhamento ideológico com paus e pedras condensados em palavras de ordem contra Ronaldo. De coluna na revista Época à blogosfera todos pedem uma retratação do jogador. Por isso saio em defesa de Ronaldo.

As palavras do atacante não deveriam servir para mais uma manifestação da capacidade que temos para fecharmos os olhos para o centro do debate em nome de um ufanismo barato e ultrapassado. Deveríamos, isso sim, ter vergonha de não conseguir criar uma estrutura social capaz de proporcionar o mínimo para o desenvolvimento de cidadãos educados e conscientes.

Ronaldo nasceu e criou-se no subúrbio carioca, não teve uma educação formal digna e a interrompeu para dedicar-se ao futebol. Ronaldo apenas teve a oportunidade de comparar a educação que recebeu no Brasil com aquela proporcionada ao seu filho na Espanha (atente que estamos falando de Espanha, não é nenhuma referência no ranking de educação) e chegou à conclusão óbvia de que simplesmente não há comparação.

Até agora amarguramos uma derrota vergonhosa na missão de educar-nos... educar nossas crianças. Isso, apesar de termos como presidentes um sociólogo por 8 anos e 6 anos com um operário sensível às causas sociais. A polêmica com Ronaldo nos mostra mais uma vez que preferimos culpar o médico pela doença diagnosticada a aceitarmos as chagas e encaramos corajosamente o tratamento necessário para curá-la.

Parabéns Ronaldo. A vergonha é toda nossa.

Abraço,
WML

A entrevista na íntegra

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14/05/2009
Quem é que vai e quem é que fica?

Não simpatizo com aquelas análises feitas sobre partidos e candidatos a candidatos a cargo de qualquer coisa na máquina pública. Análises assim se concentram nos pontos comezinhos da política, reduzem a nobreza da política a sua mais baixa forma, a do patrimonialismo personalista.

Ao meu entender debater política é estudar idéias de gestão, como os políticos se posicionam frente a questões de interesse público e de que forma pretendem alcançar aquilo que defendem. Isso é política.

Quem é amigo de quem. Quem vai para qual partido, ao meu entender, é coisa menor, é politicagem. Político que passou por mais de 2 partidos só pode significar duas coisas: ou os partidos pelos quais passou não têm um posicionamento ideológico e uma diretriz mínima de conduta que o defina, ou o político em questão não tem compromisso com idéia nenhuma que defende.

Mas neste texto abro espaço para um assunto nada importante que circulou apenas em “notas curtas d`O Globo” : A iminente ida do ex-governador Garotinho (aquele que "tentou se matar" em uma greve de fome em 2006 quando a mídia denunciou um "suposto" desvio de verbas no governo de sua esposa - veja texto neste mesmo blog de 02/05/2006) para o PR, calma leitor, Garotinho não está indo para o Paraná (infelizmente, pois assim era um problema a menos no estado do Rio) e sim saindo do PMDB e indo para o Partido da República (PR).

Este assunto, como disse, não significa quase nada para o cenário de candidaturas para as eleições de 2010 no país, mexe pouco no Estado, contudo deixa os politiqueiros (aqueles que vêem a política como meio de vida) de Resende em estado de alerta.

E agora, será que o clã Carvalho fica no PMDB ou segue lealmente aquele com quem possue uma íntima relação? Eu não sei, e sinceramente, nem me interesso muito. Afinal, Resende possui problemas mais sérios que a epopéia partidária dos carvalhistas, que já passaram por PDT, PSB e PMDB.


Abraços,
WML
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10/05/2009
Um ensino de dar vergonha...

Célia Lessa Kerstenetzky é professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense e diretora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento e, tal como eu, advoga que a situação do ensino público não é somente ruim, e sim um caso de calamidade pública.

Ela publicou um trabalho na última semana comparando os investimentos em educação do Brasil com países os países que apresentam melhores condições humanas e sociais.

O resultado, como era de se imaginar, foi vergonhoso...
Ouça a entrevista concedida à CBN aqui:
“Gastos em educação no Brasil são os mais baixos em comparação com 57 países”

Abraço,
WML


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05/05/2009
Uma notícia, duas versões

Bem medidas e bem pesadas, Veja e Carta Capital se igualam na arte de maquiar a notícia conforme suas preferências ideológicas.


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03/05/2009
Da política de Barack Obama aos colégios de Resende

O enredo

“O século XXI é a era do conhecimento”. Este clichê está gravado em toda edição da revista Você S.A. e paira como mantra nas aulas dos cursos de administração, MBAs e congêneres. Pedras e paredes, antas e toupeiras já se convenceram por “osmose” e palestram sobre a importância da informação. Contudo, como é característico de nossa administração pública, somos tão afeitos ao discurso como lenientes nas ações.

Atentem a isso.
Em 22/01/09 a manchete de todos os jornais do Brasil era para a posse de Barack Obama (o paladino da esperança). Naquela mesma edição a Folha de São Paulo publicou a pequena nota “Verba para ciência sofre redução de 18% em 2009” , escondidinha na seção Ciência e sem muito alarde. O corte orçamentário de R$ 1,1 bilhão destinado à pesquisa foi proposto pelo governo Lula e justificado pela (até então eminente) crise financeira. Era uma medida preventiva, afirmou o governo na ocasião, pois o Brasil seria um dos países menos atingidos pela crise que naquele momento assolava os EUA e a Europa (mas na dúvida, cortou-se dinheiro de pesquisa!).

Pois bem, meses depois (em 01/03/09) a mesma Folha de São Paulo publicou “Obama põe educação no topo de agenda e planeja reforma” . A notícia era motivada pelo aumento de 200% (exatamente isso, caro leitor, duzentos pontos percentuais) em verbas discricionárias destinadas à educação básica americana. O montante envolvido era de cerca de R$ 300 bilhões de reais. A justificativa de Obama? A educação americana encontrava-se, segundo seus parâmetros, em um baixíssimo grau de qualidade. Concordo com Obama, pois os EUA amarguram um 29º lugar no “ranking Pisa” de 2006, mesmo ranking no qual (curiosamente sem muito impacto na opinião pública) o Brasil acomoda-se confortavelmente na vergonhosa 52º posição entre os 57 países listados, estamos à frente apenas de Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Qatar e Quirguistão (por favor, não me perguntem que país é este!).

O contraste ficou entre os R$ 1,1 bilhão economizado pelo Brasil (país pouco atingido pela crise financeira) e os R$ 300 bilhões liberados pelos EUA (o epicentro da tsunami financeira mundial). Montantes financeiros incomparáveis. Porém pode ser que alguém argumente que estou equiparando verba destinada à pesquisa (no caso do Brasil) a valores direcionados ao ensino fundamental (EUA), o que é verdade. Todavia o objetivo é destacar a irrelevância do valor que economizamos para um fim tão nobre e importante tanto economicamente como do impacto social como é o caso da pesquisa científica. No entanto, compararemos então grandezas destinadas ao mesmo fim. Continuemos com as notícias dos jornais.

No início desta semana (em 28/04/09) o jornal O Globo destacou no Primeiro Caderno: “Obama investe alto em pesquisa Presidente dos EUA anuncia orçamento recorde em ciência”. O Presidente dos EUA anunciou um aumento de investimento em pesquisa e ciência. O valor agora será de 3% do PIB americano (o que representa 0,4 % de acréscimo) resultando em R$ 824 bilhões de reais destinados ao mesmo fim ao qual o Brasil destina 1% de seu PIB e ainda cortou R$ 1,1 bilhão em nome de uma crise em nada similar àquela pela qual passa os EUA.

O desenrolar da trama

Como isso se relaciona?
O resultado a longo prazo é claro. Caso algum leitor esteja comemorando o tão discutido declínio do “império americano” sugiro ter paciência, muita paciência. Tudo indica que os EUA estão passando por uma mudança de suas bases econômicas, deixando de ser um país com a economia baseada na indústria e passando para uma economia baseada em ciência e tecnologia. Por isso o símbolo da era industrial, as montadoras automobilísticas, agoniza para se adaptar a um modelo em que não é mais o centro da economia, mas coadjuvante.

E o Brasil? Bem, se desejamos realmente assumir um papel central no mundo a médio e longo prazo precisamos parar de comemorar os superávits nas exportações baseados na venda de minério de ferro e soja além de esquecer definitivamente a idéia nutrida por Lula de nos tornamos exportadores de petróleo à custa das reservas recém descobertas. Devemos fazer o que Obama está fazendo, devemos fazer aquilo que fazemos pouco e mal: investir em educação.

As personagens

Nossa incompetência em administrar, ainda que mediocremente, as instituições públicas de ensino fica evidente ao estudarmos os resultados divulgados pelo MEC com o desempenho de todos os colégios do País no ENEM 2008. A análise feita pela Folha de São Paulo está descrito o tétrico e calamitoso resultado a que chegamos: “considerando as escolas públicas ‘convencionais’ (excluindo as profissionalizantes federais, as ligadas a universidades públicas ou que fazem seleção para ingresso), a melhor unidade da rede pública ficou na posição 1.935 do ranking. O colégio é estadual do Rio Grande do Sul e sofre com falta de professores”. Reforçando, o melhor colégio público do Brasil não possui todos os professores dos quais necessita. É nítido que nosso melhor colégio público está entre os piores do mundo.

Perante o desfile de estatísticas negativas e números alarmantes, os secretários estaduais e municipais de educação, os membros dos conselhos de educação, professores e diretores, além do público encarcerado neste sistema educacional sofrível e ineficiente parecem não se desesperar ou reagir, calam-se apaticamente conformando-se com o absurdo e encarando aquilo que é despautério como característica congênita.

Resende - Uma Ilha?

Resende não é uma ilha ensimesmada em sua existência erma às eventualidades que a circundam. Seguimos os mesmos caminhos calamitosos descritos anteriormente. Pois, se Lula (PT) corta verbas destinadas à ciência e tecnologia e terceiriza a educação para estados e municípios, Sérgio Cabral (PMDB) relega à educação papel coadjuvante em seus discursos, todos eles focados em segurança pública. Por sua vez, José Rechuan (DEM), em suas próprias palavras, trata educação como “prioridade”, assim como também são “prioridade” os postos de saúde, o aumento salarial dos servidores, a operação tapa-buracos, a conservação de praças etc etc. Entre tantas “prioridades”, gostaria de entender como as “prioridades” se “priorizam” na agenda de nosso prefeito. Ou será que elas são tratadas à medida que vão aparecendo?

A rede de educação pública brasileira é muito pior que as piores escolas dos países civilizados. Vencer a inércia que nos prende à Idade Média intelectual exige que reformemos estruturas administrativas, conduzamos ações buscando eficiência e tenhamos como objetivo a excelência. Tratar educação como fosse conservação de estrada, agindo espasmodicamente e com medidas meramente superficiais não surtirá efeitos duradouros e nem proporcionará uma oportunidade mínima de cidadania às nossas crianças e cidadãos. É um crime contra o futuro.

Estranho padrão

Uma característica interessante surge quando vemos a linha pedagógica dos colégios que ocupam os primeiros lugares no ranking do ENEM. Tanto no colégio São Bento (1º Lugar do estado do RJ e do Brasil) como colégio Engenheiro Juarez Wanderley (1º Lugar do estado de SP) os alunos têm regime integral de ensino, com mais de 7 horas diárias de atividades escolares. O padrão se repete quando listamos as melhores instituições públicas de ensino. Porém... parece que a administração pública ainda não se convenceu disso. Quando nos mobilizaremos para exigir, ao menos, que todas as escolas municipais de ensino básico sejam em tempo integral?

A resistência em aceitar que a educação precisa ser integral, contudo, não se restringe ao setor público. As instituições privadas de Resende também possuem raras experiências com ensino integral, quase sempre restritas ao maternal.

Tentando ajudar um pouco, tentei deixar a lista divulgada pelo MEC um pouco mais didática. A listagem original é de difícil entendimento e dificulta o cruzamento de dados.

Assim, eis o resultado obtido pelos colégios resendenses no ENEM 2008 , a média obtida entre a prova objetiva e redação bem como o posicionamento no ranking nacional do ENEM.


Abraços,
WML


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02/05/2009
Lula e seus 300 picaretas


Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor

É lobby, é conchavo, é propina e jeton
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída
Pra fazer justiça uma vez na vida

Luiz Inácio (300 picaretas), 1995, Herbert Vianna


Sarney e Temer foram ao planalto solicitar a Lula que ele fizesse uso de sua popularidade para minimizar a péssima imagem tecida pela opinião pública a respeito do congresso. Para isso levaram como argumentos listas de CPIs aprovadas e das quais Lula não quer nem ouvir falar.

Deu certo. Convencido, Lula denominou como hipocrisia as críticas que toda a mídia (com o apoio da população) tem feito aos desvios de passagens, verbas indenizatórias e funcionários do congresso. Ontem Lula declarou em alto e bom tom, para que todos os 73% dos eleitores que aprovam sua gestão possa ouvir:

"Estou vendo agora a hipocrisia do salário na Câmara. Parece um escândalo: faça um levantamento da história da Câmara e veja se algum dia foi diferente? Sempre foi assim, não sei por que as pessoas não têm coragem de assumir as coisas como elas são".

E continuou:
"Não acho correto, mas não acho um crime um deputado dar uma passagem para um dirigente sindical ir a Brasília”.

Eu simplesmente não acredito que este Lula seja o mesmo que disse em 1993, assertivamente, sobre os membros de nosso legislativo (que, diga-se de passagem, era bem mais nobre que o atual): "Há uma maioria de 300 picaretas que defendem apenas seus próprios interesses."

Lula entregou o jogo. Para ele não há possibilidade de se administrar o bem público e defender a sociedade sem desvios éticos, patrimonialismos e fisiologismos. Felizmente eu não penso assim. E nem a imprensa nacional. E nem o eleitor!

Abraço,
WML

"Se esta palhaçada fosse na Cinelândia..."

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01/05/2009
Ausências e presenças dignas de nota

A revista Carta Capital contém em cada edição 4 páginas em que Mino Carta analisa os fatos políticos da semana. Na edição (nº 534) desta semana que se finda Mino consome meia página falando do erro ético de Gabeira (PV) que assumiu ter cedido passagens (pagas pelo contribuinte) da cota a que faz jus como deputado para que familiares viajassem ao exterior.

Concordo plenamente. Gabeira errou e não pode ser poupado. Porém comparar eticamente Gabeira ao ex-deputado Severino Cavalcanti é demais! No texto intitulado “A semana severina de Gabeira” Mino Carta o descreveu como “neomoralista porta-voz da indignação seletiva dos frequentadores da zona Sul carioca” e declarou: “Gabeira cometeu o pecado venial do patrimonialismo”.

A justificativa é que segundo Mino Carta, Gabeira recebeu da mídia uma “condescendência que não foi dispensada a outros deputados e senadores que cometeram falhas tão ou menos graves”. Mais uma vez concordo, pois Gabeira realmente tem ótimo relacionamento com jornais, jornalistas e comentaristas. Contudo, percebo que a própria Carta Capital não tem sido tão ácida com outros deputados também envolvidos, como Luciana Genro do PSOL que cedeu passagens para que Protógenes Queiroz participasse de eventos partidários do PSOL, sem qualquer relação com o mandato da deputada. Outro ponto digno de nota é a total ausência de qualquer referência aos deputados do PT ( e que não têm a estatura moral nem de Gabeira e nem de Luciana Genro) que viajaram ao exterior em férias com a família, tudo pago pelo contribuinte.

Parece que cada vez mais Carta Capital assume a mesma linha de pensamento de Veja: age como imprensa ao tratar de inimigos e como assessoria de imprensa ao falar de personagens com afinidades ideológicas.

Abraços,
WML





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16/04/2009
Sobre Lula, Veja e Vestibular


Os leitores mais antigos deste blog já perceberam que eu não nutro grande apreço pela revista semanal Veja. Sempre que possível dou uma singela alfinetada nesta publicação, apesar de assumir que a folheio, contrariado é verdade, semanalmente. Tenho inúmeros motivos para não ser um admirador daquela linha editorial, entre eles o modo passional de lidar com alguns assuntos especificamente. A Veja é como bêbado: tem sempre uma opinião forte sobre tudo, e divide o mundo entre os que concordam com ela e os imbecis. É simplesmente impossível levar Veja a sério quando ela fala de Lula, PT, MST, Chavez, Cuba, Che Guevara entre outros.

Outro que sempre toma uma estocada entre uma linha e outra que escrevo é o governo Lula. Assumo que tenho uma leve mágoa do governo de Lula, nosso guia e pai de todos. As motivações são variadas, entre elas seu descomprometimento com o bom senso. Quando votei em Lula lá nos idos de muito tempo atrás (em 1998 e em 2002) o objetivo era fazer algumas reformas que o PT se vangloriava de defender. Pois bem, silenciosamente e sem nenhuma justificativa pública o governo Lula simplesmente jogou no lixo tudo o que defendia e fez uma administração perdida, sem envolver a sociedade, sucateando as poucas instituições que tínhamos, com o único propósito de se fixar e aproveitar ao máximo o poder. Reforma fundiária? Revisão das leis de concessão de rádio e TV? Transparência administrativa? Investimentos em educação? Lula esqueceu disso tudo, mas eu não esqueci! Lula foi um engodo.

Pois então, apesar disso tudo, justamente neste post em que assumo meus sentimentos para com veja e Lula, mostro que sei baixar as armas e elogiar quando o elogio é devido. E todos os elogios são devidos a uma específica reportagem de Veja (Edição 2108) desta semana. A revista trás uma ótima matéria sobre as alterações no vestibular propostas pelo Ministério da Educação. Veja superou seu ódio e o cacoete de bater no governo gratuitamente e analisou o projeto da equipe de Fernando Haddad, e de modo positivo. E não sem motivos.

Em um belíssimo exemplo de seriedade e competência o MEC elaborou um plano de substituição do vestibular por um novo ENEM, mais abrangente e com maior conteúdo, porém muito mais inteligente que o Vestibular. Os detalhes podem ser vistos na reportagem da Veja, e por isso não a descrevo. Concentro-me nas conseqüências.

Primeiro vale dizer que o Vestibular não é uma avaliação completamente absurda. Trata-se de um modo justo (apesar de cruel) de selecionar os alunos mais preparados. Porém é um formato de quase 100 anos e as mudanças no mundo exigem uma avaliação diferente. O atual Vestibular seleciona os alunos que mais conseguiram acumular conhecimento “enciclopédico”, porém em uma sociedade cada vez mais focada na criação de conhecimento, seria mais atrativo selecionar os alunos com mais capacidade de analisar e relacionar fatos e idéias, concatenar informações e chegar a conclusões, e é justamente isso que deseja fazer o “Novo Enem” (não sei nem se este nome será mantido).

Portanto a nova proposta é o “padrão”de aluno bem como possibilitar uma avaliação mais humana, distribuída ao longo do tempo e padronizada para todas (ou grande parte delas) as instituições de ensino, o que permitirá o acesso doas alunos a faculdades de outras cidades e estados sem precisar fazer viagens caras, cansativas e longas.

Assim, hoje é um dia atípico. Termino deixando meus elogios ao Governo de Luís Inácio pela proposta de alteração no vestibular tal como à revista Veja pela boa cobertura. Elogios atípicos àqueles que quase sempre são grandes merecedores de minhas críticas.

Abraço,
WML

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07/04/2009
Planejar a Administração pública é uma utopia?

De modo pioneiro a cidade de São Paulo rompe com a completa falta de planejamento público ao exigir da Prefeitura Municipal um plano de governo fixando os objetivos para os próximos quatro anos de modo mensurável e claro. Isso aconteceu na semana passada quando a gestão Gilberto Kassab (DEM), obedecendo a “emenda 30” à lei orgânica de São Paulo, divulgou 223 metas (entre as quais, diga-se de passagem, encontra-se o aumento para sete horas diárias de aula no ensino fundamental, ou seja, não convenci o Rechuan ainda, mas o Kassab já entrou na onda do ensino integral!) que devem obrigatoriamente ser atingidas até o final de seu mandato em 2012. Um belo exemplo de planejamento que pode ser visto na página Agenda 2012 e deveria ser copiado por outras prefeituras.

Porém, mais incrível ainda é o fato deste fato ser incrível. Perdoem-me a aliteração... explico-me. O simples e trivial ato de apresentar à sociedade como será alcançado aquilo que se prometeu ao longo da campanha eleitoral mostra-se um fenômeno inédito neste país. Ora, o mínimo que se espera de qualquer administrador de qualquer negócio ou empreendimento é que ele saiba traçar estratégias factíveis para alcançar aquilo para o qual foi contratado.

Contudo não é isso que se vê no setor público. Parece que somos muito mais profissionais, sérios e éticos ao administramos uma barraca de cacho-quente do que quando assumimos um cargo público. Como cidadão resendense volto-me os olhos para esta cidade, e não gosto do que não vejo.

Esta semana contaremos os emblemáticos 100 dias do governo de José Rechuan (DEM). E o que vejo? Nada. Ao menos nada que dê sentido ao que vejo. Ou seja, a nova administração pública de Resende manteve a tradição de agir episodicamente aqui e acolá porém sem um “conjunto da obra”, ou, se existe uma coerência no conjunto dos atos da prefeitura, isso não foi divulgado nem nos “fóruns” que presenciei, nem na página na internet e nem nas notas curtas da assessoria de imprensa. Onde, de que forma e com quais propósitos estão sendo usados os R$ 7.842.149,76[1] que a Prefeitura recebeu somente do Governo Federal em 2009 eu ainda não sei. Falta diálogo com a sociedade, a prestação de contas (não só referente ao orçamento, mas também política), administrar publicamente.

Não entendam como uma crítica particular à gestão Rechuan, é uma crítica sim ao novo governo, porém facilmente extensível aos quatro anos da administração de Sílvio de Carvalho e aos oito negros anos de Eduardo Meohas (antes disso o país era mais bagunçado ainda e não me cabe julgar as administrações que não acompanhei detalhadamente, todavia arrisco dizer que o cenário era ainda muito pior).

Todos estes governos não planejaram a cidade, foram míopes, não enxergaram mais do que quatro anos no futuro, cegos pela permanente disputa eleitoral. Nenhum destes governos (incluindo o atual) debateu a cidade, elaborou um plano de administração com metas que possam ser acompanhadas pela população. Pensar Resende nos próximos 10, 15 anos!? Estabelecer as vocações econômicas? Uma estratégia? Estudar políticas e pensar como implementá-las de modo eficiente, economizando recursos? Você fez isso caro leitor? Não! Nem eles. Foram muitos anos preocupados com medidas rápidas para impactar o eleitorado, evitando qualquer ação impopular no curto prazo ainda que necessária para a cidade. Contrariar interesses de grupos políticos afins para elevar a qualidade de vida da cidade? Nem pensar. Estas gestões passaram pela prefeitura colhendo somente o que poderia gerar voto e evitando qualquer debate mais sério.

Um belo exemplo é a implementação da uma siderúrgica do grupo Votorantim em uma região de grande densidade populacional, com muitas crianças e nenhum hospital. Era esta a melhor maneira e aquele o melhor local (do ponto de vista social) de instalar uma empresa que, salvo comentários demagógicos ou impensados, é grande poluidora? Aos pés de uma área federal de preservação ambiental? Não sei. Eu tenho sérias dúvidas, mas o governo de Sílvio de Carvalho não teve, não debateu o assunto e se vangloriou do feito.

Desenvolvimento a qualquer custo? Ou melhor, desenvolvimento é sinônimo de desenvolvimento industrial? Acredito até que valeria a oportunidade para questionarmos se nossa vocação é de indústria de base. Desejamos que Resende se torne uma cidade como as do ABC paulista? Caminharemos na contramão das sociedades desenvolvidas que focam em serviços com conhecimento agregado, pois eles são mais rentáveis e trazem mais desenvolvimento que a indústria de base? É prioridade a instalação de indústrias de baixa tecnologia e de grande impacto ambiental que empregam mão-de-obra não qualificada com baixos salários? Será que nossa localização geográfica não nos permitiria trabalharmos mais com serviços logísticos de distribuição? Nosso potencial turístico seria um bom modelo para gerar empregos bem remunerados, preservar o ambiente e aumentar a qualidade de vida dos resendenses? Se investirmos mais em educação facilitaremos a fixação de empresas de tecnologia e serviços? Qual é nosso modelo de desenvolvimento? Estas são perguntas que qualquer candidato a administrar Resende deveria se fazer e tentar responder, porém se as gestões passadas se perguntaram isso, não responderam.

Resende é uma cidade privilegiada, bem localizada, com valorosos recursos sociais e humanos além de riqueza natural, com malha ferroviária, rodoviária e potencial fluvial, com uma economia ativa e comércio forte, contudo nada acontece sozinho, sem planejamento e trabalho. É preciso inteligência, vontade política e seriedade para aproveitar todos nossos “diferenciais competitivos”. Encher esta cidade de viadutos e caminhões definitivamente não é o melhor dos mundos. Colocar mais duas siderúrgicas e tantas outras montadoras automotivas dentro da área urbana da cidade também não me parece melhorar a vida dos resendenses.

Todos os governos que presenciei nesta cidade falharam na missão de melhorar a qualidade de vida da sociedade de modo planejado e estruturado, alguns até mesmo pioraram a situação, deixando-a em completa anomia. Então, convoco nosso gestores públicos, faço um apelo ao governo de Rechuan, pois se já decorreram 100 dias de administração, ainda restam 1360 dias de trabalho. Não trilhem os caminhos da improvisação, das medidas inócuas e medíocres, ações desconectadas de um planejamento de cidade são desperdícios de dinheiro. Façam menos política partidária e mais política pública. São os pensamentos eleitoreiros intempestivos e banais que mantêm nossa cidade na mediocridade. Portanto, planejem, estudem e escutem a sociedade.




Forte abraço,
WML


[1] – Dados do portal do Governo Federal http://www.portaltransparencia.gov.br.

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07/04/2009
Autodivulgação - um blog regionalmente internacional


Este blog é globalizado e com um crescimento exponencial de acessos! Ele tem sido lido por pessoas do Brasil, Portugal, Japão e EUA (tanto da costa Leste como Oeste).

Descobri isso quando coloquei um gerenciador de visualização vagabundinho que achei na net (MapLoco). Ele informa diariamente de quais locais o blog é visualizado. O detalhe é que não sei ainda o que fazer com esta informação, escrever em japonês!? Nem pensar.

Mas de toda forma, agradeço profundamente e de coração aos nossos mais de 15.000 acessos, o que acho muito bom para um blog que não tem mulher pelada nem textos curtinhos sobre esporte ou fofoca de TV.

Abraço a todos que nos ajudam a analisar, pensar e desenvolvermos algumas idéias sobre nossa cidade, nosso país e às vezes sobre o mundo, além dos episódicos contos aqui ensaiados.

Abraços,
WML

As visualizações de hoje:

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02/04/2009
Fórum!? Que fórum? (sobre um fórum que não existiu, um texto que não escreverei)

Optei por não escrever sobre IV Fórum Municipal de Educação de Resende-RJ. Não escreverei porque não posso escrever sobre o que não existiu. O vocábulo “fórum” deriva do latim forum, palavra cujo significado é “praça pública”, local na antiguidade onde eram discutidos os temas relevantes e de interesse da cidade. Sendo assim, tanto etimologicamente como vernaculamente, esta palavra somente pode ser empregada para nomear eventos que não prescindam do debate de um tema específico.

O IV Fórum Municipal de Educação foi uma burocrática reunião governamental que contou com a rápida apresentação dos indicadores já conhecidos referentes à educação municipal de Resende, apresentação esta que pendeu muito mais para palestra motivacional (aos cuidados de Rosaly Azevedo) do que uma análise das metas e meios para alcançá-las. Resumo o evento assim: apresentação burocracial da “mesa diretora”, palestra motivacional com frases do tipo “vocês são os melhores professores do mundo”, explicação do que venha a ser um Conselho Educacional e, por fim, eleição do conselho. Fim.

Ao meu entender a prefeitura perdeu mais um ótimo momento para dialogar com a sociedade, e neste caso específico, com aqueles que estão intimamente ligados ao processo de educação, ou seja, os professores. O que a prefeitura pensa dos professores? Haverá programas de capacitação? Haverá mudanças salariais como a criação de bonificações a exemplo do bem sucedido exemplo paulista? Será implementado ensino em tempo integral ou se focará a atenção na melhoria da qualidade no regime existente hoje? Todas estas perguntas não foram feitas (pois não houve espaço a perguntas) e nem respondidas.

Quem esperava um debate no qual pudesse acrescentar idéias e sugestões ficou frustrado. Quem esperava saber quais são os objetivos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Fraternidade sobre educação ficou frustrado. Quem desejava saber quais são as políticas educacionais que serão adotadas pela gestão do prefeito José Rechuan Jr. ficou frustrado. Quem esperava sair ao menos mais informado do que quando entrou na reunião ficou frustrado. Quem esperava um fórum ficou frustrado.

Só não ficou frustrado quem foi lá apenas para ver uma eleição do conselho de educação, ou quem nada esperava.

Por isso, por tudo o que não aconteceu, pela ausência evidente do desejo de mudar a educação municipal, pelo vácuo intelectual, pela insipidez administrativa e o insosso continuísmo do descaso com a educação, eu decidi não escrever sobre o IV Fórum Municipal de Educação.
Abraços,
WML


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30/03/2009
Tudo que é sólido pode derreter


Tudo que é sólido pode derreter promete ser uma bela série adolescente. No melhor estilo Confissões de adolescente (Bandeirantes – 1994/96) e Anos incríveis (TV Cultura – 1994/95) “Tudo que é...” é narrado pela própria protagonista e personagem central da trama. A idéia original da série é utilizar clássicos da literatura em língua portuguesa para inspirar o enredo. O argumento parece-me muito bom, cada capítulo aborda eventos e situações que de alguma forma se relacionam com o livro “tema”.

É desta forma que os dilemas típicos de uma adolescente vão sendo descritos e coloridos com fragmentos e pontos de vistas de grandes escritores. Leve, sutil e poético a série não tem nada de pedante ou professoral e promete ser uma bela abordagem para suavizar aquela leitura obrigatória pela qual todo adolescente é obrigado a passar nos anos escolares.

A série surgiu de um aprofundamento das idéias lançadas no curtametragem de 2005 de mesmo nome. Nele uma adolescente se envolve nos dilemas e dúvidas de Hamlet e vê que possui problemas parecidos com aqueles vividos pelo príncipe da Dinamarca.

Eu gostei mais do curta do que da série, mas se quiser é só comparar, o curtametragem está no PortaCurtasPetrobras, já a série, bem... como tudo que é digital um dia vaza para a internet, o primeiro capítulo já está no YouTube. Sendo assim, fiquem à vontade, assistam vocês mesmos e vejam se estou certo.

A propósito, a série será composta por 13 episódios e estreia dia 10/04 às 19h30 na TV Cultura.

Abraço,
WML





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30/03/2009
Chorando sobre o leite derramado


O mito... a encarnação do orgulho artístico nacional. Eis o que se tornou Chico Buarque. Há uns dois anos eu venho revirando arquivos na mídia, buscando e lendo entrevistas, resenhas e críticas a respeito dos trabalhos deste ilustre senhor e até hoje nunca encontrei uma palavra desfavorável. Todos os críticos, cedo ou tarde, desmancham-se em adjetivos e descrições elogiosas ao seu trabalho. As poucas palavras que ousam criticar Chico, o fazem de modo tímido, quase que por obrigação do ofício, como se alguém forçasse o jornalista a escrever aquelas “profanações” e tais ataques se dirigem no máximo a idéias e declarações públicas de Chico, nunca abordando a obra do artista. Acho que esta é a coisa mais chata a respeito das obras de Chico Buarque, a ausência de uma crítica contundente. (aproveito para pedir que se alguém tiver aí alguma crítica malhando seu trabalho, por favor me enviem! É coisa raríssima!)

Pois bem... Chico Buarque de Holanda lançou neste último sábado “Leite Derramado”, seu quarto romance (isso na contagem oficial, pois a meu ver seria o quinto se considerarmos Fazenda Modelo lançada em 1974. Não sei por que esta obra não entra nas contas de Chico... Pode ser devido à embaraçosa semelhança temática entre este livro e A Revolução dos Bichos de Orwell, vai saber!, eu que não vou contrariar! Deve ser coisa de gênio!).

Como sempre ocorre nos lançamento das obras de Chico Buarque, toda publicidade é feita através da não-publicidade. Ou seja, Chico negou-se a dar qualquer entrevista para divulgação da obra, alegando que tudo que precisa ser dito sobre o livro está escrito nas páginas do livro. Um luxo e um fetiche artístico que somente quem tem um nome capaz de garantir no mínimo a venda de 70 mil exemplares (tiragem inicial segundo a editora). O máximo que Chico aceitou foi ler um trecho do livro em um material divulgado para a imprensa (veja abaixo).

Ainda assim a mídia não se chateou e sobre a nova obra do galã de olhos de ardósia falou-se, elogiosamente é claro, de tudo nas últimas 48 horas. Porém parece que agora o tom subiu e já ombrearam Chico a Machado de Assis e colocaram o novo livro no pedestal de melhor obra do século XXI, ao menos até agora. Leyla Perrone-Moisés, a mais temida, respeitada e destacada crítica literária do país, sentenciou: "obra de um escritor em plena posse de seu talento e de sua linguagem". Já Roberto Schwarz, um dos maiores especialistas em Machado de Assis, julgou a obra como sendo de total precisão e de maestria literária. Transcrevo as críticas:

José Castello (O Globo)
“A qualidade de “Leite derramado” — um dos mais importantes romances lançados no país nesta primeira década do século XXI — desmonta, de vez, as superstições e preconceitos que deformam sua figura de escritor. Ele está entre os grandes narradores brasileiros contemporâneos.”

Francisco Bosco (O Globo)
“A contrabalançar esse princípio vertiginoso, nitidez semântica e elegância sintática conferem clareza e estabilidade ao texto, configurando o equilíbrio de sua economia.”

Roberto Schwarz (Folha de SP)
Falando sobre a técnica narrativa: “total precisão, pela maestria literária de Chico Buarque, o romancista, para quem o narrador de anteontem é um artifício que permite sobrepor e confrontar as épocas.

Eduardo Giannetti (Folha de SP)
“Obra de alta carpintaria literária, o quarto romance de Chico Buarque impressiona mais pela beleza e astúcia de peças isoladas[...]”

Reinaldo Moraes (Jornal do Brasil)
“O Chico escritor está aqui na ponta dos cascos. Com sua habilidade narrativa para administrar ambiguidades e paradoxos no interior da narrativa”

Alvaro Costa e Silva (Jornal do Brasil)
“A se destacar na obra literária de Chico Buarque, sempre esteve a linguagem – ou melhor, o apuro da linguagem com a busca flaubertiana pelo mot juste. 'Leite derramado' terá longa vida”

Não li ainda o livro e nem o lerei nos próximos três meses devido ao volume de leituras obrigatórias que se avolumam em minha mesa de trabalho, mas como grande admirador de Chico e inspirado em Paulo Francis digo: Não li mas já gostei!

Abraço,
WML

Chico Buarque lê Leite Derramado

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25/03/2009
Fórum Municipal de Educação - RESENDE
Hoje eu vi na AEDB uma faixa informando sobre a realização de um Fórum de educação no dia 28/03 às 8h00 na referida instituição.

Pelo que entendi o evento se propõe debater o ensino público municipal. Como falo tanto do assunto minha presença é uma questão moral. Porém até o momento não sei se é necessário algum cadastramento ou se a entrada é liberada. Por se tratar de um fórum, deduzo que seja um ambiente de livre acesso.

Busquei mais informações no site da AEDB e da Prefeitura porém nada mais descobri.

Fica dada a informação que tenho e assim que descobrir (se descobrir) mais alguma coisa eu coloco aqui (se alguém souber de algo, por favor avise-me).

Grato,
WML

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23/03/2009
A hora e a vez de Carta Capital


Eu vivo atrasado com minhas leituras... talvez justamente por isso eu me exija ler ao menos o jornal do dia religiosamente (ao contrário do Lula, ler não me dá azia, na verdade algumas leituras até dão mais que azia, dão enjoo mental e náuseas intelectuais, mas eu prefiro isso a não saber o que andam dizendo por aí, por mais escabroso que seja.) Mas como ia dizendo, vivo atrasado. As revistas que assino acumulam-se na minha mesa até que um dia eu me sinta motivado a lê-las (dos livros então, acho que tenho uns quinze me olhando da estante).

Voltando às revistas (hoje estou dando muitas voltas para falar!)... às revistas.... então... entre as que estavam empacotatinhas havia 3 exemplares de Carta Capital (é! eu leio sim... por mais vermelhas que sejam as abordagens da Carta, eu sugiro a leitura para balancear as doses diárias de JN e a semanalmente lida sob tortura – Veja). Voltando mais uma vez, estavam os três exemplares quando decidi pegar um e folhei... e me assustei.

No meio da revista (nº535 datada de 04 de março de 2009) me deparei com a matéria Na Boleia da Volks narrando de modo serviçal a carreira de Roberto Cortes (CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus). Nada contra o gordinho... nem contra a marca alemã... mas sim contra o “modo serviçal”.

Para iniciar, o espanto deveu-se ao fato de que a matéria estava “solta”, na verdade, completamente deslocada da revista que tinha como tema a suposta bancarrota dos banqueiros devido à crise. Segundo ponto é o fato de que a Carta Capital não é a Exame! O que tem a ver uma matéria “fria”, isto é, que não trás novidade nenhuma ao leitor de uma revista semanal? Não entendi, contudo esperava que a matéria fosse crítica, apontasse a relação da crise com as demissões e (óbvio tratando-se de Carta Capital) fosse esculhambar a postura “interesseira e neoliberal” da VW ao demitir “companheiros” depois de um significativo período de bonança da indústria automobilística. Pois para minha surpresa a Carta Capital não fez nada disso.

A matéria, como já disse, era serviçal, ocupando-se tão somente de exaltar os feitos do presidente da empresa ao longo de seus 30 anos de carreira. Era nitidamente uma peça publicitária. Juro ao leitor incrédulo que eu, mais incrédulo ainda, procurei nas bordas algo como “informe publicitário” todavia nada havia. Então pensei: ou foi ou será!

Ou seja, pensei que ou a VW iria patrocinar alguma coisa relativa à Carta Capital, ou já o tinha feito. Olhei para as outras revistas à minha frente, uma de 25 de fevereiro (uma semana anterior àquela que eu li) e uma de 11 de março (imediatamente posterior). Peguei a de 11 de março, olhei os patrocinadores, procurei alguma reportagem suspeita, mas nada. A Carta Capital estava ali como sempre esteve, sem surpresas, com elogios (infundadas) ao Chavez e críticas (muito pertinentes) a Yeda Crusius (governadora do RS pelo PSDB). Olhei para a outra revista.

Assim que retirei o lacre plástico a revista se abriu e lá estava!!!! No local mai nobre de qualquer revista (e consequentemente mais caro), ao longo das duas páginas de abertura saltou aos meus olhos o slogan “Caminhões extrapesados com taxas sob medida para o seu bolso”. Ou seja, tinha ido!

Eu entendo perfeitamente que as revistas precisem de patrocínio, e sei também que “matéria paga” é algo comum na imprensa global, porém não admito a má fé! A Carta Capital escreveu uma matéria nitidamente redigida para promover o presidente da VW e a própria VW, contudo não informou isso ao leitor, e (pior!) tentou esconder o patrocínio da VW na edição anterior à dita matéria.

Além disso existem outros agravantes. A Carta Capital sempre se gabou de sua conduta ética, de seu editorial “independente da grande mídia” e por não se subserviente ao “capital internacional”. Pois então, justamente esta revista foi patrocinada por uma multinacional (não vejo problemas) e vendeu um espaço interno como publicidade disfarçada de jornalismo (simplesmente deplorável). Se fosse a Veja nós falaríamos que não tem nada de estranho, afinal nos acostumamos a este tipo de conduta ao acompanharmos a revista semanal da Abril, porém tratando-se de Carta Capital, significou um sério dano à credibilidade da revista. Por mais que discordasse do posicionamento de Carta Capital até então nunca havia questionado a credibilidade e a boa fé desta revista, contudo agora é preciso ter mais que um pé atrás...

Carta Capital, tal como o PT que a defende (e é por ela defendido), mostrou-nos que é melhor quando discursa do que quando age.

Abraço,
WML

Será?

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21/03/2009
Educação - insistindo na loucura


Nas linhas finais que narram as desventuras de Simão Bacamarte, O Alienista, Machado de Assis revela-nos o desfecho do dilema moral/filosófico que consome o médico. Ele, justamente ele, que era o incumbido de identificar e tratar os loucos, era o louco:

“[...] o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco além dele em Itaguaí [...]”

Como sempre, Machado antecipa-se e descreve lá no século XIX aquilo que sinto agora em pleno século XXI! Eu acreditava que os políticos eram loucos por sucatearem a educação, mas talvez o louco seja eu. Eu os considerava idiotas, porém, contudo, eis-me aqui... solitário em minhas idiossincrasias. Os políticos são sensíveis a uma só coisa: opinião pública. E a opinião pública é taxativa: não há sérios problemas na educação pública, ao menos é isso que se constata ao analisar uma pesquisa em que consta que 76% da população consideram a escola pública ótima, boa ou regular! Isto é, na opinião de 76% dos cidadãos a educação pública oferecida às nossas crianças não está ruim.

Este número está na pesquisa* feita pelo IBOP a pedido da Rede Globo e que foi divulgada ao longo da semana através de uma série de três reportagens veiculadas no Jornal da Globo (as reportagens estão abaixo).

As reportagens são boas, porém não abordam o centro daquilo revelado pela pesquisa. No meu entender a maior “comida de bola” foi a análise feita pela equipe da Globo. O foco da edição foi mostrar aquilo que os entrevistados entendiam como sendo o maior problema do ensino público (o que realmente é interessante), todavia não atentou ou não deu importância ao assustador fato de que a maioria absoluta dos entrevistados considera a educação pública no Brasil razoável! Esta constatação, de que para a maioria o ensino público não está ruim, me deixou estarrecido.

Escolas depredadas por alunos, prédios sem banheiro ou luz, professores mal pagos e despreparados, sem a formação na área em que lecionam, tráfico de drogas... nada disso abalou a conduta-avestruz de pensar que tudo vai bem mesmo quando vai mal. Nenhuma destas notícias, que estamparam os jornais somente neste mês de março, parece ter tido algum impacto:

Piores escolas reduzem aula por falta de água

Professora apanha de aluno

Livros usados em sala de aula têm ao menos 25 erros

Após passar rasteira em diretora, adolescente é expulso

Armas escondidas em CIEP de Engenho Novo (RIO)

É por isso que meus posts sobre educação dão menos audiência que qualquer piada barata. A sociedade, até este momento, simplesmente ignora o problema degradante e institucional que corrói a educação pública, seja por não saber o que acontece nas salas de aulas de seus filhos, seja por acreditar que as “coisas são assim mesmo”. Pensamento de gente ignorante – possivelmente imaginaria o leitor. Esta pesquisa deve ter sido feita com pessoas pouco esclarecidas – eu supus. Não! Quando estratificada por nível educacional a pesquisa revela: 57% dos entrevistados que concluíram o nível superior não veem o ensino público como ruim. E a tragédia continua se escalonarmos por renda: 62% daqueles com renda superior a dez salários mínimos acham que o ensino público é ótimo, bom ou regular.

Ou seja, independente do nível cultural ou social, as pessoas não encaram o ensino público como sendo um grande problema social. Em minha análise esta pesquisa é bombástica e com consequências alentadores. Os políticos de plantão, com seus interesses meramente pecuniários e patrimonialistas, mostram que realmente entendem a sociedade brasileira. Ela, a sociedade, não se incomoda com tudo aquilo que vê de deplorável no ensino, pois considera o ensino acessório, desimportante, algo longe dos debates familiares. Todos reclamam do prefeito que não asfalta sua rua, do posto médico lotado, dos buracos nas avenidas, contudo pouquíssimos membros da sociedade parecem se dar ao trabalho de olhar o que (ou se) seu filho está aprendendo na escola, se há professores e se estes professores têm o conhecimento mínimo do que se propõe lecionar, entre outras coisas. A educação realmente não dá votos, por isso tantos Sarneys, Renans Calheiros, tantos Carvalhos, tantos Noéis, tantos outros que constroem castelos, superfaturam em pontes e praças, somem com os computadores das escolas, atrasam pagamentos dos professores e continuam elegendo-se infinitamente, trocando cadeiras entre si, em um verdadeiro pacto pela mediocridade do ensino e do conhecimento.

Nessa mesma pesquisa outros pontos (bem mostrados nas reportagens do Jornal da Globo – veja abaixo) são levantados pelos entrevistados. É singular (e mereceria até um post a parte) o fato de que os mesmos que consideram o ensino público ótimo, bom ou regular, ao descreverem os fatores mais críticos no ensino, revelam que a sociedade sabe exatamente o que acontece nas escolas (ela simplesmente não se indigna).

Violência, tráfico de drogas, baixos salários e desmotivação dos professores e professores mal preparados e desqualificados foram os itens mais indicados como os principais problemas da escola pública. Ou seja, o básico para se ter um ensino no mínimo medíocre. Sem segurança e professores que sabem o que ensinam e com uma remuneração digna é impossível começar a pensar uma educação de qualidade, que forme cidadãos com os mínimos conhecimentos de sua língua, do funcionamento do mundo social e natural e que saibam fazer as quatro operações básicas de matemática necessárias ao seu dia-a-dia. Nem falo aqui de um ensino que faça os alunos pensar, a questionar e analisar os fatos e a sociedade, pois isso exige muito mais compromisso e trabalho, seriedade e dedicação, e nós até agora não temos o básico: ensino.

*Dados colhidos em 2002 entrevistas realizadas em dez/08 em 141 municípios. Margem de erro de ±2 pontos percentuais. Os dados podem ser obtidos em http://g1.globo.com/jornaldaglobo/download/0,,4714-1,00.pdf.

Abraço,
WML

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21/03/2009
Educação - insistindo na loucura II (reportagens do Jornal da Globo)


Insegurança e drogas são os principais vilões da educação no país


Professores reclamam de baixos salários


Os problemas da educação: a má qualidade do ensino


E para terminar, o pitaqueiro de plantão: Arnaldo Jabor fala sobre os problemas na educação brasileira

Abraço, WML
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09/03/2009
Amoras silvestres

Bebo à casa arruinada,
Às dores de minha vida,
À solidão lado a lado
E a ti também eu bebo.

Último Brinde,Anna Akhmátova, 1934



Este conto foi livremente inspirado ao ler um belíssimo livro da poetisa russa cujo poema serve de prólogo a este post. Portanto, todos os méritos deste conto devem-se a Anna Akhmátova, os deslizes creditem a mim.
WML



Um cansado e sujo fiapo de lua brilha como uma faca enferrujada pendente do céu. Este calor que se prolonga outono adentro ousando chegar às portas do inverno me incomoda, me tira da cama e me expulsa do quarto. Tenho saudades de minha velha casa dos tempos de menina. Era um lugar bom para se viver: no inverno fazia frio, no verão, calor, e os retratos ficavam imperceptivelmente velhos a cada ano.

Aqui não, tudo parece eterno, imóvel, impessoal como salas de centro cirúrgico: metal e vidro – e hoje – calor. Aqui a vida é apenas um pequeno hábito, do qual, por indolência, não nos desprendemos até que uma morte lhe surpreenda no meio do dia.

Ouço me chamar. Quando ele me chama não me animo a levantar as pálpebras cansadas. Não vejo, mas sei que aqueles olhos azuis (oh, e como os amei!?) estão recoberto de terror, e permanecem com os sempre insistentes e insatisfeitos olhares postos sobre mim. Toda a angústia é inútil, continuará a me chamar até que eu saia de meu transe, transe ensaiado, artificial, mais por descaso do que transcendentalismo. Então, viro-me.

Diria que lhe fitei com ternura, mas seria falsidade. Ternura não se confunde com coisa alguma, e o que sentia era mixórdia, se misturava com descaso, desapego, e um leve asco. O amor que tive por aquele homem eu vendi nos artigos semanais de revistas femininas, na forma de poemas mal escritos e frases de auto-ajuda.

Às vezes chego a pensar que algum desocupado inventou esta história de que há amor no mundo e, nós, por preguiça ou tédio, chegamos a acreditar. Contudo, creio que cheguei a amar aquele ser que se colocava à minha frente... em algum lugar do passado ele me seduziu. São nesses momentos, em que consigo ver o que fui, que me orgulho de quem sou hoje. Sou um apóstata.

Abandonei a crença em tudo aquilo que não sou eu. Se for para sentir gosto de sangue, que não seja o meu. Se for para beijar um lábio, que não sejam daqueles que me mentiram. Olhos que seguiram outros passos, mãos que tocaram outros seios: não os quero.

- Olá Amor! – Digo-lhe suspirando, implorando silenciosamente para que não me toque. Tocou-me.

Falou-me palavras que meus ouvidos ouviram como russo ou mandarim: incompreensíveis. O vento, o som do brilho das estrelas, o estardalhaço da grama crescendo sob meus pés silenciavam aquele homem a tagarelar mudamente à minha frente.

Quando percebi, seus lábios estavam imóveis e presumi que acabara de falar e então murmurei algo inaudível beijando-lhe e indo dormir.

Penso que não posso mais tardar. Preciso livrar-me da inércia que me prende a este solo como se fosse minha terra natal. Para mim tudo isso não passa de lama nas galochas, poeira nos dentes, que amassamos, moemos, trituramos como se não se misturasse ao nosso pó. Contudo, era aquele homem que nas noites de solidão eu podia livremente chamar de “meu”, mesmo não sendo, eu, sua.

abraço,
WML

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22/02/2009
New Upgrade Geração 8.0 – porque toda geração é diferente!

Toda geração é diferente, afinal, é justamente esta diferença que a caracteriza como geração. Não fosse assim seria apenas um amontoado de pessoas mais jovens ou mais velhas, compartilhando a mesma visão de mundo defasada por uma sucessão de dias...

Porém algumas gerações são mais diferentes que outras... diferente como a geração que cresceu nos anos 60s, descobrindo que sexo não era pecado e que o mundo não era perfeito e mais, que poderia ser diferente.

Pois bem, uma nova geração está rondando a vida adulta. Eles possuem hoje quase 30 ou 30 anos recém-empossados. E o primeiro diferencial destes novos adultos é justamente este: a demora em assumir a maioridade. Ao contrário dos jovens dos anos 60 e 70, esta geração não se apressou em sair por aí exigindo morar sozinho, sair de casa e nem brigou para ser independente de seus pais. Eles nunca precisaram fugir de casa para dormir com a (o) namorada (o), beber cerveja ou falar besteiras, afinal, seus pais eram da geração de Rock and Roll e não queriam ser caretas.

Esta geração cresceu nos anos 80s e isso mudou completamente sua visão de mundo. Eles adolesceram ouvindo rock (atente que é rock, simples assim e não o grandiloquente Rock and Roll) nas rádios, com vozes berrando e letras ácidas, porém não precisaram pichar “abaixo à ditadura” nos muros, nem foram torturados ou fugirão para o exílio. No máximo viram um país destroçado pela inflação, motivo de piada e autopiedade, ser gradualmente reerguido na década de 90 pelo desacreditado e despretensioso plano Real. Viram um país provinciano ingressar na era da globalização.

Eles não fizeram amizades em grêmios estudantis e nem conheceram seus amores em passeatas, ao invés disso iam depois da aula à casa de suas namoradas adolescentes, conversavam com seus pais e falavam que queriam ser médicos, advogados ou funcionários públicos. Pensavam em ter uma vida tranquila, com dinheiro e conforto. Sempre tiveram aversão a comprar um grande sonho ou assumir uma posição ideológica. Hedonistas, individualistas e práticos. A geração 8.0 só queria se divertir até quando puder, e parece que o prazo está expirando.

Eles estão entrando na vida adulta empurrados pelo tempo, à força, obrigados. E isso pode ser bom! Para o país, para a sociedade. Como disse, esta geração é prática, aprende rápido, viu a informática surgir, depois a internet e tem como honra não perder este bonde. Não aceitam ficar para trás. Quando precisam aprender algo, imediatamente vão à rede, leem, estudam e em pouco tempo já sabem do que é feito a bomba atômica e como dar um nó na gravata. Mesmo quando um menininho nerd nascido no final dos anos 90s aparece dominando uma nova linguagem tipo MSN ou orkut, estes trintões não fogem à luta e são os primeiros a comprarem os gadgets no ato de lançamento: ifones, videogames, notebooks; impondo pela grana a liderança que perderam na web. Esta geração definitivamente não tem vergonha de ganhar dinheiro, e gosta muito de não se preocupar com ele.

No trabalho eles mudam tudo, não aceitam a hierarquia e mudam de emprego como mudam de série no colégio. Sem raízes e conhecedores do mundo pela tela do computador e da Tv por assinatura, este novo empregado aceita imediatamente ir para a Papua Nova Guiné ou o Zaire, desde que lá tenha internet com banda larga e celular!

Drogas? Portas da percepção? Rebeldia? Para os membros desta geração tudo só tem sentido se for prazeroso. Fumar maconha tanto fez tanto faz, mas não tem o menor charme e nem é crachá de doidão, está tão fora de moda como fumar cigarros “normais”. O corpo sim é importante... academia faz parte da rotina, tanto quanto a televisão liga à frente da esteira que é vigiada ao mesmo tempo em que se manda um SMS.

Voltando a falar da praticidade, muito me interessa saber o que estes novos meninos vão fazer agora que estão quase a gozar dos plenos direitos políticos. Em pouco tempo poderão concorrer ao Senado e à Presidência. E tudo que falei me faz ser otimista. A capacidade de resolver problemas rapidamente e de forma prática, sem delongas filosóficas e ideológicas me faz crer que poderemos finalmente inaugurar uma sequência de boas administrações públicas, principalmente as municipais, que necessitam de mais vontade e menos blá blá blá ideológico-partidário. Eles já mostraram isso com as ongs em que muitos se meteram, com as entidades beneficentes, os blogs de protestos. Mostraram que não se importam com as instituições falidas e com o “sistema” (a geração anterior queria derrubar o “sistema”, esta nova geração simplesmente o ignora). Quando veem algo errado simplesmente fazem tudo ao seu modo, mudam aos poucos, apenas o necessário. Foi assim que deram poder à Microsoft, depois passaram ao Linux e ao Google.

Estes garotos têm fluência em comunicação a jato e estão sempre prontos para mudar o sistema operacional. Para eles, nada é eterno. Seu individualismo faz com que sempre queiram ser os melhores naquilo em que se envolvem, dando tudo de si, passando por cima dos problemas, e isso é muito bom nesse momento de apatia política de uma geração (a anterior) que viu seus sonhos se esfacelarem, afinal, os atuais políticos cresceram e fizeram suas cabeças em uma época em que existia Direita e Esquerda, hoje o que há são pessoas querendo fazer as coisas certas (poucos, bem poucos) e outras querendo se aproveitar dos governos, do dinheiro público e do cargo. Por tudo isso acredito que politicamente iremos melhorar, apesar das amostras atuais dizerem o contrário – temos um deputados estadual (mas este não vale, afinal é Bolsonaro!) e alguns Federais (como Gladson Cameli e Filipe Almeida Pereira) que tenho certeza: não representam e nem receberam os votos dessa geração.

Em outros aspectos fica a dúvida. Será que teremos um novo Tom e João Gilberto (anos 50s) ou Chico Buarque, Caetano e Gilberto Gil (anos 60s/70s), ou Renato Russo e Cazuza (anos 80s)? Será que alguém desta geração irá ficar? Aí a questão é mais difícil e o terreno mais pantanoso, afinal estaria falando de artistas que pouco escutei. Contudo arrisco o palpite de que os mais cotados são realmente a dupla Amarante (33 anos) e Camelo (31 anos) da finada Los Hermanos. Excluindo estes garotos, não me recordo de nenhum outro trintão capaz de movimentar o cenário musical.

Já no mundo literário a coisa é pior ainda, ou melhor! Depende! Até agora parece que não foi escrito o livro desta geração, ou se foi escrito não foi descoberto ou publicado ou devidamente divulgado, ou então, mais provavelmente, está em algum blog perdido por aí! Aos 33 Fernado Sabino marcou a virada 50/60, aos 24 anos Marcelo Rubens Paiva dissecou a alma de quem entrava na vida adulta na década de 80, contudo até o momento eu não li e nem fiquei sabendo de quem tenha lido algo que descreva o que foi carimbado como geração Y! Daniel Galera? Ana Paula Maia? Santiago Nazarian? Andréa Del Fuego? Simone Campos? Vamos meninos e meninas! Estamos esperando!

No mais é isso, esperar no que vai dar esta geração e rezar (apesar da maioria não se importar muito com este negócio de religião!) para que mudem realmente tudo e não acabem como nossos sessentões, com a certeza ideológica engasgada na garganta, por terem acreditado tanto em algo que se mostrou tão frágil. Cabe a esta geração, criada à coca-cola e educada pela televisão e pós graduada em internet mostrar que aquele mundo que seus pais sonhavam é possível, porém que o caminho escolhido por esta geração é diferente, só isso. É o caminho do “faça agora”, “faça você mesmo e ou então não perturbe”.

Esta é a minha geração!
Abraços,
WML

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21/02/2009
Resende Futebol Clube


Os intelectuais ultra-conservadores e raivosos que lêem este blog me perdoem ou passem direto para o próximo post, mas vou falar de Futebol!

O Super Resende Futebol Clube atropelou o Flamengo hoje e partiu para a final da taça Guanabara 2009!

Os flamenguistas vão dizer que o time do Flamengo está com salário atrasado, que foram roubados pela arbitragem etc etc etc. Tudo desculpa, até agora o site do /Globo Esporte/ só fez dizer que “o time do sul fluminense” ganhou do Flamengo em partida marcada por arbitragem polêmica. Besteira! O diferencial do Resende foi somente o fato de não ter tremido frente a um Flamengo invicto no Maracanã e os próprios flamenguistas não terem levado a partida a sério, seja dentro de campo, com uns jogadores perdidos perdidos, seja fora dele, com os torcedores mais interessados no carnaval do que ir ao estádio.

Com um penalty mal batido (mas o que importa é gol!) o Resende fez 1x0! Depois, com um gol de fora da área simplesmente perfeito, Márcio Gomes (Hiroshi) fez mais um para a alegria do interior do Rio! Tentando evitar a humilhação, em um gol chorado, o Flamengo marcou aos 41 min do segundo tempo, mas não deu, o Resende não se intimidou e foi mais longe: enfiou mais um nas costas da defesa flamenguista e fez o terceiro e mortífero gol contra o flamengo.

Foi muito bom ver isso!!!

Agora vou esperar o meu Fluminense ganhar do Botafogo e fazer a final dos sonhos: Fluminense x Resende. E não tenha dúvida, por mais amor que tenha ao Fluminense, sou Resendense desde criancinha!

abraço,
WML

Veja os gols!


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15/02/2009
Resende - Projeto Segundo Turno. Até quando teremos medidas paliativas na educação?

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação


Perfeição, Legião Urbana, 1993



Para efêmeras surpresa e satisfação o governo de Rechuan divulgou na semana passada um projeto que buscaria implementar o segundo turno na rede municipal de ensino. Empolguei-me bastante, porém apenas por dois segundos. Ao ler o restante da nota (que pode ser lida no site da prefeitura /aqui/) e conversar com alguns funcionários envolvidos neste projeto percebi que não se tratava exatamente de uma integralização do ensino, e sim de definir municipalmente o entretenimento ocioso de algumas crianças. Era mais um caso do cão a perseguir enfadonhamente o próprio rabo.

Antes, porém, uma série de elogios esclarecedores. É muito louvável, bem vinda e benéfica toda e qualquer medida para tornar o ensino melhor e mais agradável. A educação agradece todos os esforços, contudo, se ficarmos somente nos esforços, as boas intenções custarão alto ao contribuinte resendense.

O projeto Segundo Turno lançado pela prefeitura de Resende tem como objetivo (nas próprias palavras da assessoria de impressa do governo) “ocupar o tempo das crianças e dos adolescentes do município fora do horário escolar”. Este projeto se resumirá a disponibilizar aos alunos atividades recreativas e culturais na própria escola ou em clubes como o CCRR.

Isso me leva a pensar que o projeto da prefeitura se preocupa mais com o ócio de nossas crianças do que com as questões pedagógicas. Apesar de um passo à frente, este passo é demasiadamente tímido, quase uma lateralidade. Muitas coisas podem ser ditas desta iniciativa, e eu as digo.

Primeiro a abrangência é pífia, pois o projeto atenderá, a princípio, apenas 8,41% dos alunos da rede municipal, isso na melhor das expectativas, visto que o programa depende de adesão voluntária do aluno. Ou seja, se o aluno, com seus +/- 10 anos possui uma estrutura familiar complicada e não tem discernimento para optar ficar na escola, ele não o fará.

Segundo, iniciar as ações relacionadas à educação com medidas que apenas disponibilizam oficinas de entretenimento e (no máximo) reforço escolar para auxiliar no dever de casa é partir da premissa de que a estrutura atual é eficiente, ou no mínimo eficaz, o que cabalmente não é verdade. A situação é grave, emergencial, colocando em risco o futuro de 21.000 crianças.

Conforme o /Ministério da Educação/), Resende possui 6,9% de analfabetos na população acima dos 15 anos, o que é uma vergonha se comparado aos 5,7% da região sudeste ou aos 4,6% do estado de São Paulo que fica bem ao nosso lado (o cenário é ainda pior se considerarmos o melhor índice do país que é 0,91% no pequeno município de São João do Oeste em SC). Jogar estes índices estatísticos aqui pode parecer muito frio, por isso é útil traduzirmos em números absolutos: estamos falando de cerca de 7.000 pessoas que não sabem ler ou escrever em Resende! Dentre os quais 390 seriam crianças entre 10 e 15 anos!O que estamos fazendo para mudar isso? Até quando admitiremos esta chaga social?

Indo mais adiante, 24% dos professores da rede municipal de ensino não possuem formação superior, o que vai à contra mão daquilo que dita a LDB, onde está determinado que a partir de 2006 deveria ter sido disponibilizado aos professores cursos complementares de formação para chegarmos em 2010 com 100% dos professores formados em instituições de ensino superior.

A fotografia do ensino de Resende hoje não é nada alentadora. Pior ainda, ao menos nos últimos 20 anos, período cujas políticas educacionais presenciei, os governos vêm desde sempre tomando medidas pontuais infecundas, eleitoreiras e estéticas. A posição dos políticos de Resende é quase sempre a de negligenciar completamente a educação, e quando decidem fazer algo, fazem errado, ou de modo levianamente equivocado. Muitas vezes se concentram obtusamente em mudar ou reformar tão somente as estruturas físicas das escolas, pintando paredes e alterando fachadas (afinal, políticos adoram obras!). Em outros momentos, gabam-se de ter disponibilizado dezenas de computadores, porém sem nunca terem feito um programa pedagógico com os professores, traçando um plano de como estes recursos podem auxiliar na educação.

Resende não pode mais perder tempo com medidas cosméticas, de pequena abrangência e lenta evolução. Resende não pode deixar que suas crianças fiquem largadas em clubes enquanto não foram minimamente alfabetizadas e quando o programa pedagógico não sai do papel.

O Projeto Segundo Turno do Governo Rechuan é assertivo nas intenções, porém ingênuo e inexpressivo ao abordar o grande problema que a educação em Resende deve enfrentar. É preciso mais. É preciso vontade e coragem de mudar.

Abraço,
WML



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14/02/2009
Venezuela - Referendum 2009 - Sí o No

Toda afirmação contém a gênese de sua negação, assim como toda pergunta define e direciona a resposta por ela induzida.

É desta forma que se torna impossível ser contra qualquer medida que amplie os direitos políticos do povo. Bem como se opor que exclusivamente o voto popular possa determinar a permanência ou não de um cidadão em cargo eletivo. Pois bem, se aceitássemos, como é de se prever, estas afirmações como verdades e fôssemos eleitores venezuelanos, então estaríamos votando a favor da proposição que permite a Hugo Chávez se manter indefinidamente no poder.

No pleito que eliminará ou não o limite de reeleição do presidente da república bolivariana da Venezuela a pergunta que será feita será exatamente essa:

¿Aprueba usted la enmienda de los artículos 160, 162, 174, 192 y 230 de la constitución de la República, tramitada por la Asamblea Nacional, que amplia los derechos políticos del pueblo, con el fin de permitir que cualquier ciudadano o ciudadana, en ejercicio de un cargo de elección popular pueda ser sujeto a postulación como candidato o candidata para el mismo cargo por el tiempo establecido constitucionalmente, dependiendo su posible elección exclusivamente del voto popular?

Traduzindo:
"Você aprova a emenda dos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 da Constituição da República, tramitada pela Assembleia Nacional, que amplia os direitos políticos do povo, com o fim de permitir que qualquer cidadão ou cidadã em exercício de um cargo de eleição popular possa ser sujeito à postulação como candidato ou candidata para o mesmo cargo pelo tempo estabelecido constitucionalmente, dependendo sua possível eleição exclusivamente do voto popular?".

Uma pergunta mais direta certamente mudaria a cabeça de alguns eleitores. Tenho certeza que a adesão à ideia do governo venezuelano seria bem menor se a pergunta fosse: “Você aprova que todo governante de cargo eletivo possa se reeleger indefinidamente?”

Indo adiante, caso colocássemos em evidência o que realmente está em discussão, o continuísmo de Chávez, a proposta seria ainda menos atrativa: “Você aprova que Chávez permaneça no poder indefinidamente, desde que seu governo seja aprovado em plebiscito a cada 4 anos?”

Bem, sem a menor dúvida a proposta de Hugo Chávez traz grandes riscos à frágil democracia venezuelana, porém não é um mal em si. Trata-se apenas de um processo ao longo do qual as instituições democráticas daquele país foram gradualmente desmoralizadas e desmontadas, com as tomadas de decisões concentrando-se cada vez mais no poder executivo, coincidentemente exercido por Hugo Chávez. Porém esta escolha cabe ao povo Venezuelano e trata-se de assunto acalorado onde ainda se esconde um ranço ideológico velho e mofado. Sempre que critico Chávez aparece alguém para me acusar de direitista ou alienado, e isso me consome a paciência. Se Chávez é bom ou ruim para a Venezuela, o povo venezuelano que decida, contudo eu posso afirmar um fato independente de qualquer opinião venezuelana, ei-lo:

Ao formular uma pergunta nitidamente tendenciosa e utilizar toda a máquina pública, o dinheiro do contribuinte venezuelano para defender um posicionamento que se confunde com seus interesses, Chávez está sendo exatamente aquele tipo de político que alega combater, age como a oligarquia, com ares de coronelismo, caudilhismo, coagindo e chantageando a população. E isso, definitivamente não é o que espero de quem se diz defensor dos excluídos e a nova encarnação do espírito socialista (no sentido filosófico de doutrina de fundo humanitário que visa reformar a sociedade para diminuir suas desigualdades). Chávez está longe de ser a sombra daquilo que pensa ser, não é um novo Guevara, muito menos Simon Bolívar. Chávez caminha para ser um novo velho (pois o jovem é admirável) Fidel, o Fidel da Cuba isolada do mundo, caminha para ser um novo Pinochet, ou um novo General Castelo Branco, Medici, Geisel, ou qualquer um dos três patetas de 69.

As ações de Chávez, suas medidas e seus atos não condizem com as palavras que cospe às multidões em seus discursos e sou levado a crer que as palavras é que faltam com a verdade... lamentável, pois os caminhos que um governo toma para defender seus posicionamentos são tão importantes quanto estes posicionamentos em si. Maquiavel não combina em nada com os ares democráticos do século XXI.

Abraço,
WML
Na verdade Chávez quer ser mesmo é o novo Chapolin Colorado:

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07/02/2009
Tempos Estranhos

A cada capítulo o Congresso Nacional se mostra mais e mais indigno de suas atribuições. O deputado do DEM Edmar Moreira Edmar Moreira é investigado pelo STF por apropriação ilegal de contribuições ao INSS feitas por seus empregados. Ele também responde legalmente por omitir da sua declaração de bens um castelo em Minas avaliado em R$ 25 milhões. Mais ainda, o mesmo deputado Edmar Moreira é dono de uma empresa de segurança que é executada judicialmente na 21ª Vara Cível de São Paulo por não pagar empréstimo de R$ 1,9 milhão feito no Banco do Brasil, ou seja, ele é ladrão: Roubou as contribuições de seus funcionários ao INSS. Roubou o contribuinte brasileiro ao sonegar IR e roubou o Banco do Brasil ao não pagar os empréstimos que fez. Não há outra palavra para definir o ilustre deputado que não seja o de ladrão.

Ainda há mais, pois durante os sucessivos escândalos do mensalão, Edmar Moreira defendeu veementemente que nenhum daqueles acusados deveria ser punido ou caçado, sob o argumento de que eram tão somente suspeitos e que ninguém havia sido condenado!

Pois bem, não bastasse o ato imoral deste cidadão marginal ocupar impunemente um lugar no congresso nacional, o mesmo ainda foi escolhido como o corregedor da Câmara. Ou seja, justamente o responsável por avaliar se uma denúncia feita sobre algum parlamentar é ou não pertinente e merece ser apurada mais detalhadamente. O próprio Edmar Moreira disse que não encaminharia ao Conselho de Ética nenhum processo de cassação contra os colegas que, por ventura, viessem a quebrar o decoro parlamentar, e justificou: "Temos o vício insanável da amizade."

Frente a tudo isso duas coisas me causaram muita estranheza.

Primeiro o líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, considerou que estão tudo não passa de "marola" que a imprensa está fazendo com o caso. Ele acha que não há nenhuma denúncia de corrupção contra o deputado Edmar Moreira (!? Eu me assunto com a capacidade de mentir e negar os fatos de certos seres humanos, afinal basta ler os autos do STF que o PTista citado descobrirá que seu amigo é acusado e investigado sim!) Ou seja, ao ver um membro da oposição ser atacado o partido do governo o socorre e faz juras de que o mesmo é idôneo. Parece que quando se trata de atos “rotineiros” dos deputados, todo os que têm “rabo preso” se juntam para se protegerem mutuamente.

Outro ponto é que o DEM parece ter relembrado os tempos de PFL e divulgou uma /nota oficial/ em seu site repleta de palavras de feito porém completamente vazia de ações. Os Democratas disseram que “o partido sempre colocou a questão ética como uma de suas prioridades” e continuaram atirando com a afirmação dura de que “quaisquer decisões, mesmo que corretas, tomadas pelo referido Deputado, no exercício das suas funções, serão sempre eivadas de suspeição”, porém antes de terminar deu a garantia sublinhar de que tudo permanecerá como está escondida nas palavras: “o partido as remeterá [as denúncias divulgadas pela Imprensa] imediatamente à sua Comissão de Ética, para que, o mais brevemente possível e concedido o amplo direito de defesa conforme os ritos estabelecidos estatutariamente, seja tomada uma decisão final.” Resumindo, os Democratas em nenhum momento ao longo de sua Nota Oficial cogitaram expulsar o deputado Edmar Moreira do partido, por mais que o mesmo tenha sapateado e escorraçado sobre o rigor ético que os Democratas garantem defender.

Tudo são sintomas de algo muito mais sério. O total desinteresse da população com a administração pública e com a política, além da descrença de que tudo relativo à política sempre será sujo e desonesto. È fundamental que haja uma renovação de nossos homens públicos e de que esta nova geração seja justamente formada destas pessoas indignadas e descrentes com a política. Devemos parar de ver a política como profissão, e sim como uma forma de se manifestar válida, como a arte, a literatura, as ongs e organizações populares.


abraço,
WML
O castelo que Edmar Moreia tentou esconder da Receita Federal:

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26/01/2009
Ensino Integral em Resende – Uma questão de obrigatoriedade

No último debate antes das eleições municipais de 2008, Rechuan manifestou (ainda que timidamente) suas intenções de estender a permanência dos alunos da rede municipal de ensino em sala de aula, visando implementar ensino em tempo integral. Pois bem, passado quase 1 mês da posse, eleito e com secretário de educação (na verdade a secretaria de educação de Resende esconde-se sob o pomposo nome de Secretaria Municipal do Desenvolvimento Humano e Fraternidade) nomeado e na ativa, e restando 1 mês para o início do ano letivo, eu não ouvi, li ou vi qualquer menção à alteração na carga horária dos alunos da rede municipal de ensino. Isso me deixa apreensivo...

Ensino integral. Eis a variável de controle do sistema de educação. O ponto nevrálgico de uma teia de relações. Quem fala de melhoria na gestão do ensino público sem debater o período integral de estudo obrigatoriamente incorre em um erro típico de dois tipos de pessoas: as que não sabem do que falam ou as demagogas.

Aceitar este desafio e buscar meios de implementar um ensino em tempo integral é mais que uma estratégia de gestão educacional, é mais que um plano de governo, trata-se de uma obrigação moral e legal da prefeitura.

A Carta Constitucional de 1988 é clara:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (o grifo é meu)



É notório que estamos diante de uma situação inconstitucional, pois não há alma nessas terras desbravadas por Simão da Cunha Gago a defender que nosso ensino municipal é capaz de garantir o pleno desenvolvimento da cidadania de nossas crianças. Por mais esforçados e bem intencionados que sejam todos os profissionais envolvidos, os recursos (humanos, estruturais e pecuniários) destinados a esta tarefa são escassos e muitas vezes aplicados com eficiência duvidosa. Além disso, o INDEB/2007 não deixa dúvidas, Resende teve nota 3,2 nos anos finais do ensino fundamental, ou seja, se fosse um aluno, o município seria um péssimo aluno e não teria chances de ir nem mesmo para recuperação. Portanto é fato de consenso que o ensino disponibilizado pela prefeitura de Resende precisa melhorar, e mais ainda: segundo a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n° 9394/96 (LDB) a educação escolar integral é uma das bases fundamentais para o pleno desenvolvimento da educação.

Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola.
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei.
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino. (o grifo novamente é meu)



Por tudo isso reafirmo: toda gestão pública obrigatoriamente precisa focar a implementação do ensino integral, seja pelo simples fato de que somente este caminho pode levar uma melhor educação às nossas crianças, seja por uma obrigação legal do município, do prefeito e da secretaria de educação.

Aguardo com ansiedade as brilhantes ideias visando atingir este objetivo que hão de sair das competentes pessoas envolvidas na administração da educação resendense, pois a priori todos eles são detentores de meu respeito e confiança, porém lembro que é a priori. É necessário ação. É primordial vontade. E para inspirar o prefeito, na própria página eletrônica do DEM (partido de Rechuan) podem-se encontrar experiências neste sentido da administração José Arruda no Distrito Federal, co-partidário do atual prefeito de Resende.

Antes de terminar, é importante que fique claro é aquilo que podemos considerar ensino em tempo integral, apesar de o assunto ser polêmico e extenso, o abordarei, contudo, resumidamente.

Ensino integral consiste em um mínimo de seis horas de atividades dedicadas à educação do aluno. Deve-se tratar de atividade que envolva educadores e objetivos concretos para a formação do cidadão. Muitos municípios alardeiam ter implementado o ensino integral e quando as escolas são visitadas e observam-se as atividades desenvolvidas percebemos logo o golpe eleitoral: somente criaram um recreio pós-aula. Ou seja, não aumentam a carga horária de aulas, e após as aulas convencionais desenvolvem “oba-oba” com ONGs duvidosas que ensinam as crianças a baterem lata, cantigas de roda ou as deixam jogando bola na quadra da escola, o que configura um claro desvirtuamento do ensino integral.

O ensino integral exige o treinamento da rede de professores, sua expansão envolvendo atividades extraclasses, bem como aulas de reforço e aprofundamento teórico e prático. Trata-se de uma modo de aumentar a qualidade do ensino supostamente previsto nos programas educacionais porém negligenciado ou suprimido por falta de tempo e estrutura no regime em tempo parcial.

O ensino em tempo integral, implementado de modo claro, consistente, envolvendo e treinando os professores e acompanhado pela família é um método de garantir que nossas crianças se tornarão cidadãos capazes de integrarem-se na sociedade, desenvolvendo suas competências, gerando conhecimento e renda.

Alguém poderá se perguntar: existem verbas para isso? Bem, o post já está extenso, porém não posso deixar de dizer que a constante desculpa de ausência de verbas é no mínimo questionável, sendo a meu ver fortemente falaciosa. Primeiro ponto a ser considerado é o fato de que o FUNDEB repassa automaticamente 25% a mais de recursos àqueles municípios que implementam este tipo de regime educacional. Se houver necessidade de construir escolas, o que a princípio não há, o PAC da educação do Sr. Luís Inácio possui R$ 8 bilhões de fundos à espera de um secretariado competente para elaborar um projeto, e caso seja necessário contratar professores, bem Rechuan afirmou que cortará de 70% a 80% dos cargos comissionados, creio que parte deste “recurso extra” poderia ser bem investida em educação.

Ainda assim, se estes argumentos não são capazes de convencer de que o caminho a ser seguido é do Ensino Integral, então no próximo post falarei sobre as vantagens de sua implementação na vida do cidadão comum, não só na vida das crianças e da cidade.

Abraço,
WML
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24/01/2009
Armadilha de Satanás

Acho que a última guerra em Gaza nos fez perceber que o século XXI não superou o fundamentalismo religioso. Quando a religião separa as pessoas, ao invés de aproximá-las, algo deve estar errado... mas isso é um longo e espinhoso assunto.
A questão é que às vezes o fundamentalismo se manifesta de forma no mínimo cômica.... olha o vídeo aí...



Abraço,
WML
obs.: Este post não é armadilha de Satanás... pois eu nem acredito na existência deste suposto chifrudo.
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12/01/2009
Fazendo teste para Feeds
teste

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11/01/2009
Demagogia, Palestina e Israel - uma mistura explosiva


No que se refere ao confronto sino-palestino, o bom senso está soterrado por séculos de poeira histórica e 60 anos de um confronto praticamente ininterrupto. O que mais sobra no debate são demagogias e simplificações generalistas do tipo “palestinos fanáticos” ou “judeus imperialistas”.

Possivelmente me arrependerei deste post devido às críticas que virão, ao velho argumento falacioso de se tratar de uma guerra de “Davi contra Golias”. Contudo, escrevê-lo é indiferente, uma vez que já o penso. Então, vamos ao mesmo.

Este é talvez o único confronto nos últimos 60 anos (desde a atabalhoada criação do estado de Israel pela ONU, cravada artificialmente na palestina e de cujo processo o Brasil desastrosamente se orgulha de ter dado o voto final) em que vejo total “legitimidade” nas ações dos judeus. Muitos dos que cospem palavras ofensivas às ações de Israel talvez estivessem demasiadamente preocupados com seu dia-a-dia, ou simplesmente não se importaram quando ao longo de 2008, apesar de um cessar-fogo tratado entre Hamas e Israel, os jornais noticiaram em notas curtas e desinteressantes os constantes lançamentos de foguetes e granadas de morteiros do mesmo Hamas contra Israel, que não os revidou (ao menos não militarmente). O mesmo cidadão “agora defensor dos palestinos”, hoje grande crítico ao comentar e criticar Israel possivelmente não gastou um só minuto pensando nas motivações de Hamas, em 19 de dezembro do ano que se findou, ao não renovar aquele cessar-fogo por ele não respeitado, porém que lhe deu liberdade para agir livremente na palestina.

Por isso considero pura demagogia dos vários “pensadores” por aí a rezar um Terço com ladainhas de que se preocupam e se comprometem com a paz. Se realmente o fossem, teriam feito manifestações antes, quando o Hamas descumpriu o acordo de paz.

Outros pensadores “mais moderados” chegam a concordar com a legitimidade da defesa de Israel, porém alegam uma “desproporcionalidade” nas ações militares. Bem, lamento informar porém uma guerra NUNCA é proporcional, jamais, pois se as forças se equivalem não é possível acreditar na vitória e logo não há muita motivação para declará-la. A Alemanha foi trucidada na Primeira Guerra, sem nenhum equilíbrio bélico, e inauguração da Segunda Guerra a Alemanha trucidou a Polônia, irritando os EUA que anos depois tentaram trucidar o Vietnã, para mostrar força à URSS que também tentara trucidar o Afeganistão, o mesmo Afeganistão trucidado nos últimos anos pelos EUA, sobre a crítica do Brasil que trucidou em outros tempos o Paraguai. Se pudesse o Irã trucidaria Israel que na mesma lógica está trucidando a Palestina.

Toda guerra é uma bestialidade. Elas podem ser legítimas no sentido jurídico, do direito de Estado, da lógica política, porém todas, sem exceção, são antiéticas, amorais e desumanas. Portanto, condenar Israel por sua guerra ou representa uma evolução moral da humanidade e exige a condenação de todas as demais guerras no mundo, ou é pura demagogia.

Abraço,
WML
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02/01/2009
Os novos funcionários do cidadão resendense

Ontem (01/01/09) eu passava em frente à prefeitura de Resende para ver o murmurinho da posse de Rechuan e fiquei estarrecido por um fato sutil. Dezenas de carros, presumivelmente de convidados e aliados do novo prefeito, enfileiravam-se na Av. Rita Maria Ferreira da Rocha (aquela avenida do parque da águas) em condição nitidamente irregular, pois qualquer ser humano habilitado a dirigir sabe que não se pode parar em avenidas, e muito menos estacionar e lá deixar o veículo por horas. Pois foi isso o que aconteceu.

Fiquei pensando no que leva alguém, que se diz preocupado com a cidade, a desrespeitar frontalmente as normas básicas de convívio, como as de trânsito. Não achei resposta, porém encontrei outros sintomas de caos urbanos. No terminal rodoviário urbano pode-se ver no meio da calçada um trailer adaptado para venda de lanches e com uma construção de alvenaria, dando a impressão de que sua situação ali almeja ser definitiva, tumultuando o trânsito de pedestres e dando a sensação de bagunça naquele feio local (local esse já agraciado na gestão do prefeito Eduardo com um caixote de concreto onde enclausuraram os camelôs, em um verdadeiro monumento ao mau gosto arquitetônico e um desastre urbanístico).

Por estas e outras concordo com Rechuan quando diz que há muito que fazer em Resende. Há sim, e podemos começar pelo simples, multando os amigos que pararam em local proibido e cumprindo-se a lei. A quem cabe a tarefa? Aos ilustres senhores listados abaixo que desde ontem são os responsáveis pela qualidade (ou a falta da mesma) de vida dos cidadãos resendenses. Portanto, mãos à obra e não desejo sorte, porque a cidade não pode depender de sorte, desejo sim que tenham disposição, pois a única justificativa que encontro para que a situação de Resende não seja melhor é a falta de vontade, disposição e competência de quem a administrou/administra.

Os senhores cujo salário eu pago são:
Prefeito José Rechuan Junior
Vice-prefeito – Noel de Oliveira
Secretário de governo – Rafael Fonseca da Silveira Junior
Secretaria de Finanças – Renato Viegas
Secretaria de Administração – Maciel Corrêa
Secretaria de Saúde – Daniel Britto
Secretaria de Educação – João Duarte
Secretaria de Obras – Ruben Almada
Secretaria de Agricultura – José Antonio de Carvalho Pires
Secretaria de Indústria e Comércio – Reinaldo Raelli
Secretaria do Meio Ambiente - Fontanezzi
Fundação Casa da Cultura Macedo Miranda – Laís Amaral
Assessoria de Comunicação – Ricardo Paiva
Ouvidoria – Ricardo Leite Moraes
Urbanismo – Ton Kneipe
Confiar – Padre Rômulo
Procuradoria – Janaína Thuller
Controladoria Interna – Ana Rita
Diretoria de Ordem Pública – Ed Murphy

Alguns foram anunciados neste video

Abraço,
WML
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01/01/2009
O ano começa com uma nova forma de escrever

Como falamos en passant no post sobre trema (28/09/2008 - O dia em que o trema tremeu - e caiu), entram em vigor hoje as novas regras firmadas no novo acordo ortográfico de língua portuguesa. Algumas mudanças vêm ajudar e são bem vindas (como o fim do acento em “pólo”, “pára”, “pêra” e das malditas consoantes não pronunciadas nos livros do Saramago como em “baptismo”, “afectivo” e “direcção”. Em alguns casos, apesar de simplificadora, as grafias antigas deixarão saudades nos poetas, como as assas de gaivotas em “vôo” e o livrinho sobre o “e” de “lêem”. Outras confundem mesmo tudo, como alguns casos de hifenização onde parece que ficaremos em completa anomia até que a ABL divulgue seu manual (é o caso do já antigo “pára-raios” que ninguém sabe se virou “para-raios” ou “pararraios”).

Fato é que muitos reclamam, muitos defendem, outros tantos simplesmente ignoram. Esta última opção parece ter sido justamente a escolhida por quem promulgou o Acordo. O governo federal, com suas mulas e lulas, simplesmente não divulgou data para que a nova norma seja utilizada em documentos oficiais (!?). Completamente sem sentido! Afinal são justamente os governos, as organizações internacionais e as grandes editoras os maiores beneficiados pelo acordo, visto que não precisarão conviver com duas formas diferentes de escrever (brasileira e lusitana) em documentos e livros de circulação global.

Minha opinião é de que uma vez já feito e assinado, que aceitemos o acordo e o apliquemos imediatamente para colhermos seus frutos o quanto antes. Sua adoção será quanto melhor, mais rápida, barata e menos traumática quanto menos resistência for feita a ele. Por isso o papel das mídias escritas é determinante, e por isso precisamos bater palmas para a Folha que hoje já apresentou a nova ortografia em sua edição. O jornal O Globo (sempre mais atrasado) adotará a partir da segunda-feira (05/01/09), o que acho razoável. Já o Jornal do Brasil parece ter se inspirado no Lula e não deu data, alegando de modo vago que se adaptará gradativamente. Como este blog é metido à besta, desde já estamos adotando a nova ortografia. Pode ser que escorreguemos algumas vezes, mas já encomendei o livretinho do Bechara (O que muda com o novo acordo ortográfico) uma vez que é esse cara a autoridade máxima do Acordo no Brasil. Somente quando tivermos dúvidas e o Bechara não conseguir tirar, é que vou grafar da forma que era considerada correta antigamente (até o ano passado!).

abraço e Feliz 2009,
WML

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30/12/2008
Um conto de Ano Novo


Armários abertos. Janelas fechadas. Gavetas reviradas. Roupas no chão. Algum sangue no tapete, mas pouco, bem pouco, que poderia ser confundido com marcas de molho de tomate. Não resta dúvida de que todo o nosso conhecimento começa pela experiência, contudo aquela não tinha sido nada agradável. A cabeça doía muito. Acordara sem saber onde estava, sem reconhecer o próprio quarto, como se não estivera trancado ali por três dias, comendo e expelindo excrementos, intercalado por náuseas que se manifestavam em enjôos e vômitos. Nada mais humano, pateticamente humano.

Levantou-se malemolente, de modos tíbios. Pôs-se ao lado da cama sem saber como e muito menos para onde ir. Caminhou até a porta: trancada. Não entendeu. Forçou. Tentou encostar os ouvidos para escutar algo: nada. Voltou-se para o interior do quarto - uma confusão mental. Lembrava-se de procurar a arma, de não a encontrar, de pegar frascos de remédios e engolir compulsivamente todos os comprimidos. Vieram as náuseas, a necessidade de não vomitar para que os remédios causassem algum efeito. O corte na cabeça deve ter sido causado pela queda ou por alguma batida no momento da convulsão – certamente apresentara convulsão, sempre tinha, mesmo quando tudo parecia bem.

Tudo levava a crer que os remédios não tiveram o efeito desejava. A arma. Precisava encontrar a arma. Olhou o quarto às avessas – onde mais poderia procurar? Onde a teriam escondido? Olhou o lustre – último lugar intocado. Subiu na cama e colocou a mão dentro do lustre. Sentiu imediatamente o frio do metal. Estava ali. Súbita decepção subiu-lhe a espinha. Um medo. Em seu íntimo esperava não mais encontrar a arma. Contudo, ela estava ali, sobre sua cabeça. Pegou. Soprou para tirar a poeira e as carcaças de inseto que a impregnavam. Abriu o tambor: 6 projéteis cravados no tambor, com algum sinal de ferrugem, conservando, porém, o dourado do aro no invólucro.

Tudo poderia ser resolvido ali, e naquele momento. Tanta procura, tanto desespero e agora bastava concluir o que tanto desejava, ou acreditava desejar. Nova náusea o tomou, contudo sem vômito, pois nada mais havia a expelir. Olhou novamente o revólver. Não podia desistir, se acovardar mais uma vez na vida diante da morte. Tomou o revólver em suas mãos, engatilhou e apontou para a cabeça. Baixou a arma. Não era justo ser tão simples assim. Não era justo ter encontrado o maldito revólver. Abriu o tambor e retirou de lá uma munição. Fechou o tambor e o girou. Seria uma questão de destino, de sorte, de providência, de vontade de Deus. A coragem tomou seu coração. Era necessário provar a si mesmo que merecia viver. Apertaria o gatilho e milagrosamente o tiro não sairia. Apontou contra a cabeça. Segurava na outra mão a munição que tirara da arma. Aquele era o arauto da morte, o projétil destinado a lhe assassinar e agora ele o segurava entre os dedos. Sentia o calor de uma fé adormecida desde os tempos de menino, aquele seria seu renascimento, o momento em que ganharia de si mesmo e do destino a chance de se recriar, de iniciar uma novo período em sua vida. Bastava apertar o gatilho e sentir o ar ainda entrando harmoniosamente em seus pulmões, a luz escrevendo desenhos na retina. Era a glória. Estava salvo. Era o escolhido.

Apertou o gatilho.
E tudo ficou escuro.


abraço,
WML
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24/12/2008
Post de Natal

O que escrever em um post de Natal? Afinal, os votos desejando felicidades e alegrias nas festas de fim de ano já se lotam todas as caixas postais de e-mail, com fotos e apresentações de PowerPoint. Quem espera um texto condenando o consumismo do natal, com seus presépios repletos de presentes e uma multidão pessoas se engalfinhando nos shoppings atrás de badulaques em promoção, está enganado. Não vou criticar o consumo (não neste texto) nem aquele calor humano enlatado de vendedor temporário de sapataria.

Gosto, gosto muito disso tudo. Na verdade, gosto do Natal apesar disso tudo. Se for necessário que nos entornemos de bebidas, carnes e frutas nórdicas, que troquemos presentes baratos para podermos ter cinco ou dez minutos de reflexão sobre tudo aquilo que fizemos e pensamos ao longo do ano, que seja assim.

Tudo que nos motiva a fazer reflexões e a questionar-nos e ao mundo é muito bem vindo. Assim, um grande beijo aos milhares de leitores deste blog, que aqui entram para ler, criticar e pensar.

Feliz Natal.

WML


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20/12/2008
O Supermercado
Entre uma direita míope com a crise financeira e uma esquerda completamente esquizofrênica que parece ter encontrado terreno fértil no clima tropical da América Latina, o governo Lula (como tantos outros por aí) vem colhendo mais erros que acertos.

Fico meio macambúzio, sorumbático mesmo ao ouvir todos os discursos vazios. Todos parecem querer vencer pelo discurso, palavras que contradizem seus atos, porém ditas com tamanha desfaçatez, descaramento, com tamanho desprezo à inteligência de quem ouve/lê que chegam a se travestir de verdade. Às vezes me pergunto por que a grande mídia não coloca estes crápulas contra a parede, com perguntas que lhes obrigue a assumir que aquele discurso é uma brincadeira de mal gosto, contudo, nunca consigo uma resposta.

Não tenho nada contra a “economia de mercado”, porém tudo mostra que já deixamos isso para trás e transformamos tudo em contas de quitanda, em uma “economia de supermercado”. Soma-se tudo, grifa-se o resultado e se deu lucro está tudo bem!

É assim que o governo Lula se orgulha de seus superávits primários, do saldo positivo na balança comercial, dos bilhões gastos com bolsa família e outros tanto com ProUni e blá blá blá...

É um contra senso. Na cabeça de algumas lideranças nacionais, se o governo gasta mais com a população de baixa renda significa que se preocupa mais com este problema, independente dos resultados! Completo absurdo! Com o bolsa família o cidadão que estava desempregado que vivia de “bicos”, com seu filho em uma escola com péssima estrutura e professores ruins e faltosos, que morava em uma região sem transporte coletivo e coleta de lixo, se transformou milagrosamente em um cidadão que desempregado que abandonou os “bicos”, com seu filho em uma escola com péssima estrutura e professores ruins e faltosos, e continua morando em uma região sem transporte coletivo e coleta de lixo! O ciclo de pobreza está mantido! Quem não vê isso!? Mas tudo bem, afinal agora ele (este cidadão) tem mais dinheiro e pode comprar um DVD, trocar a geladeira e movimentar o supermercado, deixando todos felizes!

O ProUni colocou milhares de estudantes em escolas superiores, mas coincidência ou não, o mesmo governo acabou com Provão, com o fechamento de instituições de baixo índice de qualidade de ensino, e o supermercado da educação agradeceu. É assim que o ProUni muitas vezes financia um estudante sem base, que estudou em uma escola ruim por toda a vida a entrar em uma outra escola ruim, e pior, pagar por isso com dinheiro público, que financia a incompetência.

Atente aqui que não sou contra nenhum desse “programas”, na verdade até sou e tenho muitas críticas, mas isso não é importante, a grande questão é que tudo é feito de modo vazio, sem atingir o centro das questões, e pior ainda, sem nem mesmo admitir que estes pontos centrais não são atacados. Mais uma vez o discurso tenta transformar a realidade.

Nosso problema não é a falta de dinheiro, não é a falta de recursos, o problema de educação, da saúde, do transporte urbano é a falta de determinação em resolver. Na verdade, é a falta de conveniência de resolver os problemas e não ter mais como iludir com discursos vazios. Afinal, se todos tiverem uma boa educação, tiverem suas necessidades básicas de cidadão satisfeitas, será difícil dizer que o país vai crescer na Porrada! Como diria meu guru Luís Inácio.

Abraço,
WML
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17/12/2008
Vai um jornal de ontem aí?


“É notícia velha!” “Jornal velho!”. Dizem que jornal de ontem não vale nada... pode até ser, mas isso por tempo determinado. Daqui há dez, quinze, trinta anos ele valerá muito mais do que no dia em que foi escrito. Por quê?! Ora, simples, passado certo tempo, o leitor tem a possibilidade de avaliar não só o fato como histórico, mas também como o fato foi noticiado, como pensavam as pessoas sobre o acontecido e como reagiram, nada disso fácil de ser feito no calor dos acontecimentos em tempo real.

Querem um exemplo? A revista Veja desta semana não me interessa em nada, eu a leio semanalmente de modo frugal, enquanto penso em minhas contas da padaria e no ônibus que não chega. A Veja é uma revista rasa, que se atém mais ao que pensa ser certo ou errado (e com o que seus patrocinadores acham certo ou errado) do que aos fatos. Bem, isso é problema dela e de quem nela acredita. Eu a leio para saber o que se passa naquele lado do mundo, o que ela considerou digno de nota, o que omitiu intencionalmente. Em resumo, a leio por ser a Veja, uma revista muito lida e importante formadora de opinião no país (não a minha) – apenas para deixar claro, a Veja não é pior que a Época e Isto É, são todas elas formatadas para leitura dinâmica e descrente. Mas agora imaginem poder ler a Veja de 1968! Ver como foi noticiado o AI5, o novo disco do Roberto, o surgimento do Tape (aquela fitinha que tocava música, lembram?! ela já foi novidade), ver as propagandas, as notas de cultura. Tudo simplesmente fantástico. Permite-nos saber e (re)viver como as pessoas naquele longínquo tempo viveram, pensaram, sentiram. É como se estivéssemos (por um momento) espreitando o passado, com seus detalhes, seu cheiro, seu cotidiano, nos permitindo certo voyeurismo da história sem o pesado tom próprio dos livros de História. É isso que a Veja fez ao disponibilizar todas as suas edições desde 1968 até as atuais (o arquivo só não cobre o número que está nas bancas e a edição anterior, ou seja, tem uma defasagem de 2 números), o que permite que todos possam cedo ou tarde lê-as. Porém, fetiche mesmo são as antigas. Nada paga ver Caetano Veloso falar na edição nº146 de 23 de junho de 1971 que considera Pink Floyd uma banda sem grande importância (talvez tenha sido pelo estranhíssimo Atom Heart Mother lançado no ano anterior). Ou a propaganda de lançamento do Ford Corcel, o carro jovem! Outra pérola é ver a Veja se rasgar de elogios à maturidade musical (?) e poética de Renato Russo em 1986, esse mesmo cantor estaria tempos depois na lista dos desafetos do semanário, acusado de demagogo e infantil.

Tudo muito divertido. Isso ainda é melhor com na Folha de São Paulo. A Folha também disponibiliza todos os exemplares de seu periódico a partir de 1994 e as principais notícias desde a década de 20. É possível ver a primeira reportagem sobre um físico jovem chamado Einsten, ou a notícia de primeira página do manifesto para implementação do voto feminino no Brasil. Com texto e conteúdo infinitamente superior à Veja, a Folha é um prato cheio para quem gosta de notícias velhas! Porém tem o pecado de não disponibilizar a edição com seus anúncios etc., contudo a grafia ainda é a antiga, o que dá certo charme.

É isso aí, em tempo de internet, onde lemos a mesma notícia mil vezes em blogs diferentes que vivem se-copiando-se-a-si-mesmos, ler jornal velho parece ser muito mais instrutivo e divertido!

Abraço,
WML

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13/12/2008
Bento e Capitulina

O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo.
Machado de Assis, Dom Casmurro, 1899


Crítico que é crítico sabe quando baixar as armas e fazer elogios, porém não sem certa timidez, não sem uma certo atabalhoamento. Contudo superemos o constrangimento por uma boa causa: Capitu.

A Globo está sempre na linha de frente no processo de bestialização da mente humana feita através de uma lobotomia televisiva. Se você tem alguma dúvida disso experimente ligar a tv em um dia de domingo, ver a programação por todo o dia com seus programas de auditórios e jogos de futebol e depois escrever um texto simples com sujeito verbo e predicado. Impossível! A intoxicação é contagiosa. Você ficará burro por no mínimo 12 horas. Todavia, justiça seja feita, quando decide fazer algo bom, realmente bom, a Globo é muito competente. Isso mostra que naqueles corredores repletos de estrelinhas de novela e jornalismo fajuto há vida inteligente e muito competente. Basta deixar de se pautar pela opressão do ibope da semana que coisas boas acontecem, como Capitu!

A microssérie de Luiz Fernando Carvalho (o mesmo diretor de “Hoje É Dia de Maria” e “A Pedra do Reino”) merece todos os louros. Fazendo uma releitura estética de Dom Casmurro, Capitu foi feliz ao buscar uma visão surrealista, fugindo do clichê contemporâneo ao mesmo tempo em que não caiu na descrição naturalista de época. Completamente alinhado aos trabalhos anteriores do Projeto Quadrante de Luiz Fernando a série atrela o moderno ao clássico, conservando o texto de Machado na íntegra ao mesmo tempo em que expande, altera e relê a obra através das referências estéticas, trilha sonora, iluminação, cenografia e fotografia.

Ao ver a estréia da série (no YouTube, pois desacostumei da tv!) inicialmente achei que o primeiro acerto de Capitu foi justamente por aquilo que não fez. Não enclausurou os personagens no século XIX e nem prendeu a trama em uma montagem linear e prosaica, como é de costume na transposição da literatura para a tv. Capitu focou o que o texto machadiano tem de melhor: o psicológico das personagens. A descrição dos delírios e observações do Bentinho Casmurro é escura como parece ser no livro, já os sonhos do Bentinho menino são floridos com as flores de Capitu, com as tatuagens floridas de Capitu, com os brinquedos lúdicos, os piques de crianças.

Contudo os acertos não se resumem ao que deixou de fazer. A trilha sonora dá um espetáculo à parte com clássicos do rock como Black Sabbaht no repertório, além de outras belas canções de bandas que eu desconhecia, passando por Janis Joplin e citando Pink Floyd apenas para me seduzir. A cena em que Escobar sapateia ao som de Black Sabbaht nasceu clássica, foi uma genial forma de retratar o choque que o início dessa amizade tem em Bentinho, e retratar a alma do “rapaz esbelto, olhos claros, um pouco fugitivos, como as mãos, como os pés, como a fala, como tudo”.

Outro acerto foi a escolha de atores desconhecidos do grande público (exceção feita a Maria Fernanda Cândido, que interpreta Capitu adulta, e a Eliana Giardini, que vive a mãe de Bentinho). Isso me deixou mais à-vontade para encarar as interpretações de modo mais natural, pensando no texto, sem parecer que estava vendo uma novela das oito. A interpretação pareceu-me mais teatral também, bem como a iluminação e o cenário. O cenário merece elogios à parte, pois seu minimalismo permite que toda atenção se dirija à cena em ação, algo também tipíco do teatro.

Porém nem tudo é acerto. Uma coisa a série não cumprirá. O diretor e a própria assessoria da Globo dizem que um dos objetivos do lançamento da séria é fazer com que a juventude se aproxime da obra de Machado. Ora, a adaptação está (felizmente) demasiadamente cult, surrealista e artística, repleta de referências ao livro, à análise da psique dos personagens, ao estilo do Machado de Assis. Duvido muito que muitas pessoas que não tenham lido o livro, não conheçam a beleza da escrita do Bruxo e que não gostem de teatro e música possam se interessar pela microssérie Capitu. Prova disso: o despencar do ibope na estréia de 23 pontos para algo em torno de 16. A maioria dos telespectadores preferia ver Toma lá, da Cá a uma obra inspirada em Dom Casmurro. Quer saber minha opinião: Problema deles! Eu gostei muito! E aguardo sair em DVD para comprar, mesmo já tendo no computador!

Na verdade eu até gostaria de escrever sobre as razões da falta de interesse dos telespectadores sobre a a série, mas isso realmente deve ser tratado em um eventual post futuro, pois alongaria muito este aqui e a experiência diz que posts muitos longos são como literatura, não dão ibop!

Abraço,
WML

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21/11/2008
Um criminoso chamado Servatis S.A.

Em um ato de irresponsabilidade, má fé e descaso a Servatis S.A. cometeu o maior crime sócio-ambiental da história do rio Paraíba do Sul. O descarregamento de um caminhão tanque no interior da dita empresa foi feito de modo incompetente na madrugada de terça-feira (18/11) e nada valeram as certificações BPL, REBLAS, MAPA, ISO 9001, ISO 14000 que orgulhosamente a Servatis S.A. apresenta em seu site.

Endosulfan é um pesticida BANIDO do mundo civilizado há 50 anos devido a sua alta toxidade, sua bio-acumulação atacando diretamente o sistema neurológico e causar câncer. Pois bem, nada menos do que 1.500 litros deste veneno Endosulfan foram desastrosamente despejados no rio Pirapetinga (afluente do Paraíba do Sul) por incompetência da Servatis S.A.

Não bastasse sua imprudência ou imperícia, a empresa responsável pelo crime simplesmente omitiu, ocultou, escondeu o acidente e silenciosamente colocou em risco a vida e o bem estar de 574.669 (Porto Real, Quatis, Barra Mansa, Barra do Piraí, Volta Redonda, Pinheiral), privando de abastecimento de água diversos municípios e obrigando o racionamento na região metropolitana do Rio de Janeiro, que é abastecido pelo Guandu que por sua vez é alimentado por uma transposição do Paraíba do Sul.

Levianamente, a empresa somente assumiu a autoria do crime após a FEEMA alardear os municípios devido à cena apocalíptica de milhares de peixes mortos na superfície do rio. Após análise detectou a presença do veneno. Somente aí, quando tudo apontava para ela, que a Servatis S.A. notificou o vazamento e informando, porém, que o mesmo era inofensivo! (talvez os peixes tenham morrido de susto, ou de fome! Sei lá!).

Mais adiante aceitou que o produto matava os peixes, porém não humanos!? Como se fossemos nós (humanos) constituídos de material orgânico completamente diferente daquele que forma os peixes, ou capivaras, ou cobras etc. mortos.

Fato verdadeiro, porém, é somente um. Até o presente momento a empresa simplesmente não agiu. Não colaborou nem com informações, nem com atos na contenção da mancha do pesticida tóxico que se desloca lentamente em sentido do oceano. Não divulgou nota à população esclarecendo sua omissão no momento da contaminação, e nem mesmo um pedido de desculpas foi feito.

Espero apenas que as leis ambientais que tanto são clamadas sejam obedecidas. Afinal, qualquer coisa diferente de prisão será a mais clara impunidade. Nenhuma multa milionária é capaz de reconstituir o que a Servatis S.A. destruiu, o rio Paraíba, seu ecosistema e a população das cidades que ele cruza sentirão a cagada feita pela Servatis S.A. nos próximos anos.

Abraço,
WML
Notícia do RJTV em Quarta-feira, 19/11/2008, quando ainda ninguém sania quem era o criminoso.

Declaração de Wagner Victer , presidente da Cedae - Rio
“O grande problema é que a postura da empresa foi irresponsável e criminosa. As pessoas deviam estar presas por crime ambiental porque colocaram em risco a vida de dezenas de milhares de pessoas. Acidentes acontecem, mas, no século 21, é uma vergonha alguém tentar ocultar os problemas.”

Nota da Feema:
A Feema detectou um vazamento de 1.500 litros do pesticida Endosulfan, ocorrido na madrugada desta terça-feira (18/03), no Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, em Resende. O vazamento foi descoberto pela Feema, alertada por uma mortandade de peixes no Rio Pirapetinga que acabou chegando ao Paraíba do Sul. Apurações preliminares feitas pelos técnicos da Feema dão conta de que o vazamento ocorreu por volta das 3 horas proveniente de falha no descarregamento de um dos caminhões da Servatis - indústria de produtos químicos, em Resende - que fazia o transportes do Endosulfan. A indústria foi autuada pela Feema e o valor da multa será definido pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca).
Em decorrência do acidente e como medida preventiva, foi suspensa a captação de água do Paraíba do Sul das cidades a jusante do local do acidente. Barra Mansa, mais próxima da origem do vazamento, suspendeu a captação de água durante a passagem da pluma de contaminação, mas já retomou à normalidade. A Região Metropolitana do Rio de Janeiro não será afetada pelo vazamento, uma vez que a Secretaria estadual do Ambiente solicitou a Agência Nacional de Águas (ANA), a interrupção momentânea do bombeamento da Ligth, em Santa Cecília. Esta estação elevatória é a responsável pela transposição de parte da vazão de água do Paraíba do Sul, para o rio Guandu, que abastece a região. A Feema e a Cedae estão fazendo o monitoramento das águas para análise e acompanhamento da situação.

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05/11/2008
Barack Obama Não!!!!

Agora só se fala nisso: Obama! Obama! Barack Obama!

Eu quero falar “doutra” coisa. Da desilusão no coração de todos nós radicais, antiamericanos, ultra-esquerdistas, neo-nazistas etc. Não era para Obama ganhar! Isso foi uma facada no coração vermelho reaquecido pelo governo imbecilizante de Bush!

Já pensou no perigo que a esquerda no mundo corre? Ora, todo o mundo apoiou Obama, o achava charmoso, inteligente, vanguardista. Era o sonho das esquerdas no mundo, dos artistas, dos poetas, dos modernos, uma espécie de Gabeira, e (como sempre) esperava-se que tudo desse certo e Obama perdesse! Só assim poderíamos dormir tranqüilos, com o ódio docemente cultivado em relação ao “império” americano intacto. Poderíamos acordar amanhã e chamarmos os americanos de caipiras, conservadores, reacionários, fazedores de guerras, idiotas e (o auge) imperialistas!!!

Ahhh... Como era bom odiar o Bush... Um imbecil nato. Dava-nos mil razões para justificar nossos discursos, nossas convicções. Fazia guerras, falava asnices, era insano e desengonçado. Era feio, apoiado por multinacionais. Era o presidente americano perfeito para todos os que não são americanos e querem justificar suas derrotas e incompetências culpando o “grande satã”, o Golias do Ocidente, o Tio Sam que come criancinhas.

Mas não! Uma tragédia aconteceu! Amanhã não haverá culpados para culpar! O carrasco virou príncipe encantado, simpático, elegante, “cool”! Quem poderia ser contra Obama!? Quem poderia chamá-lo de porco chauvinista imperialista!? Quem teria a ousadia de o acusar de ser a imagem do modelo americano hetero-dereitista-branco-capitalista de ser e viver? Agora estamos perdidos! Quem a Veja vai estampar na capa como o líder-branco da tribo capitalista? Quem a Caros Amigos irá pintar como o diabo em forma de presidente? Acho que até Bin Laden ficaria sem jeito de jogar aviões contra a Casa Branca com o Obama lá dentro, lendo poemas para suas filhas. Se Obama andasse nu no sul do Líbano, o Hezbollah não teria coragem de jogar uma pedra na testa negra do presidente-havaiano!

Obama fez o que parecia impossível, o que anos de guerra fria não conseguiram, o que os 700 bilhões de dólares de socorro ao mercado foram incompetentes de comprar, o que todas as guerras nas quais os EUA mergulharam não conseguiram conquistar. Obama, em uma só tacada, de uma só vez, acabou com estigma de racista dos americanos e pôs fim (ou ao menos deixou extremamente letárgico, sem graça e encabulado) ao espírito antiamericano que sempre teve lugar no mundo do século XX , ao ódio que se mostrou nas comemorações tácitas dos que acharam algum prazer no 11 de Setembro e na antipatia que se alastrou devido à guerra contra o terror de Bush!

Obama acabou de empurrar os EUA (e por tabela toda a plebe planetária) para o século XXI. É o fim do esquerdismo burro. É o fim da direita burra. Não há mais espaço para as explicações simples, simplistas, simplórias.

Agora será preciso pensar. E se Obama fizer o que prometeu, recriará a liderança americana no mundo, em uma Era em que para ser contra ou a favor não poderemos apelar para o “império branco belicista”, não poderemos culpar o “sistema”.

Acho bom acharmos outro bode expiatório! Eu sugiro o Irã ou o Zimbábue. São países menores e mais frágeis para brigarmos, pois contra os EUA com Obama, vai ser difícil!


abraço,
WML
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02/11/2008
Acsçssessoria Lingüística - "Deste um mole hem poeta?!"

Ontem eu estava escrevendo...escrevendo e deparei-me com uma dúvida ortográfica e imediatamente lembrei de uma história interessante.

Há várias luas atrás e muitos invernos passados existiu um jovem que aventurava-se pelo mundo das letras. Este jovem não era um virtuose das artes líricas e há que diga que nem mesmo possuía um talento que o tirasse do patamar de medíocre. No entanto era um ótimo exemplo de obstinação e determinação (em outra palavras, era um tremendo cara-de-pau repleto de teimosia.)

O fato é que nosso amigo escrevinhador tanto fez e tanto falou que convenceu alguns amigos a se reunirem e acabou por lançar (pasmem!) um livro. Ao olhar o exemplar, deparei-me com um compêndio de elucubrações poéticas (ou epilépticas...) repleto de elipses mentais e subterfúgios artísticos.

Nosso amigo protótipo de poeta ficou repleto de orgulho e satisfação, ainda mais ao gabar-se de que mesmo sem um patrocínio ele conseguira publicar um livro! Só que depois de transbordar de felicidade ele quase se afogou em sonhos...Lembrou que por esse mesmo motivo estava repleto de dívidas e tinha que pagar as despesas de confecção de sua obra prima, o livro.

Passado o primeiro momento de desespero quando tentou (frustradamente) pedir dinheiro emprestado de seus amigos até mesmo à sua vó insana, ele percebeu que teria que vender tantos livros fosse necessário (digo ao leitor que desejo que ele tenha mais dotes comerciais que poéticos!) e entregou-se obstinadamente a esta tarefa hercúlea!

Oferecia livros a toda e qualquer pessoa que cruzasse seu campo de visão. Obrigou não só seus amigos a comprarem o livro, como também oferecerem às tias, tios, primos ou qualquer outro parente. Chegava até mesmo a apresentar um estilo de vender que competia com os ambulantes nos vagões de trem! Resumindo: Nosso Drummond com raquitismo ficou mais chato que vendedor de rifa de quermesse!!!

É neste ponto que ocorre algo interessante. Movido por este ímpeto mercantil o jovem escrevinhador seguia “atirando para todos os lados”, até que “tomou um tiro no pé!”

Em um de seus espasmos de inspiração, nosso amigo agressor da língua camoniana teve a brilhante idéia de enviar sua obra patética (ops! desculpe) poética para algum representante da mídia, pois lembrou-se da brilhante frase que ouvira “A vida não imita a arte mas sim a programas ruins de televisão.” Então ele imediatamente pensou enviar o livro em um pacote escrito “P/ Imprensa”, no entanto outra brilhante idéia lhe veio à cabeça e sendo mais político e educado ele não perdeu tempo e sem pestanejar fez uma linda dedicatória e colocou em um envelope com letras garrafais “Aos amigos da ACESSORIA DE IMPRENSA” (O leitor atento percebe que foi aí que nosso amigo escrevinhador se complicou!)

Semanas depois o jovem, empolgado e endividado amigo de carreira literária poente recebeu o convite para comparecer a uma reunião com os amigos da imprensa (dizem as más bocas que o motivo deste convite foi puro sadismo por parte destes últimos). No dia e hora marcados nosso Autista, digo, Artista encontra-se com seus anfitriões. Manteve-se confiante até o momento em que uma bela moça saca o envelope que ele enviara, joga na mesa e fala: “Meu amigo, a melhor parte de seu trabalho, onde você demonstrou com maior fluência sua capacidade lírica foi sem sombra de dúvida o texto do envelope, entretanto sou obrigada a fazer-lhe uma observação, ‘assessoria’ escreve-se com SS e não com C.”

Caros leitores, assumo que não sei como explicar o que sentira nosso (apartir desse momento) ex-aspirante a poeta, a angústia que lhe subira à garganta, o ódio por não ter escrito naquele maldito envelope somente “P/ Imprensa”. Sua mente girava...girava, assim como seus olhos não podiam encarar os rostos dos que estavam a sua volta rindo. A vista escureceu, os ouvidos não ouviam nada, o suor corria por seu rosto. Tudo o que ele sabia era que precisava imediatamente de uma boa explicação. Várias idéias vieram à tona:

1) A mais óbvia de todas era dizer que aquilo fora somente um lapso momentâneo e que era óbvio que ele sabia como se escrevia “assessoria”. Mas esta idéia era batida e desmentia-se quando se notava que na dedicatória do livro também havia cometido o mesmo erro.
2) Outro impulso foi sacar daquelas justificativas intelectualóides e falar que “acessoria” seria uma forma de indicar uma fusão entre “Assessoria” e “cultura” o C seria de Cultura. Mas achou esta idéia muito cretina.
3) Em seguida pensou em algo socio-politico-filosofico-literário, podia alegar que ele era defensor da simplificação e padronização ortográfica da língua portuguesa, e que a promiscuidade de S, SS, C, Ç e Z é um absurdo. Mas logo viu que esta era abusar da inteligência alheia.
4) Podia também apelar para seu raciocínio lógico, dizer que a palavra “assessoria” possuía o mesmo radical da palavra acessius de origem grega, este verbete originaria “acessoria” vinda de “acesso”, ou seja, “acessoria” significaria “dar acesso, facilitar acesso” esta palavra sofreria sucessivas alterações históricas até chegar à “assessoria” com o sentido que possui hoje. (Eca! Esta é a pior de todas!!)

Tudo isso passava por sua mente à velocidade espantosa quando ele foi trazido do transe.

Olhou em volta de si e decidiu usar outra estratégia, a mais óbvia de todas e a mais eficiente, disse que iria ao banheiro e já voltaria.

Assim que saiu da vista de seus interlocutores nosso amigo desapareceu da face da Terra, sumiu, entrou em colapso. Ninguém nunca mais ouviu falar dele nem o viu. Várias teorias sobre seu paradeiro já circularam, uns dizem que ele deve estar escondido até hoje sob a cama, outros que foi para o Tibete e nunca mais ousou escrever nem mesmo seu nome, a quem diga que ele trocou de nome, chama-se hoje Paulo Coelho, e entrou para a Academia Brasileira de Letras, fala-se também que tenha arrumado um blog e vez ou outra escreve umas bobagens nele.

Abraço,
WML
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21/10/2008
Frejat (para quebrar a sequência de post sobe política)


No último fim-de-semana, Frejat lançou “Intimidade entre Estranhos”, seu novo (e terceiro) trabalho longe do Barão.

Bem... o disco não me inspirou muito, não deu bons ou maus motivos para escrever. Um disco mediano, onde a meu ver o que mais chama atenção é a ausência (quase total, pois só aparece na canção "o céu não acaba") das guitarras. Ao abrir mão da pegada rock Frejat abre mão daquilo que faz melhor.

Em resumo, um disco morno, repleto de baladas e letras sem genialidade. Para não ser injusto, a faixa título trata do tema central do disco com maestria e salva os ouvidos em busca de novidade (vale atentar que o Frejat não costuma atuar muito nas letras, sua maior participação é nas músicas e na melodia), mas isso não salva o gRande Frejat, pois musicalmente, não há nada de novo.

Se quiser, ouça AQUI e tire suas próprias conclusões...

abraço,
WML


Para dar voz a outras vozes, segue o próprio Frejat falando do disco (ele gostou).

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19/10/2008
Gabeiramania - é o que desejo para Resende

A presença de Gabeira no segundo turno das eleições do Rio, e com chances reais de vitória, torna o pleito carioca algo muito maior que “uma disputa para a capital de um Estado Brasileiro”.

Em 11/08, com um mês de campanha, o Datafolha indicava Gabeira com 7% das intenções contra 16% de Paes, 16% de Jandira e 20% de Crivella. Isso assustou o carioca razoavelmente politizado. Mas desta vez este carioca reagiu. Primeiro com um movimento anti-Crivella, em seguida, lentamente este movimento anti-Crivella tornou-se pró-Gabeira, vendo neste último um perfeito antagonista àquele Senador.

Beneficiado, Gabeira ganhou força, e na última semana de campanha do primeiro turno, despontou como possibilidade real para seguir no Segundo Turno. Isso redesenhou a cabeça do eleitor. Conquistando os adeptos dos votos-válidos (aqueles eleitores que não votem em quem sabem que vai perder), Gabeira superou a figura do anti-Crivella e assumiu a postura do anti-político, contra a forma convencional de se ludibriar o eleitor. Evitou promessas espetaculares. Não contaminou a cidade com placas e panfletos. Optou pelo discurso argumentativo em detrimento ao tradicional discurso inflamado gritado de palanques. Negou lotear as secretarias e atacar adversários. Listou detalhadamente os doadores de sua campanha, com nome e valores. Em suma: negou-se a fazer o jogo sujo até então presente em todas as eleições.

Resultado: Gabeira foi para o segundo turno (e virou movimento social).

Gabeira sempre seguiu um caminho alternativo, porém a configuração eleitoral do pleito de 2008 permitiu que este caminho alternativo se mostrasse viável. O “sonho” de ter uma opção ao político tradicional, ao populismo de Lula, de Garotinho e de Brizola inflou Gabeira, e também as esperanças cariocas.

Deste ponto de vista, a candidatura de Gabeira não se trata de uma campanha de um grupo político partidário do PV-PSDB etc. Não é pequena, não é mesquinha, não é partidária. É muito maior, mais importante. É uma bandeira de um movimento, é o cidadão em busca de pessoas que o represente, que defendam interesses comuns a todos. Os adeptos deste movimento, da Gabeiramania, não desejam o político-pai, que “ajuda”, que “faz favores”, que sorri para as câmeras de quatro em quatro anos. Esses cidadãos têm uma preocupação local, cotidiana, querem representantes que melhorem sua cidade, se preocupem com a qualidade de vida de quem ali reside, mora e vive.

A Gabeiramania redesenha a figura do prefeito, não se interessa, nesse momento, por Lula, nem pelas rusgas entre DEM e PT. Não quer saber, ou está cansado, dos debates infecundos nas plenárias federais. Deseja antes de tudo que as escolas de seus filhos sejam estruturadas, que os professores não faltem, que suas ruas sejam calçadas e que o transporte urbano funcione. Que o ar não seja infestado de poluição e a cidade seja limpa. Que os médicos atendam com cordialidade e competência, com letra legível e no horário marcado. Um bom prefeito não precisa ficar a fazer obras faraônicas a esmo, viadutos e pontes, estradas e obeliscos. Tudo isso é “meio” e não “fim”, só deve ser feito se vier para aumentar a qualidade de vida, para beneficiar diretamente o cidadão, o morador da cidade, seu dia-a-dia.

Ninguém quer morar em uma metrópole, ou ao menos, não em uma metrópole com cara metropolitana. Com chaminés, centenas de viadutos cruzando sobre suas cabeças e carros enfileirados querendo atenção do pedestre pelo barulho ou fumaça. Deseja-se que as cidades sejam antes de tudo locais habitáveis, suscetíveis à vida, e mais ainda, ao desenvolvimento da vida inteligente, incólume, preservado e moderno. Buscando soluções práticas, baratas e simples – desde que eficientes. Buscando sempre soluções! Não votos. Não propaganda eleitoreira.

Nessa visão, deseja-se que o prefeito possua relações republicanas, federativas com seus aliados e adversários políticos (não amizades, parentescos ou rivalidades), pois nada deve interferir no cotidiano da cidade, nem pedidos de amigos, nem disputas com oponentes. A cidade é muito mais importante que os interesses privados de partidos, candidatos e afins, é mais importante que a carreira política de alguém.

Por tudo isso, caso Gabeira vença e, contudo, sua gestão não corresponda a tudo isso, ainda assim teremos muito a ganhar. A Gabeiramania é maior que Gabeira, é a condensação de uma nova forma de ver a figura do prefeito, de se encarar a política.

Por isso votaria em Gabeira. É isso que se espera do Rio. É isso que desejo para Resende.

abraço,
WML
Mas se for para inflamar discurso, Gabeira também sabe...

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13/10/2008
Ar condicionados para a solução da educação

Ontem, durante o embate com Gabeira na tv Bandeirantes, Eduardo Paes listou suas propostas para a educação. Pelo visto este ilustre candidato acredita que a escola é como uma fábrica da Era Industrial, basta perfilar recursos produtivos como máquinas e equipamentos e a produção será maior.

Bem, depois de encher as escolas de computadores e tvs, Paes falou que pretende colocar aparelhos condicionadores de ar em todas as salas de aula. Achei a idéia desconexa, porém quando fiz as contas tive certeza da imbecilidade.

Considerando que a rede municipal de ensino do Rio de Janeiro possui 1054 unidades, estimei uma quantidade mínima de 10 salas de aula por unidade (o que é uma estimativa conservadora), em seguida pesquisei o valor do aparelho mais barato (R$ 549,00), considerando que é necessário o uso de 2 equipamentos por ambiente isso resultaria em uma valor total de R$ 11.572.920,00

Nem é tão caro assim, mas estranho mesmo vai ser ver alunos que não recebem uniformes convenientes estudando em salas de aula com cadeiras quebradas e ar condicionado a todo vapor.

abraço,
WML

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12/10/2008
Lula e o Atlântico

Desde o início da Crise Financeira, por duas vezes Lula manifestou uma concepção geográfica no mínimo heterodoxa. Em seus discursos ele insiste: "até agora, graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico".

Se bem entendendo, para chegar ao Brasil, a Crise não precisa nem colocar seus pés no frio Oceano Atlântico, a bem da verdade não precisaria nem de avião. Poderia vir caminhando tranquilamente ao longo do continente, pois estamos do mesmo lado do Atlântico que os EUA. Quero ver quem ele vai culpar quando descobrir isso, se FHC ou o elitismo da mídia!

abraço,
WML

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06/10/2008
Pisaram no formigueiro ou O dia em que Resende parou

Resende acordou hoje de ressaca. É como se um furacão tivesse varrido a cidade na noite de ontem. As ruas vazias, poucos grupos comentando os fatos cochichadamente nas esquinas, sem alarde, atordoados.

Até agora o Sr. Sílvio de Carvalho (virtual futuro ex-prefeito) não entendeu o que aconteceu. Ontem ele acordou liderança política da cidade e foi dormir como o maior derrotado do pleito.

Muitas páginas hão de ser escritas para tentar explicar os motivos dos acontecimentos, as razões do inusitado. Eu mesmo já tenho um milhão de teorias, porém o primeiro fato é consenso: Se há um mérito na vitória de Rechuan, este mérito é de Sílvio de Carvalho. Não foi Rechuan quem ganhou as eleições, foi Silvinho quem a perdeu.

Incapaz de mobilizar a população, de empolgar o eleitor e de convencer de que seu segundo governo poderia ser bem melhor que o primeiro (que - justiça seja feita - foi medíocre, porém muito superior ao anterior de Meohas – que Deus o tenha e não o devolva), Silvinho foi arrogante... ou inexperiente. Considerou-se vitorioso desde o primeiro dia das eleições, fez coalizões com todos os membros que despontavam no cenário político resendense... e os levou para o buraco.

1.046 cidadãos decidiram quem sairia vitorioso, ou seja, 1.68% dos eleitores que compareceram e optaram por escolher algum candidato foram fundamentais para o resultado final. Se tivesse sido capaz de captar os votos brancos (cerca de 1.400) Silvinho poderia ter tido um final mais feliz, mas não foi.

Bem... fato é que quem esperava a vitória não pôde fazer a festa que havia preparado e quem venceu não contava com isso e, no final, as comemorações foram tímidas e o after day pegou todo mundo assustado (ou por ter ganhado ou por ter perdido).

Imagino como deva estar a cabeça do atual prefeito - Sílvio de Carvalho. Viu todo seu trabalho político ser zerado, ou quase isso. Segundo minhas especulações, Sílvio só tem uma chance de ser salvo: Se o governo de Rechuan for tão ruim quanto o de Meohas. Caso isso não aconteça, se Rechaun fizer um governo no mínimo ruim (pois o de Meohas foi indescritível) ele já se iguala a Silvinho. Aí a coisa complica e Silvinho vai precisar encarar as eleições para deputado estadual de 2010, ser bem votado, convencer seu partido de que ainda tem potencial político, rezar para não parecer ninguém novo na política de Resende e apelar para quem ele levou para o buraco nesta eleição entrar novamente em seu barco em 2012 para só então enfrentar Rechuan que sabidamente será candidato à reeleição. Parece longe, mas é muito trabalho. E tudo incerto. Caso não se saia bem nessa missão, Sílvio de Carvalho arrisca todo o patrimônio político do Clã Carvalho e pode ter sido o último da estirpe a sentar na cadeira de prefeito de Resende.

Quanto a Rechuan, bem... ele não tinha nada a perder, entrou para incomodar e pensando no futuro, todavia acabou caindo em seu colo o título de Prefeito de Resende, agora precisará se virar com este mico. Vai ter que tirar uma secretara da cartola, pois obviamente não tinha nem cogitado a hipótese de vencer. Além disso terá que encontrar um meio de se livrar das crias dos Meohas que o rodeiam. Que Oxalá o abençoe e nos dê paciência!

...Essa ninguém esperava... Nem o mais pessimista dos Carvalhistas, nem os sonhos mais delirosos de Rechuan...

Abraço,
WML

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05/10/2008
Um imbecil chamado Lula
Defendo ardorosamente os valores republicanos e mais ainda suas instituições democráticas. Por isso tenho profundo respeito à figura do executivo exercida em nosso presidencialismo pelo Sr. Luís Inácio. Contudo ele está cada vez mais abusando de meu decoro e chego ao momento em que sou obrigado a dizer: Lula é um imbecil.

A sordidez de suas palavras, a torpeza das declarações públicas, a mesquinhez do discurso populista impedem toda e qualquer forma de respeito ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República.

Assim que a Sadia anunciou suas perdas devido ao aumento inesperado da cotação do dólar, Ele falou:

"É importante lembrar que essas empresas, no fundo no fundo, estavam especulando contra a moeda brasileira. Portanto, elas praticaram por conta própria, por ganância, esse prejuízo. É um problema delas, porque especularam de forma pouco recomendável"


Ora, a empresa fez aplicações no mercado futuro projetando (ou especulando sim!) contra o dólar, ou seja, crendo na valorização do Real frente ao Dólar. O que não aconteceu devido à crise. Não entendi onde Lula viu especulação contra o Real!!!

E seguindo sua linha de raciocínio, Lula disse:

"Ela [crise] é lá [EUA] um tsunami, e aqui vai chegar uma marolinha, que não vai dar nem para esquiar. Os Estados Unidos deram um rumo ao sistema financeiro, na agiotagem e no cassino que foi feito"

Ou seja, não temos porque nos preocuparmos, as perdas de R$ 760Milhões da Sadia não foram nada relacionadas à crise e nem as férias coletivas que a GM anunciou> Sobre isso Lula foi ainda mais sensato, dizendo que a GM estaria dando férias coletivas para trabalhar a todo vapor no ano de 2009! Que gênio – em suas palavras: "Talvez faça parte de uma estratégia, para no ano que vem trabalhar a todo o vapor."

E seguiu: "O povo pode ficar tranqüilo que não vai ter pacote" porém o governo anunciou bilhões para crédito agrícola e reduziu o depósito compulsório dos bancos por 2 vezes na última semana. Se isso não é pacote eu não sei o que seria.

E para terminar Lula diz que irá telefonar para o companheiro Bush para lhe dar os parabéns pela aprovação do pacote americano. Eu nem sabia que Lula era assim tão íntimo de Bush, mas tem sentido, afinal, em escala de imbecilidade ambos empatam com a nota máxima, acho até mesmo que deveria ser criado o índice Lula-Bush de estupidez, variando de zero a 1, onde 1 é o nível máximo teórico teria sido atingido somente por Lula e seu amigo Republicano.

Obs.: Eleitores como eu que votaram no Lula devem ter um grau 0,8 no imbecilômetro Lula-Bush.


Abraço,
WML

Faça-me de burro que eu gosto:


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28/09/2008
O dia em que o trema tremeu - e caiu.

O que será da palavra “trema” sem o trema? Será um vocábulo grafado no papel, um fóssil lingüístico no dicionário! Vocábulo condenado à extinção, sem razão de ser, visto que o objeto que nomeia não mais existirá, um substantivo comum concreto sem nada de concreto a ele relacionado. Permanecerá séculos inerte no consciente de velhos livros, pairando assombrosamente sobre Us, ovnis sem explicação. E um dia, milênios adiante, algum arqueólogo das línguas o confundirá com manchas no papel, resquícios de buracos de traças sincronizadas e somente depois de muito estudo anunciará que linguista já fora lingüista.

Contextualizando...
Amanhã (29/09/08) o Brasil assina o decreto que liquida oficialmente o uso do trema, entre outras alterações do acordo ortográfico entre os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe. A nova forma de redigir entra em vigência no primeiro dia de 2009 e até 31 de dezembro 2012 você poderá optar por grafar do modo clássico ou conforme a nova norma, porém a partir de 2013 (coloque na agenda do outlook) estará terminantemente proibida a grafia atual. Vai se acostumando então com “ideia” de escrever “linguiça” e “aguentar” esta entre outras “feiuras”. Tudo em nome da unificação lingüística (deixe-me utilizar o trema enquanto ainda há tempo!).

Abraço,
WML


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27/09/2008
Teodora

Entrou chamando-se Yasmin. 25 anos. Artificialmente ruiva. Um rosto tatuado nos braços e uma flor nas costas.

Um corpo frio, amarfanhado. Deitou-se sobre mim com atos diretos, certeiros... impessoais. Beijou-me a boca. Tateou meus lábios com a língua. Depois, beijou-me ventre abaixo. Parou. Procurou preservativos e sorriu – fez comentários fortuitos.

Tornou-se garota de programa após o nascimento da filha. Precisava de dinheiro e o marido sumira. Um dia ele saiu para mais uma noite com os amigos e não voltou. O aluguel vencia mês após mês. Certa noite conheceu um cara em uma festa, não trocaram mais que duas palavras, saíram, foram direto ao motel. No quarto, ele perguntou quanto era programa, ela respondeu instintivamente e pronto – R$250 para dividir entre aluguel e cigarros. Na noite seguinte o celular tocou – era um amigo do “cliente” da noite anterior que a tinha indicado para um programa. Topou e a partir dali não ficou uma só noite sem que lhe ligassem. Dependendo do clima e das festas, ao final do mês poderia ganhava uns R$4.ooo ou R$5.ooo. Metade de tudo ia para pagar roupas, pó e os inseparáveis cigarros, o restante destinava às contas de casa e despesa das filhas, que agora já somavam duas.

A história de segunda filha é a mesma de sempre. Ela me contou enquanto se secava em minha toalha – havia pedido para tomar um banho e não pude negar. Em uns dos fins de noite ela saia de um programa hard, cansada, caminhando sorrateiramente sob as luzes dos postes. Um rapaz a seguiu, pediu o telefone, foi educado, amável e ela acabou conversando. Semanas depois estava namorando, meses, noiva e com um pouco mais de um ano ele descobriu que sua querida noiva fazia programas. Não aceitou. Terminou, mas não sem antes brigar, bater, xingar. Foi embora, mas não sem depois voltar para noites gratuitas, lembranças de quando a amava. Em uma destas ocasiões ela engravidou e o rapaz nunca mais voltou.

Colocou a roupa malabaristicamente. A coxa se comprimia flacidamente para assumir a forma rígida e torneada que me iludiu instantes antes na internet. O sutiã vermelho fazia coro com a cor dos cabelos e dos lábios e unhas. Sorriu cansadamente, quase por desabafo, e perguntou se podia ir embora ou se eu ainda queria alguma coisa – eu tinha quinze minutos, ela me disse. Falei que não. Ela me deu um tchauzinho, disse que eu era um gato muito fofo, que adorou a conversa e o programa, pegou o envelope com o pagamento e ficou à porta esperando que eu abrisse – gesto de quem já foi dama. Atendi sua vaidade – abri a porta dei-lhe um beijo na testa.

Foi embora se chamando Teodora, com seus, tácitos, quase 30 anos.

Abraço,
WML

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24/08/2008
Crônica de uma morte anunciada

... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...
Navio Negreiro, 1868, Castro Alves


Se leres esta carta é porque fui eficaz em minha empreitada. Possivelmente estarei ali, deitado com o neurocrâneo perfurado pelo projétil cuspido da pistola. Procurei redigi-la com o maior esmero possível e nos limites de minha capacidade literária... podem algumas informações estarem imprecisas porém nunca incorretas.

Deixo a vida como quem deixa o tédio... pois os problemas se tornaram maiores do que eu.

Não sei quando tudo começou. As pessoas se sucederam em minha vida, uma tragédia após outra. Emprego perdido. Amigos que traí. Amigos que me traíram. Mas afinal, somente é traído quem exige fidelidade. Posso ser completamente infiel, ou fiel e incompleto. Dilemas morais, poemas imorais. Bebidas – cigarros - poesia, nada mais depressivo. Complexidade aterradora para quem busca somente uma ignorância confortante.

Vi minhas economias serem devoradas ano após ano por políticas econômicas pouco ortodoxas, a cada choque de gestão, paulatinamente por dragões inflacionários ou magras recessões. Os ministros se sucediam na TV, e caiam um após outro simultaneamente à divulgação de desempenho econômico do país... Complexidade aterradora para quem busca somente uma ignorância confortante.

O mercado de problemas fartos abre viabilidade sócio-política para salvadores da pátria. E com devoção e idiossincraticamente canalizei minhas frustrações para questões ideo-filosóficas reducionistas, simplificadoras e maniqueístas. O bem e o mal. Mas tendo a esquerda se tornado direita, a direita se refugia na esquerda e o absurdo se torna banal. Uma vez opressor, o ex-oprimido revida com fúria ainda maior as chibatadas que levara. Complexidade aterradora para quem busca somente uma ignorância confortante.

Dar cabo à vida. Solução hipotética e sedutora. Reducionista e rápida. Irrevogável. Porém...

Porém sempre há quem lhe forneça uma fuga... em todas as esquinas revezam-se igrejas e traficantes... os primeiros lhe concedem a Graça após pagamento, os segundos, lhe dão de graça aquilo pelo qual logo exigirão pagamento. Bem medido, bem pesado... Complexidade aterradora para quem busca somente uma ignorância confortante.

Sempre podemos pensar que, intrinsecamente, não existe problema algum. Apenas um emaranhado psicológico que lhe confunde o bom senso e transforma adversidade solúvel em café amargo. O mundo é pequeno e tudo não passa de nada, com 6 bilhões de partículas orgânicas conscientes de sua existência que se amontoam desordenadamente sobre a superfície seca dos continentes ilhados pelo oceano... Complexidade aterradora para quem busca somente uma ignorância confortante.

Nos 15.000.000.000 de anos desde uma última grande explosão incidental, o cosmos devora coisa alguma, a transformando em matéria escura de universo frio e vazio, contudo povoado de mais galáxias do que gente. Perdida entre 1 trilhão de galáxias, uma, confina em sua periferia (no braço de Órion) uma estrela de quinta grandeza. Essa estrelinha fria e pequenina se diverte com planetas gigantescos ao seu redor e, insignificantemente entre eles, fica um planetinha imperceptível do ponto de vista de qualquer outra estrela, o quase asteróide Terra... nada além de partícula de estrela... nada além de nada se comparado ao sol, que nada é na Via-Láctea que por sua vez é absolutamente insignificante no universo. Complexidade aterradora para quem busca somente uma ignorância confortante.

Assim... antes movido pelas dimensões infinitas de meus problemas, agora impelido pela finitude inifinita de minha existência, mantenho a determinação de dar cabo à minha vida.

Abraço,
WML
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17/08/2008
Nudez

You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me.
And if the cloud bursts, thunder in your ear
You shout and no one seems to hear
And if the band you're in
starts playing different tunes
I'll see you on the dark side of the moon.

Brain Damage, 1973, Pink FLoyd (Roger Waters)

Talvez tenha sido o estranho aperto no peito, uma súbita angústia noturna... ou talvez tenha sido apenas efeito do vinho barato, mas o fato era que rolava na cama sem conseguir dormir. A insônia a dominara naquela noite.

Olhou o relógio: 3h15. Decidiu não mais ficar deitada. Levantou-se lentamente para não incomodar o corpo exausto estirado ao seu lado e caminhou silenciosamente até a porta que dava para a varanda.

Ao abrir-la pôde sentir imediatamente a brisa gelada, trazendo o aroma do mar, envolver seu corpo... tocar sua nudez encoberta somente pelo fino lençol e pela escuridão. Era uma daquelas noites outonais, quando o calor do verão já se dá por vencido frente às monções gélidas do inverno. A noite estava fria e lá no alto brilhava uma lua cheia... inchada, que de tão clara e iluminada chegava a ser indiscreta, perseguindo e revelando tudo aquilo que tentava se esconder na escuridão das penumbras, criando um cenário perfeito para sonhos, medos e divagações.

Por alguns instantes ela ficou a observar a noite sem pensar em nada, esvaziando a mente... procurando sua alma perdia em algum lugar dentro de si, entre seus amores a aflições.

De súbito deu-se conta de estar seminua na varanda do apartamento e que podia estar sendo observada por algum outro vizinho também insone naquela noite. Olhou desconfiadamente para as sacadas ao redor, tentou ver além da escuridão algum brilho suspeito, mas nada encontrou. Então ela pensou em que mal haveria em alguém vê-la nua, afinal ela era igual a qualquer outra mulher de qualquer lugar do mundo. Na verdade, achava-se até mesmo um pouco mais atraente que a maioria das mulheres. Não que seu corpo fosse perfeito, mas possuía contornos singulares e expressões raras. Seu sorriso era espontâneo e seus gestos pareciam coreografias de balet. Não sabia por que deveria ter vergonha daquilo que era, e daquilo que todos sabiam que era. ¿Quem inventara aquele pudor que não lhe permitia nem mesmo ficar na intimidade consigo mesma? Então, em um impulso, ameaçou retirar o fino véu que cobria sua nudez e mostrar-se por completa naquela noite, no entanto o frio da madrugada lhe convenceu do contrário e ela encolheu-se sob o lençol.

Ali, observando o Nada noturno, o eterno acontecer de coisa nenhuma, ela percebia a vida escondida pelos cantos da casa. Os ruídos da madeira nos móveis... os estalos do assoalho...

Olhou para o corpo estirado em sua cama e ficou a contemplá-lo... suas curvas e saliências... a perfeição das formas...a textura de cada músculo. Pensou em tocá-lo vagarosamente, alisar-lhe os cabelos longos, sentir o sabor da pele, o calor de seus lábios. Ameaçou acordar aquele corpo com carícias e beijos, mas se conteve e o deixou hibernar  não queria tirá-lo daquela soturna paz.

Havia ali alguém que a amava e estava sempre a disposição para lhe atender as vaidades e ser amado. Não se conheciam muito, é verdade, nem há muito tempo  tinham até mesmos suas desavenças pessoais  mas se amavam... até quando não importa! Não acreditava nas velhas definições tiradas dos empoeirados romances de cavalaria a respeito do amor eterno e irrestrito. Não queria para si o teatro de seus pais, o falso moralismo de seus avôs, nem as tolas ingenuidades de suas avós... Queria o amor óbvio, claro e simples. O amor carne e o amor alma. Não precisava ser eterno e nem de flores, frases feitas retiradas de folhetins ou cenas de propagandas de cartão de crédito. Bastava ser saboroso, ainda que um dia trouxesse dor.

Observou o vento perturbando as árvores, a luz da lua entre as folhagens, o som das ondas e o silêncio ruidoso dos grilos e corujas. Sentiu vagarosamente a paz invadir-lhe a alma... o coração... o corpo. Havia se esquecido de qual fora a última vez em que sentira tão forte aquela sensação, aquela presença divina. Começou a perceber que havia mais de Deus ali do que em suas tímidas e decoradas orações noturnas aprendidas aos Domingos no medíocre cristianismo burguês da Santa Madre Igreja Católica.

Ela sentia o bem estar emergir da escuridão, da luz fria e calma da lua e das estrelas. Com todos estes pensamentos na cabeça, fixou uma estrela quase apagada nos confins do espaço, respirou fundo e voltou para o interior do quarto.

Olhou o relógio: 3h20

Ainda insone e agora sem nenhuma esperança de recuperar o sono, ela seguiu até o aparelho de som e ligou-o. As notas de Carmina Burana ecoaram no quarto. O som tímido não chegava a alcançar as residências vizinhas, mas era alto o suficiente para despertar o corpo amado de seu descanso onírico.

Vendo-o ainda na fronteira entre o sonho e a realidade, ela começou a fazer-lhe carícias na testa, rosto e braços, até acordá-lo por completo.

Ainda que se sentisse muito bem acompanhada sozinha, ela queria uma companhia táctil para aquele fim de madrugada. Queria poder abraçar um corpo quente, sentir o calor esquentar-lhe a alma e os desejos. Queria tocar e ser tocada.

Abraço,
WML

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09/08/2008
As portas da percepção

Riders on the storm.
Into this house were born,
Into this world were thrown,
Like a dog without a bone,
An actor out on loan.
Riders on the storm.

Riders on the storm, 1971, Jim Morrison




Chovia... o mundo se desfazia sobre o trânsito nervoso, impaciente e impiedosamente estático. Os carros enfileiravam-se por quilômetros. Cada um reagia ao seu estilo. Uns esbravejavam contra as motos que levavam os retrovisores como souvenir. Outros se faziam de pacientes e tentavam conversar, com o parceiro ao lado, consigo mesmo ou com o Frank Sinatra do rádio.

Eu permanecia ali. Contando lanternas vermelhas na avenida. Mil quatrocentos e noventa e dois, e três, e... passou uma dona com um guarda-chuva do tamanho de minha fúria e me fez perder a referência de minha aritmética, até onde contara.

Desisti, larguei o carro. Abandonei. Fui tomado por um surto anarquista e decidi deixar o carro onde estava para acabar de foder com o trânsito. Amanhã daria um jeito: o pegaria sei lá onde, pagaria uma multa e pronto. Se desse sorte e contando com a ajuda da preguiça da polícia e da incompetência dos ladrões (ou vice-versa) encontraria amanhã meu carro no mesmo lugar, intocável.

Saí do carro. Ameacei correr da chuva – inútil. Todo molhado me conformei, um terno a mais outro a menos, tanto faz. Fui caminhando as duas quadras até em casa. Foram quinze minutos desviando de bueiros entupidos, marquises desabando, lixo navegando rua abaixo e ratos aprendendo a nadar. Porém muito menos tempo do que as duas horas que já havia descartado lutando contra a inércia urbana.

O porteiro não abriu para mim. Eu ali parado em frente ao prédio e uma voz no interfone dizia: Por favor, o que o senhor deseja? Só então percebi que ele não me reconhecia. E com razão, pois nunca nos três anos em que morava ali eu havia entrado a pé em casa. Sempre de carro. Para meu porteiro eu possivelmente era um ser desprovido de pernas ou algo do gênero. Eu disse que era morador do 407. Ele então percebeu e correu para abrir o portão eletrônico e me recebeu repleto de desculpas que não cheguei a ouvir, nem respondi. Entrei no elevador e respirei.

Pés molhados no carpete. Em outros tempos certamente temeria pela represália, e senti uma leve tristeza e saudade. Ela me mataria se me visse ali minando uma poça no meio da sala. Porém, ela não existia mais. Nada além de uma lembrança que era consumida lentamente pela minha mente cancerosa.

Despi-me das roupas molhadas e fiquei perambulando nu pela sala, perdido, sem saber o que fazer. Quando me vi tinha redescoberto o último cigarro que havia escondido na gaveta de meias. Era para um momento de crise, mas as crises pelas quais passei recentemente eram tão críticas que não me permitiram lembrar daquele pequeno refúgio express. Porém agora eu o encontrei intuitivamente entre os dedos e não resisti. Acendi, puxei e senti a fumaça invadir os pulmões, a cabeça dar uma girada. Nova tragada e pronto, comecei a ficar tranqüilo.

Não faço apologia a nada. Não sou a favor de liberação nem panfleto por mais liberdade individual. Apenas gosto muito dassa sensação tão boa e tão esquecida. Há muito tempo tudo tinha perdido o sentido, ou assumido um sentido tão incompreensível, que não me permitia aquele prazer.

Nu, cheguei até a sacada. Senti uma brisa. Voltei para dentro. Sentei no sofá e fiquei, fiquei até o momento em que o cigarro acabou e lembrei que não tinha mais. Era o fim dos únicos dez minutos de paz que tive nos últimos meses.

Precisava encontrar uma fonte naquele início de noite chuvosa. Talvez aquele promotor que morava do 608 tivesse algum sobrando. Nós conversamos uma vez no elevador e percebi que ele não era nada careta.

Interfonei e consegui. Felizmente ele disse que estava com a família toda reunida e que não poderia me acompanhar na conversa, mas que eu poderia subir para pegar os cigarros.

Tive mais meia hora de paz. E só.

Abraço,
WML


*Belíssima e poética capa feita por Storm Thorgerson para o álbum Bury the Hatchet (1999) da banda The Cranberries. Lembrando, esse é mesmo cara que fez a clássica capa para Dark Side of the Moon (1973), do Pink Floyd, além de Animals (1977),Delicate Sound of Thunder (1988), The Division Bell (1994), entre outros...
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03/08/2008
Sobre os outros e sobre mim

E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
Metal conta as nuvens, 1991, Renato Russo.



Observava os carros que cirandavam o drive-thru naquela manhã, desviando da horda de crianças que pulavam e rodopiavam nos mm do McDonald´s. As crianças ficavam ali mais por diversão do que por fome. Não há muito que fazer em uma cidade cinza e abandonada como aquela.

Observava mas não via nem crianças nem carros, cismava sobre si, sobre o ser, sobre nada. Entregue aos caprichos daquele transe mental, deixava-se à deriva, tendo como leme as lembranças dos últimos acontecimentos.

O peito inerte, os olhos, as mãos, o odor de almíscar, velas a se devorarem e aquele maldito crucifixo a lhe olhar a alma. Velhos murmurando ladainhas ininteligíveis, crianças se divertindo no jardim. O desespero espasmódico da mãe, o autoconsolo calado e sisudo do pai que se manifestava somente com um leve toque naquela testa branca coberta de flores.

Não teve coragem para se aproximar mais. Parou. Sentiu o nó subir até a garganta e o ar a se rarefazer. A respiração ficou impossível. Precisava sair, precisava entender. Deixou a capela para tomar um ar e não voltou. Sem despedidas, sem agradecimentos. Sem condolências, sem lamentos.

Certamente seria agora tema central dos cochichos travados nos cantos escuros da capela. Comentariam seu descaso. Questionariam sua dor. Mas não pensara nisso nem mesmo por um instante até então.

Saiu da capela tonto, entorpecido, porém caminhando firme em direção a lugar nenhum. As pernas o levaram em linha reta, por caminhos já conhecidos e o deixaram onde todas as noites sempre terminavam com a última tentativa de aplacar a fome, no McDonald´s. Porém o estômago se negou a lhe lembrar das necessidades naturais e deixou que ele permanecesse horas a fio ali, sentado olhando para o nada.

Não imaginou em nenhum momento que toda aquela dor duraria exatos dois meses e três dias. Naquele exato momento suas células alimentavam em fúria uma metástase desordenada que viria a revelar a causa das recorrentes náuseas e de parte de todo aquele torpor ao caminhar: no exame clínico veio diagnosticado a bela designação de Glioblastoma Multiforme que foi traduzido no atestado de óbito como um simples tumor cerebral.

Abraço,
WML
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01/08/2008
O mentiroso

Prometi até metade de meu reino,
mas tu mo levaste por inteiro.



Condição necessária à traição. Inerente à fraqueza. Imprescindível na política. Na arte e na poesia está sempre ali, à espreita, diluída homeopaticamente em inverdades, contudo é a dose que diferencia antídoto de veneno.

Condenada. Amaldiçoada. Todos usam. É como guloseima em período de dieta. Evita-se. Foge-se. E no momento mais crítico surge tentadoramente, como a solução mais simples, mais fácil... mais perigosa. Cria seu próprio mundo de coerência e exceção. Define novas regras e transforma delitos graves em notas de rodapé, pecados em provações. A que custo? Tudo.

Fato é que não existe ex-mentiroso. Uma vez feita a farsa, não se desfaz, apenas se revela, e se evidencia o mentiroso.

Sempre a mesma história. Sempre as mesmas mentiras. Sempre as mesmas desculpas.

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30/07/2008
Maiakovski na Loja de Conveniências

“não quero ser triste
como o poeta que envelhece
lendo Maiakóvski na loja de conveniência”
Zeca Baleiro, Minha Casa, 2000



Hoje eu acordei cedo, pari um Maiakovski das prateleiras entulhadas de livros de meu quarto e parti para a loja de conveniências.

Somente em minha estante Maiakovski está lado a lado com Bandeira e Oscar Wilde, e convive pacificamente. Partilham traças, poeira e os dedos que percorrem seus tomos alisando-lhes os lóbulos frontais. Permanece calado, mudo, tolhido, não lido. Há quem diga que, nas noites mais frias, lê-se a si mesmo para fugir da solidão na qual imergem os livros não lidos.

Porém hoje eu acordei cedo, pari um Maiakovski das prateleiras entulhadas de livros de meu quarto e parti para a loja de conveniências. Ficou nítido seu desconforto entre revistas populares, balas mentoladas, preservativos e guloseimas. Faltavam-lhe de certo o céu azul celeste e a terra, amante a lamber as mãos calosas da poesia, a arte revolucionária, a forma revolucionária.

E quando o molho do cachorro-quente aderiu à minha roupa nova, desenhando impressões dadaístas em tinta escarlate em meu jeans, não exitei: Mutilei Maiakovski de sua última página, branca, já amarela pelo tempo que impregna a celulose, grafada tão somente com o texto “Impresso no Brasil”. Dobrei-a apressadamente e ataquei a mancha vermelha a tempo de impedir sua expansão perna abaixo. O sucesso só não foi maior devido ao baixo índice de absorção do papel, relutante em molhar-se de tomate.

Por sorte lojas de conveniências são conservadoras no que se refere ao molho do cachorro-quente, pois se estivesse em uma barraquinha qualquer da esquina certamente seria necessário consumir dois ou três poemas para limpar aquele incidente gastronômico.

Abraço,
WML
*Este texto foi livremente inspirado na canção cujo fragmento o prefaceia.


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06/07/2008
Me xingue, por favor.
Ainda contra a cultura do politicamente correto, segue o Curta Justiça ao Insulto . Eu gostei.
Assista aqui.
Abraço,
WML
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06/07/2008
Segundo Ato do Teatro

"Desacordam todos os dias
não mensuram suas perdas e imposturas!
Não almejam.
Não alma.
Já não mais amor.
Assim são:
Os insetos interiores"
Fernando Anitelli, 2008, Os insetos interiores


Eu conheci O Teatro Mágico tardiamente, ainda nesse ano de 2008, quando meu irmão apareceu lá em casa com a “novidade”. Ao ouvir, imediatamente gostei das letras, e depois da postura circense da trupe de Fernando Anitelli. Também percebi a forte influência de Zeca Baleiro (muito na melodia) e de Arnaldo Antunes (lateralmente e na forma de escrever).

“Entrada para Raros” (2003) é um trabalho que ajuda a dar um refresco aos ouvidos cansados do rock pop estilo J.Quest! A bem da verdade, o fenômeno O Teatro Mágico se alimenta também do vácuo deixado pela aposentadoria antecipada (e possivelmente temporária) de Los Hermanos. Órfãos da banda carioca fazem fila para comprar ingressos da Trupe Paulista de Fernando Anitelli, só no show de comemoração de 4 anos em dezembro de 2007, O Teatro Mágico vendeu antecipadamente 6.000 ingressos, sem propaganda, sem gravadora.

Pois bem, no post anterior sobre Gilberto Gil novamente meu irmão (também ele um órfão dos Los Hermanos) me atentou para o lançamento de O Teatro Mágico: Segundo Ato

Baixei hoje este disco, e até a 9ª faixa do disco o texto de sobre ele estava praticamente pronto. A linha seria que Segundo Ato corresponde exatamente a isso, um Ctrl+C, Ctrl+V no primeiro ato, as mesmas qualidades, mas nada de novo: letra certeira (belíssimo poema na primeira faixa e destaque para “Paratodia”), melodia óbvia, uma música que poderia ser atribuída a Arnaldo Antunes (O Mérito e o Monstro). Ou seja, o que antes me surpreendera em “Só para Raros” soava óbvio e previsível em “Segundo Ato”. O disco estava se tornando chato quando...

Acordei do sono em "(!)", décima faixa. Ela sugeriu algo novo, porém não veio, não veio nela, mas veio em seguida em “Eu Não Sou Chico Mas Quero Tentar”. Acredito que “(!)” tenha sido colocada ali justamente para mostrar a quebra do disco, que dali para frente é outro, com o samba da já elogiada “Eu não sou Chico...”, o eletrônico no melhor estilo PatoFu de “#@s!@”, na divertida “Alguma Coisa”, na festiva “ Abaçaiado” a guitarra (esquecida na primeira metade) mostra-se um pouco mais e dá até para pular no meio do Xote! Em seguida a influência de Zeca Baleiro literalmente se faz presente em “Xanéu Nº 5”, o dueto conta com o arranjo musical mais ousado, flertando com o Jazz na presença do baixo e trompete! Só por isso o disco já valeu, porém ainda segue o belo e embaraçoso poema “Os Insetos Interiores”. Em seguida o CD retorna ao estilo inicial em “A primeira semana”, mas aí não incomoda mais, o disco já me fisgou e até curto a pretensiosa e longuíssima “...” mostrando que ainda há algo por vir nos próximos trabalhos!

O Teatro Mágico salvou o Domingo! E repito que “Xanéu Nº 5”, “Os Insetos Interiores” e “Cidadão de Papelão” (que não citei) são as melhores do Segundo Ato.

Para baixar: Clique aqui, ou vá ao site O Teatro Mágico.

Abraço,
WML

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02/07/2008
Homem que é homem é gay?

A modelo Isabeli Fontana não é uma referência de manifestação de opinião pensada (ela foi uma das que fizeram coro ao apontar as curvas extras da modelo tcheca Kurkova, que ao meu ver nada de mal lhe fizeram!). Entretanto, preciso sair em defesa da moça.

Isabeli atraiu para si a fúria rosa do movimento gay ao declarar na última segunda-feira (30/06) no programa Hebe que não gostaria que seu filho fosse gay. Bastou isso para que os blogs GLTs saíssem a listar adjetivos à moça: “Preconceituosa” ”retrógrada” “infeliz” “mal-amada” “feia” “boba”.

Se hipocrisia fosse CO2 o Brasil seria certamente o líder na lista do efeito estufa! Afinal, quem deseja que seu filho seja gay!? Mais ainda, gay, cego, deficiente físico, PTista, professor de filosofia, intelectual rabugento e solitário, etc etc.!? Ninguém deseja que seu filho enfrente problemas sociais, e a hipocrisia não vai me convencer de que ser gay seja uma forma harmoniosa de conviver na sociedade.

Ser gay é estar fora das regras sociais. Isso importa? Claro que não! Se o cara quer ser gay, ou se nasceu assim, tem mais é que se aceitar. Indo mais longe, tem mais é que exigir respeito. Agora, não pode querer que todos desejem que seus filhos sejam como ele! Ninguém pode ser obrigado a seguir o modelo “Bono Vox de ser legal”!

O movimento hipócrita entrincheirou-se de tal modo na sociedade que o politicamente correto se tornou obrigatório. Não se pode dizer nada que manifeste uma opinião sincera, porém contundente. Ao dizer que deseja que seu filho não seja gay, Isabeli Fontana não afirma não gostar de gays, apenas que gostaria que seu filho não tivesse que enfrentar todos os estigmas que os gays são obrigados a suportar, inclusive o de panfletar na Av. Paulista que o mundo é gay e que, homem que é homem é gay!

Abraço,
WML

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25/06/2008
Banda Larga Cordel

Meu Brasil, meu Brasil bem brasileiro
O You Tube chegando aos seus grotões
Veredas do sertão, Guimarães Rosa,
Ilíadas, Lusíadas, Camões,
Rei Salomão no Alto Solimões,
O pé da planta, a baba da babosa.
Banda Larga Cordel, 2007
Gilberto Gil



Há três dias eu aguardava alguma boa alma liberar Banda Larga Cordel (novo álbum do Gilberto Gil) no eMule. Demorou mas consegui. Ouvi afoitamente, ávido por novidades.

(Se quiser baixar para ouvir, pode clicar aqui! Só se quiser! Isso é apenas para você conhecer. Se gostar trate de comprar o CD! Este site não faz apologia ao crime!!! - isso foi uma piada!)

Nestes tempos em que cada vez mais difícil se torna encontrar algo de bom no cenário artístico, quando um dinossauro lança um trabalho eu fico louco para oxigenar minha mente e ver como estes caras vão deixando (ou não) o século XX e seus legados para trás.

Com Banda Larga Cordel não foi diferente, ouvi as músicas, li as letras, voltei para as músicas e curti as fotos de divulgação. Resumind: eu gostei, poderia ser melhor, mas gostei, vindo-se do Gil esperava-se mais, mas gostei.

Porém o disco está longe de ser uma obra-prima de Gil. Ele (o disco) começa bem, irrepreensível do ponto de vista de animação ao melhor estilo de Gilberto Gil. As 5 primeiras faixas formam uma seqüencia de canções interligadas e harmoniosas, e ainda que pequem pela falta de criatividade sonora, as letras não deixam a peteca cair e atingem a genialidade/contemporaneidade como em “Os pais”.

A sexta faixa (La Renaissance Africaine) encerra abruptamente a sucessão de boas músicas. Não sei se foi pela letra em francês, ou pelo excesso de programação eletrônica e electribes, a música poderia simplesmente não existir. Em nada me agradou.

A partir daí parece que o Ministro assumiu o controle do músico e queria acabar com o disco o mais rápido possível, sucedendo canções lindas a composições desonestas à sua genialidade. É assim que “Gueixa No Tatame” (sem graça, inodora e insípida) vem após “Olho Mágico” e contrasta com a letra cirúrgica de “Não tenho medo da morte”. Após isso, a única novidade é a letra desafiadora e a idéia atraente de “Outros Viram”. As canções que seguem são repetitivamente eletrônicas, chatas e intermináveis como a música que batiza o CD.

Um balanço final: Para Gilberto Gil, o trabalho abre algumas portas seminais que podem dar mais frutos no futuro, porém ele já fez discos infinitamente superiores. Entretanto vale lembrar que o CD foi feito nas horas vagas, somente aos finais-de-semana, o que alivia um pouco a culpa do cara.
Para nós ouvintes, ainda que o trabalho não seja genial, é muito mais que aquilo encontrado ao longo deste ano nas rádios.
Abraço, WML

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21/06/2008
Aptidão & Técnica
Nos quesitos: determinação, dedicação e seriedade, nós, brasileiros, temos muito a aprender. O príncipe Japonês vem ao Brasil e faz discurso em bom português, ao passo que a Reitora da USP erra no inglês.

Não estou me referindo à inteligência, atentem. Apenas fica claro que o Príncipe Japonês se preocupou em revisar seu texto, ensaiar a pronúncia de modo que não desrespeitasse seus ouvintes. Em contrapartida, tenho certeza que o discurso da Suely (reitora da USP) foi feito às pressas e, com o orgulho típico do meio acadêmico, nem pensou em submeter seu texto à revisão de alguém que entenda bem a língua inglesa.

E segue o Brasil, com amadorismo e improvisos, em todos os setores, em todas as camadas socioculturais. Valorizamos mais quem se sai mediocremente porém sem se preparar do que quem é excepcional às custas de muito estudo e treino. Preferimos a aptidão amadora à técnica exaustiva.

Matéria da Folha de S. Paulo de 21/06/08
Príncipe japonês surpreende e faz discurso em português
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2106200813.htm
Houve gafes, constrangimentos e surpresas no segundo dia de visita a São Paulo do príncipe Naruhito, 48, primeiro na linha sucessória do trono do Japão.
O príncipe leu um discurso em português claro e quase sem sotaque a alunos e professores universitários na Faculdade de Direito da USP, no largo São Francisco.
Já a reitora Suely Vilela causou desconforto ao tropeçar no inglês e não falar português diante do tradutor juramentado da Casa Imperial Japonesa para o Brasil, Masato Ninomiya, também professor da USP.
Vilela diz que o inglês do discurso, que não foi traduzido para o português, foi pedido pelo protocolo do cerimonial japonês e que conversou com o príncipe em inglês.
O príncipe Naruhito visitou ainda o Museu Histórico da Imigração Japonesa, na Liberdade (centro), saudou os membros mais antigos da comunidade -a maioria com mais de 90 anos- e deu uma doação em dinheiro.

Abraço,
WML
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18/06/2008
Hilário... Previsível... Patético

Se você não sabe em quem votar para prefeito de Resende, acho que deveria se orgulhar disso, é sintoma de quem tem cérebro.

O tétrico cenário que se configura no horizonte da política resendense é o seguinte: PMDB com Sílvio, DEM com Rechuan e PT com Stagi,

Desculpem, mas é preciso rir... (hahaha) É uma piada, e uma piada trágica!

Silvinho todo mundo conhece (só não vê, mas conhece). Expoente menor do clã Carvalho, ele é uma criatura misteriosa. Algumas pessoas diziam até mesmo que ele não existia, era uma obra de ficção! Ganhou as eleições em 2004 e sumiu, foi relembrado quando o Ministério Publico questionou seu mandato e (depois que foi inocentado da acusação de ser beneficiado pela campanha dos “Garotinhos”) desapareceu novamente. Ele sumiu... sumiu 3 longos anos... e os buracos apareceram... e quando os buracos já estavam indo para a calçada (pois não havia mais lugar para eles na rua) Silvinho apareceu e inaugurou a... Ponte Velha! Isso mesmo, foi Sílvio de Carvalho que inaugurou a Ponte Velha. Para solucionar o problema dos buracos ele inaugurou uma ponte. Silvinho possui a incompetência típica dos políticos, porém lhe falta o carisma destes últimos. Ele só não foi um prefeito pior porque na verdade ele quase não foi prefeito. Seu gabinete ainda cheira a novo, ou mofo! O Sujeito viaja mais que o aero-Lula!

Bem, se tínhamos (ou temos) dúvidas sobre a existência de Silvinho, ao menos de Rechuan temos uma certeza: ele não existe mesmo. Rechuan é o mais ilustre desconhecido candidato a prefeito de Resende. A começar por seu partido, o PFL. O PFL sumiu e agora aparece com o nome super-criativo de ... Democratas. É isso mesmo, o Rechuan, se existisse, seria do mesmo partido do Obama! Existem boatos de que ele é na verdade uma segunda identidade de Hillary Clinton. Sabendo que perderia a pré-candidatura a pré-residente da Casa Branca, Hillary teria vindo para Resende, feito um estágio no Hospital Municipal e agora deseja ser prefeita com sua nova identidade... Rechuan, que parece ser um ótimo adversário para Silvinho, o melhor adversário que alguém pode querer, afinal, ele não existe!

Já Stagi dispensa apresentações. Seguindo a tradição do PT, ele disputa sistematicamente todas as eleições desde que o primeiro índio Puri tomou uma estilingada do bandeirante Simão da Cunha Gago lá pelos idos de muito tempo atrás. Nunca ganhou. Mas, e daí? O importante é participar, como tão bem me ensinou meu pai. Stagi tanto bateu pé que conseguiu convencer o diretório municipal do PT a lançá-lo candidato a prefeito e acabou impedindo o surgimento de um a criatura que iria atentar contra toda a lógica política: a estranha e promissora união entre DEM e PT (o presidentezinho Luís Inácio possivelmente não acreditaria e ia se deslocar até aqui para ver se era verdade). Resumindo, o Stagi não vale. É café-com-leite. É uma daquelas figuras típicas de cidade do interior, inteligente, contador de causo, não briga com ninguém e ninguém briga com ele. Ele sabe que não vai ganhar e todos sabem que ele vai ajudar quem precisar depois da eleição. É um “boa-praça”, um alienígena na política. Não ganha nem para síndico do Pombal.

Não sei quem é mais patético, se Silvinho, Stagi, Rechuan, este texto ou o eleitor de Resende que terá que escolher um dos patetas para votar!

PS.: Falando de patetas não resisti: Alguém sabe por onde anda o ex-prefeito Eduardo Meohas? Esse é mais coerente prefeito que Resende já teve: não fez nada antes, durante e depois de ser prefeito. É preguiçoso com competência.

abraço,
WML


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11/06/2008
Uma andorinha só não faz verão. Uma mão lava a outra. A união faz a força. Etc. etc. etc.

Durante muito tempo este blog pairou sozinho no limbo da grande rede. Bem, não é que decidiram fazer links dele por aí!? Então chegamos à estonteante marca de quase 6 acessos diários (sendo 3 meus!) o que representa um crescimento de 1000%!
Como diria uma Mula Lula: Nunca na história desse país... (deixa para lá!)

Bem, fato é que me vi obrigado a solidarizar com estes meus amigos e disponibilizar o precisos espaço lá de cima deste blog ao sites que têm algo a acrescentar nessa nossa triste permanência na internet.


Obs.: Sei que a estética está horrorosa, mas aviso que não entendo chongas de template! Então combinamos que se um dia eu estiver com disposição eu aprendo alguma coisa e melhoro a cara da página.
Abraço,
WML

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11/06/2008
Contestação e Civilidade

A Campanha do MST tem dado resultado, o Movimento acaba de perder mais um defensor: EU.

O MST orquestrou no dia de ontem invasões em propriedades e instalações industriais e de pesquisa em 13 estados da federação. Usinas hidrelétricas, um centro de pesquisa de cana-de-açúcar da Universidade Federal de Pernambuco, Uma multinacional alimentícia, ferrovias e escritórios da Vale, portos além de uma fábrica da Odebrecht.

Durante as “manifestações” os ambientes foram depredados, o trabalho de pesquisa na UFP completamente perdido, além de violação do direito de ir e vir, terrorismo e ameaças às pessoas que trabalhavam nos locais das ações.

Frente a tudo a polícia esboçou reações com balas de borrachas e já está sendo acusada de excesso de violência. Ao passo que do lado do MST não há qualquer sanção ou indiciamento judicial.

Bem, não tenho nada contra as causas do MST, o debate é bem vindo. Se eles querem reestatizar a Vale, que defendam esta idéia na tribuna do senado, se desejam proibir a fabricação de eletricidade por meio de hidrelétrica que argumentem (sei lá como!).
Porém, quando invadem, depredam e fazem chantagem social-política, quando fazem cena para a imprensa noticiar em ano eleitoral, quando desrespeitam não as leis (pois as leis são sempre questionáveis) mas sim os princípios de civilidade, o MST deve ser combatido como qualquer outra organização criminosa.

O direito à contestação é sagrado e princípio básico da democracia, porém não pode ser usada como fiadora da barbárie e do desrespeito ao livre pensamento, seja este pensamento de direita, esquerda, centro-destro-canhoto ou ambidestro!
Abraço, WML

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07/06/2008
Quino: um argentino genial
Algumas vezes sou acusado de ter uma visão muito pessimista de tudo. Realmente os tons cinzas se sobressaem em minhas análises do mundo... Por isso vou alegrar a vida de todos os quase 2 leitores deste blog com algumas tirinhas.



Para quem gosta das fantásticas tirinhas de Quino, pode acessar Clube da Mafalda
e se divertir. Abraço, WML
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04/06/2008
GCP
Acho que existe uma espécie de patologia crônica nas corporações neste início de milênio.
Consiste em estupidez travestida de seriedade. Frustração vendida como determinação. Disfunções eréteis cujos danos psíquicos são escondidos sob infinidades de caretas.
Para saber se sua empresa está na lista das afetadas pela epidemia, basta olhar para seus gerentes. Se eles tiverem cabelos pontudos, esculpidos à custa de quilos de gel fixador, então caia fora que a casa vai cair! Fuja antes de se tornar mais uma toupeira!

Tal como a esquerda paulista que dominou a política nacional desde a redemocratização, os gerentes de cabelos pontudos estão se espalhando pelas empresas tradicionais. Eles foram formados nas mesmas classes dos candidatos toscos do também tosco O Aprendiz de Roberto Justus e se alimentam de restos de estruturas mofadas abandonadas pelas empresas durante seus processos frustrados de Reengenharia.

Depois que dominam a empresa, este vetor da imbecilidade incapacita o sistema intelectual do hospedeiro e impede qualquer forma de reação à doença. Por isso, atenção, não cultive idéias velhas como chefe infalível, horário rígido de trabalho, cadeiras grandes para gerentes, extorsão criativa ou inflexibilidade criativa, pois são destes restos mofados de pensamento que se alimentam os Gerentes de Cabelos Pontudos (vulgos GCP).
Abraço,
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03/06/2008
Coisas simples nos fazem felizes...

Descobri os arquivos da Folha de S. Paulo. Despendo alguns preciosos momentos livres à frente do computador lendo “jornais de ontem”. Interessante, porém este não é o assunto que trato agora.

Lia a edição de uma quinta-feira de setembro de 96 (19/09/96), quando encontrei a resenha do disco Tempestade da Legião Urbana que seria lançado oficialmente no dia seguinte (20/09).


Autor: MARISA ADÁN GIL
Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: ILUSTRADA Página: 4-10
Edição: São Paulo Sep 19, 1996
Seção: DISCO; LANÇAMENTO
Observações: COM SUB-RETRANCA; ACONTECE
Assuntos Principais: LEGIÃO URBANA /CONJUNTO MUSICAL/; DISCO


Legião Urbana se desencontra do rock'n'roll
da Reportagem Local
Há tempos, a Legião Urbana vive um dilema: é um grupo de rock, mas não consegue mais se encaixar nesse formato.
"A Tempestade ou O Livro dos Dias", o novo CD, apenas leva o dilema mais longe. Até quando será possível conciliar uma fórmula desgastada com letras que nada têm a ver com rock'n'roll?
Renato Russo, diga-se, continua um ótimo letrista. Basta folhear o encarte do novo disco para topar com imagens perturbadoras e versos comoventes.
Como cantor, está ainda melhor. A experiência de dois discos solo parece ter ampliado seus limites e sua segurança.
Falsetes, graves ou vocais rascantes soam naturais em sua voz, mais versátil do que as da média dos vocalistas nacionais.
A banda _Dado Villa-Lobos (guitarra) e Bonfá (bateria, percussão), auxiliados por Carlos Trilha (teclados)_ tenta acompanhar. Chega até mesmo a procurar combinações inéditas de ritmos.
Não disfarça, porém, o sentimento de que estamos ouvindo o mesmo disco de três anos atrás.
São os mesmos rocks e baladas, rearranjados, mas com um gosto indisfarçável de nostalgia.
Não se encaixam, de maneira nenhuma, com as novas letras de Renato. Com arranjos de cordas ou teclados melosos, soam frouxas, estranhas ou bregas.
É como se Russo estivesse compondo para algum álbum solo, esperando outro som, outros ritmos.
Já era assim em "O Descobrimento do Brasil", disco de 1993. Em "A Tempestade", o problema se espalha pela maioria das 15 faixas (67 minutos de duração).
O maior exemplo é "Longe do Meu Lado". A faixa tem uma das melhores letras do disco, mas não convence nem por um segundo. Merece uma regravação.
Em "A Via Láctea", versos como "mas não me diga isso" flutuam sobre a melodia, sem nunca se unir a ela. Casos semelhantes são os das baladas "L'Avventura" e "Esperando por Mim".
Novo som
Quatro faixas salvam o disco. "1º de Julho", registrada em versão demo, é precisa, crua, direta.
Lembra a Legião do primeiro disco, com uma convicção que não se ouve há muito tempo.
No outro extremo, está "Soul Parsifal", parceria de Russo com Marisa Monte.
A faixa aponta uma solução para o dilema: um som novo para o grupo, tipo new bossa.
Há ainda a pesada "Natália", que abre o CD com volume máximo e letra forte _lembra um pouco o hit "Perfeição".
O balanço de "Música Ambiente" empresta um pouco de alegria ao álbum, quase todo tomado por letras tristes e/ou contemplativas.
Pouco para um disco tão longo, ou para uma banda que já teve tanto a dizer. Talvez o rock não precise mais da Legião. Ou, o que é mais provável, a Legião não precise mais do rock.
Disco: "A Tempestade ou O Livro dos Dias"
Grupo: Legião Urbana
Lançamento: EMI-Odeon
Preço: R$ 18 (o CD, em média)



Bem, parece que os deuses da música ouviram as frases do jornalista. Menos de um mês após a publicação da matéria, em11/10/96, Renato Russo dominaria os noticiários: havia morrido pela madrugada, Renato Russo, e com ele a Legião Urbana!

No dia seguinte, 12/10/96, o tema ocuparia o “salão nobre” da mídia escrita nacional, o editorial da Folha.

POETA DA DÉCADA PERDIDA

12/10/96
Editoria: OPINIÃO Página: 1-2
Edição: Nacional Oct 12, 1996
Assuntos Principais: RENATO RUSSO /CANTOR/; ÓBITO; PERFIL


O Brasil do início da década de 80, ainda sob as regras do regime militar, que já completava duas décadas de duração, era um país que tentava reconquistar o direito à democracia e à liberdade de expressão.
Na música popular, a relativa estagnação de artistas consagrados permitiu o aparecimento de novos talentos, dessa vez sob o ritmo do rock. O grupo brasiliense Legião Urbana, tendo à frente o cantor e compositor Renato Russo, soube traduzir como poucos os anseios dos jovens da época que, nascidos durante um regime autoritário, ainda não sabiam o que era viver em uma democracia.
A morte prematura de Renato Russo remete a uma época já conhecida historicamente como a ''década perdida'', mas que deixou suas marcas nos rumos do país. A relativa apatia dos anos 80 _época distante do idealismo dos 60 e sem caminhos próprios definidos_ atingiu diretamente a legião de jovens que queriam muito se expressar, mas não sabiam claramente o que dizer. Renato Russo tornou-se uma espécie de porta-voz dessa geração.
Os mesmos adolescentes que marchavam empolgados com a idéia de eleições diretas para presidente questionavam o futuro do país acompanhando versos de Russo, que criticava as guerras, o serviço militar obrigatório, o vestibular e a alienação da própria juventude.
Russo escreveu sonetos de difícil memorização que eram repetidos seguidamente por um público fiel. Compôs canções longas e sem refrões que fugiam do padrão de música popular exigido pela indústria fonográfica. A rebeldia estava fora de moda, mas ele decidiu ser rebelde, em uma época em que, para vencer, era preciso ser alguma coisa.
Deu aos jovens da ''década perdida'' a identificação que lhes faltava, o fôlego e a energia que os adolescentes sempre procuram. Foi para essa juventude um poeta, um trovador, um autor de hinos que retrataram um momento histórico brasileiro, de muita ansiedade e poucos ideais.

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31/05/2008
Fetiche



O que não lhe contaram é como cheguei aqui. Não corra... na verdade, não vai adiantar: porta trancada.
Possivelmente você deve estar se perguntando como consegui... pois bem... tenho contatos. E tenho vontade, e vontade é a mãe da conquista!
Não! Não... não... não chore. Juro que não vou me vingar. Não sou assim... na verdade sou, mas sei me controlar.
Mas assim também não! Não apela. Tampa isso. Não fica mostrando assim pois não sou tão forte. Nem tão convicto. Nem tão cristão. Nem tão ... bem, você sabe.
Ok. Assim está melhor. Agora se vire. Você já mudou de lado tantas vezes... vai ser só mais uma!
Fiquei contigo, combinamos tantas coisas. Suportamos os ataques... lhe defendi mesmo quando discordava de você. Então você consegue o que desejávamos e me trai. Não gostei disso... Você mentiu superlativamente!
Cala a boca! Engole o choro!
Espere... vou pegar algo. Já volto.
Não se assuste... só fetiche.
Sim... estou quase acabando... acabei.
Lembra quando falei que não ia lhe machucar? Então, eu menti! Aprendi com você...
A manchete do dia de amanhã será: O Presidente operário sofreu um acidente e está morto!

Abaço,
WML


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30/05/2008
Hoje o dia foi de chuva... que bom!
Uma chuvinha pela manhã... bem fina, aquela que não chega a molhar mas é suficiente para levantar um cheiro de chuva, de terra úmida no ar.
Suficiente para lembrar os tempos de escola. Dias em que se acordava cedinho, tomava um café, um pedaço de pão, jogava uma mochila nas costas e saía correndo na chuva para o ponto de ônibus. Chegava lá, conversava com a menina linda que você era secretamente apaixonado e se enfiava no banco, ou chocalhava lá dentro. Tinha também os dias em que ia andando, sem pressa até sem pensar chegar a escola...
Aulas intermináveis... longas... inesquecíveis de português... outras paixões no recreio... recreio com chuva... com todos espremidos no pátio.
Definitivamente tive uma infância feliz, e normal!
Abraço, WML

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25/05/2008
Barrados no Baile
O que você sente quando... quando conversando com pessoas jovens (como você) você referencia algo que considera familiar a todos e ... e nada!? Ninguém sabe do que você está falando?!

Eu entendi que é sinal de que você não tem mais 20 anos!

Quem lembra Barrados no Baile já está rondando a casa dos 30 anos. Foi com esta sensação de trintão que recebi a notícia de que haverá um Barrados no Baile Reloaded. O primeiro sentimento foi de ciúmes: como ousam alterar algo tão emblemático?
Depois lembrei que se trata de cultura de massa e ponderei: é uma ótima oportunidade para ganhar dinheiro! Genial!

Os “velhinhos” que acompanharam a primeira versão vão correr para assistir, matar a saudade e falar mal, dizendo que bom mesmo era o original! Mas vão pagar! Os produtores ganham dinheiro e quem sabe até mesmo conseguem emplacar um novo sucesso com a gurizada geração 2000!

Bem.. de toda forma é assim mesmo. Resta o consolo de saber que ao menos o que você considerava bom quando era adolescente não era tanto lixo comercial assim, afinal estão reciclando. Ok ok ok concordo que não era nada de cult ou epistemológico, mas quem disse que para ser bom precisa ser profundo? O Seriado era bom, eu me divertia e sempre que vejo a abertura eu sinto o cheiro de lasanha! (é que o seriado passava domingo e domingo lá em casa era dia de lasanha!)

Contudo não consigo imaginar como solucionar o problema da ausência de Brenda Walsh! abraço,WML
Bem, olha a foto antiga da galera!

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23/05/2008
Selva!!
Em tempos em que as botinas de nossos militares mostram-se ouriçadas com o assunto Reserva Serra do Sol, é de se espantar (ou não) que tenha passado batido o relatório do tribunal de Contas da União que condenou oficiais do sempre autodeclarante acima-de-qualquer-suspeita, o Exército, por fraude.

Segue o texto que pode ser lido no portal da TCU ou diretamente aqui.

21/05/2008 - Tribunal condena oficiais do Exército por fraude
O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou solidariamente sete oficiais do Exército a devolverem ao Tesouro Nacional R$ 2.081.311,63, valor atualizado, por fraude no sistema de pagamentos do Exército. O programa de informática do Centro de Pagamento do Exército (CPEx) foi alterado e 55 pensionistas foram incluídos de forma irregular na folha de pagamentos. Há indícios de que os beneficiados sejam parentes dos oficiais envolvidos na fraude.
Os responsáveis também foram multados individualmente e inabilitados para exercerem cargo em comissão ou função de confiança na administração pública. As multas variam de R$ 50 mil a R$ 30 mil, e os militares têm 15 dias para comprovar o recolhimento dos valores ao Tesouro Nacional. A cobrança judicial foi autorizada. Cabe recurso da decisão. Cópia da documentação foi enviada ao Superior Tribunal Militar (STM). O ministro Marcos Bemquerer Costa foi o relator do processo.
Serviço:
Dispomos de cópias do relatório, voto e decisão.
Acórdão nº 885/2008 - Plenário
TC – 009.591/2003-8
Ascom- (DD/140508)

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07/03/2008
O ócio nada criativo

Células tronco. Esta é a motivação do embate na média e burocrática intelectualidade brasileira. Todo mundo caiu na fossa verborrágica do Catolicismo via STF.
Parece que os ministros do Supremo sentiram-se demasiadamente entediados em seu pedestal e decidiram discutir o sexo dos anjos, ou para onde vão as crianças que morrem antes do batismo.
Explico. Não existe nenhuma motivação (além de fanatismo religioso ou tédio intelectual) que justifique o debate que se trava na tribuna o Supremo, nem a forma como é conduzido. Não há dúvidas constitucionais nem desrespeitos a princípios jurídicos que tutelam a vida. Não há embasamento acadêmico, nem sinceridade intelectual nesse embate.
Juridicamente, parece que, ou os Ministros que questionam a legalidade de pesquisas com células tronco a partir de embriões pararam no artigo 5º ao ler a Constituição ou são extremamente obtusos intelectualmente. Não há qualquer dúvida que possa persistir após lermos a constituição. É verdade que a Carta Magna de 88 não define vida, nem diz o instante em que o ser humano é ser humano. Não pense o leitor que os legisladores esqueceram-se de um ponto tão importante (se esqueceram ou não, não sei, mas o importante é que essa omissão não é nenhum pouco importante ou significativa, para qualquer assunto relacionado à vida). Isso porque a legislação brasileira define o mais importante, a morte.
A Lei Federal 9.434/1997 trata da “disposição post morten de tecidos, órgãos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento”. Qualquer um com ensino básico e saiba ler (competências que espero muito que os ministros do Supremo tenham) não ficaria com dúvidas ao ler o artigo 3° da referida lei: ”A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica.”
Sendo assim, se quisermos saber se JURIDICAMENTE um embrião de 15 dias congelado há 3 anos, esquecido em uma clínica de reprodução assistida é tutelado pela “inviolabilidade” grafado no Artigo 5º da CF 88, basta nos perguntarmos se existe atividade cerebral e pronto. Qualquer advogadinho de quinta categoria chega a esta conclusão em 10 minutos de leitura. Por que então os ministros do STF (mais positivistas que Comte) se embrenham tanto no debate? Tenho poucas hipóteses:

a) Entretenimento puro e simples.
b) Desconhecimento puro, simples e total do que está escrito na constituição.
c) Desonestidade intelectual visando conscientemente defender um ponto de vista exclusivamente religioso.

Bem, quem quiser que escolha a opção que achar mais condizente com a verdade. Eu prefiro ficar com a opção “A”. Nego-me a acreditar que um Ministro do STF desconheça a CF88 e muito menos que defendam posições baseadas em pontos de vistas folclóricos, religiosos ou supersticiosos (afinal, nenhum deles participa de campanas do tipo não-matem-as-fadas!).
Assim sendo, só pode ser entretenimento, visto que juridicamente não há razão alguma para dúvidas. Além do mais, entrar em um debate abandonando a abordagem jurídica e desconhecendo completamente a ciência, é garantia de que esse debate terá a duração que os debatedores acharem conveniente, garantindo palanque e câmeras para as vaidades e ocupando todo o ócio intelectual e temporal destes desocupados ministros.

abraço,
WML
Será que a cruz que paira sobre a cabeça dos ministros no STF poderia explicar a motivação do debate? Ou melhor? O que faz aquela cruz ali? Não somos um Estado laico?

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24/02/2008
Onde fica mesmo o Piauí?

Em 2006 tive a oportunidade de ler a primeira edição de piauí no momento em que era anunciado seu lançamento. Olhei a revista, gostei dos textos e estranhei o formato, larga e comprida lembrando a finada Bundas, semelhança física, apesar de também poder contar (como esta) com Jaguar e Millôr! Entretanto eu dormi no ponto e só voltei a prestar atenção novamente na revista este mês. E adorei.

Comprei pela primeira vez a piauí e redescobri o prazer (há muito esquecido) de se ler uma reportagem que valorize a língua e não tenha pressa ao tratar o assunto. É desta forma que uma matéria sobre uma “pianista que não era” pode consumir seis longas páginas da revista, que são lidas vagarosamente degustando a história e o texto. Definitivamente uma revista que nega forte tendência “fast-food” que domina as editoras nesse início de milênio.

Sem editorial, colunas, seções de opinião, piauí é uma boa novidade entre os lugares-comuns das bancas de jornal. Mas não é só glória. Com uma postura que destoa da descompostura travestida em bons-modos das grandes tiragens nacionais, piauí tem incomodado alguns setores à direita e à esquerda.

As almas ex-esquerda-neo-direitista-PTista a acusam de elitismo, de ser demasiadamente cool. Para entender o que isso significa precisei ler a crítica de Katarina Peixoto sobre piauí: “No Brasil ser cool é ser de direita ou ser tolerante, como fosse isso a racionalidade, com certas coisas que não devem, simplesmente, deixar de ser problematizadas, para dizer o mínimo.”
Ou seja, piauí é criticada por não ser panfletária, por não ser uma reedição de Caros Amigos.

Em contra partida a ultra-direita-à-esquerda-daquilo-que-Lula-é-a-favor torce o nariz para o excesso de liberdade nas páginas da revista. Sua (da revista) resistência a se curvar aos interesses dos grandes anunciantes e a linha de valorizar mais a expressão de quem escreve à sua (do escritor) posição ideológica ou política incomoda as grandes editoras.

Talvez seja por tudo isso que piauí, uma publicação mensal da Videofilmes (entenda-se Walter e João Moreira Salles) impressa e distribuída pela Abril (que entretanto não interfere e se mantém ausente do editorial) mostra-se uma grande e bem-vinda novidade para aliviar o tédio intelectual que assola as páginas de nossas revistas e jornais.

Diga-se de passagem, a crítica de ser elitista é verdade. piauí é uma revista para quem gosta realmente de ler e que não se incomoda em ler ler ler e ao final ainda precisar pensar. Afinal, ao contrário de Veja, piauí não mastiga os fatos e cospe sentenças, na verdade ela pouco se atém a fatos. E muito menos se limita às duas páginas repletas de gravuras e infográficos da Superinteressante.

Definitivamente, piauí é elitista, destina-se àquela pequena elite intelectual que é ainda cultiva a estranha e fora de moda mania de pensar.
Abraço, WML

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22/01/2008
genialidade...

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20/01/2008
Palhaçada Religiosa

Estou ficando cansado dessa palhaçada religiosa. Este desejo draconiano de sugar toda a vitalidade da ciência para travestir a religião em algo científico é perigoso e intolerável!
Nada mais perfeito que a passagem “talvez Ciência e Religião não se oponham, mas certamente não se misturam”. Se um cidadão deseja que seu filho creia que Deus criou o mundo em 6 dias e tirou um cochilo no sétimo, o Estado não pode se meter, mas também este mesmo cidadão não pode se meter na obrigação do estado ensinar na escola a verdade científica mais atual! A religião é baseada na fé, que nada mais é que aquela qualidade mental descrita por Orwell em seu 1984 como duplo-pensar. Fadas, duendes, reencarnação e ressurreição são coisas que devem permanecer no campo da mitologia, crenças e superstições. È pessoal e ninguém tem nada com isso se você crê que um despacho na esquina pode lhe curar de uma doença, o perigo é quando se deseja ensinar isso na escola e a submeter o estudante adolescente à falácias das quais não poderá fazer uma análise crítica.
A ciência certamente não concentra em si a verdade do universo nem todo o conhecimento humano, mas o ensino religioso que o faz na posição de que é a palavra de Deus na Terra também não é. O ensino religioso não é responsabilidade do estado, a responsabilidade do estado é lutar contra o obscurantismo e defender o direito de livre-pensar, direito esse atacado costumazmente pela fé religiosa.

Abraço,WML



Segue Editorial da Folha de hoje. Lembro que Editoriais não são opiniões de jornalistas e sim A opinião do Jornal.

Criacionismo, não
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2001200802.htm
GRAVES E COMPLEXOS problemas não faltam à ministra Marina Silva, em suas atividades na pasta do Meio Ambiente. Como se estes não bastassem, sua participação no 3º Simpósio sobre Criacionismo e Mídia, promovido pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, veio a colocá-la em dificuldades de outro tipo, diante das quais o cargo que ocupa no Estado brasileiro recomenda cautela que não soube observar.
Em palestra intitulada "Meio Ambiente e Cristianismo", Marina Silva valeu-se de sua formação evangélica para transpor em chave religiosa o tema da preservação dos recursos do planeta.
Nada que inspirasse maiores reparos, portanto -assim como não se discute o direito de um ministro professar, pessoalmente, qualquer tipo de crença ou descrença religiosa.
Os adeptos do criacionismo, entretanto, não se contentam com pouco -e depois da conferência a ministra foi instada, em entrevista, a dar sua opinião sobre o ensino das teorias antidarwinistas. Num estilo próximo ao dos neoconservadores americanos, considerou que "as duas visões" devem ser oferecidas aos alunos, para que "decidam" por si mesmos.
Sob uma aparência de equanimidade, a tese faz parte de uma investida anticientífica que, com firmeza, cumpre repudiar. Pode-se, é claro, sustentar que a fé pessoal é compatível com o espírito científico; que religião e ciência não se opõem.
Talvez não se oponham, mas certamente não se misturam. E é isto o que o criacionismo tenta fazer, sem base comprovada, e com um aparato de falácias que um estudante médio, no Brasil ou em qualquer parte do mundo, não tem condições de identificar. Que a religião fique onde está, e não se faça de ciência: eis uma exigência, afinal modesta, mas inegociável, da modernidade.



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13/01/2008
Parece transcendentalismo, mas é Física moderna
"Há movimento, mas não existem objetos moventes; há atividade mas não existem atores; não há dançarinos, somente a dança" Frijof Capra, 1991
Os sinais estão em toda parte. É como se a natureza estivesse gritando aos nossos ouvidos e nós permanecêssemos com o cavalo mocho.
Na edição de hoje da Folha Marcelo Gleiser fala brevemente sobre falhas na chamada Radiação de Fundo (uma espécie de “eco” do Big Bang, em aproximação mental!). Bem, o intrigante é que o artigo termina assim:

“Uma delas [explicações para a existência de falhas na radiação de fundo] sugere que o rombo tenha sido causado por um defeito cósmico, uma cicatriz deixada pela ruptura de simetrias que ligavam todas as forças da natureza numa só.
Neste caso, o micro, a física que usa essas simetrias para explicar como as partículas de matéria interagem, deixaria sua assinatura no macro, no Universo como um todo.”

Grifando: “o micro deixaria sua assinatura no macro, no Universo como um todo”.
Isso me lembrou a teoria holográfica, Quando um holograma é subdividido em partes menores, ocorre a reconstituição da totalidade da imagem em cada uma das partes, ou seja: As partes constituem o todo que por sua vez está contido nas partes!
Complementando a isso podemos nos referir ao paradoxo EPR que faz referência ao entrelaçamento quântico. “Bohr demonstrou que a observação de uma partícula submetida a um campo eletromagnético faz com que ela se divida num par que permanece em correlação, afetando-se mutuamente de forma independente da distância e do tempo.” (Bauer, 1999. Pág. 38)
Ou seja, o Universo seria um todo formado exclusivamente por interações, por inter-relações, um todo indivisível.
E você com isso? As implicações são vastas. Ecológficas, científicas e sociais.
Bem, você, eu e o Bin Laden somos apenas parte de uma imensa teia, somos relacionados e só existimos e fazemos sentidos se vistos como um todo indivisível do planeta, do universo. Parece transcendentalismo, mas é Física moderna. Logo falarei mais um pouco sobre isso.

Abraço,
WML


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26/08/2007
Tarde de mais?
Tarde de mais. O país agoniza. Definitivamente, não menos do quem definitivamente, é hora de acertos e desculpas.
Vamos aos acertos. O PT clara e inequivocamente não fez, não pretende ou pretendeu, não deseja e nem ambiciona desenvolver uma gestão social e democrática. Nas palavras de Ruy Castro em seu último livro ("A Esquerda Difícil",2007): “O assunto corrupção é sério demais para ser considerado de um modo ligeiro, para quem acredita em democracia.” Crer que os contornos iniciais de todo essa esquema imenso, toda essa seqüência de escândalos é criação da “imprensa oposicionista” (palavras de algumas vozes do PT) é deveras abusar dos espasmos de inteligência que ainda resta em minha mente... e na mente do eleitor, povo, cidadão pagador de impostos brasileiro!
Não nego a importância que esse partido teve e ainda tem. Não nego os nomes que ainda se encontram sob sua bandeira. Mas alguns desses gênios estão mais interessados em defender “um partido” a lutar por “princípios”. O PT não está acima de nada... nem de ninguém. Idéias formam partidos e não o inverso. E as idéias que originaram o PT, que fisgaram esse jovem que escreve estas linhas, que defendiam uma socialização da gestão, estão mais que moribundas e abandonadas por esse mesmo PT.
Afinal, “bolsa família” está longe de ser um programa referência de combate à pobreza e à exclusão, e o “Fome Zero” foi mais um slogan que uma ação de mobilização ou luta a favor dos subnutridos do Brasil.
Outro acero é a questão democrática. A sucessão de notícias sobre a podridão nas linhas de frente do governo destroem aquilo que no Brasil já é excessivamente frágil: as Instituições Públicas. São estas instituições que alicerçam a República e, por conseguinte, a democracia. Não contente em negar os escândalos, o governo dispara contra a imprensa, e numa atitude antidemocrática associa toda e qualquer crítica como oposicionista e elitista. Ao enraizar-se na intolerância intelectual e encarar posições e pensamentos contrários aos seu como aberrações Lula demonstra ser mais afeito à democracia na oposição do que no governo, como mandatário do povo.
Ok. Hora das desculpas. Assim me desculpo. Desculpo-me por cada palavra que bradei contra aqueles que se opuseram ao governo. Devo desculpas por ter acreditado em um sonho, que o partido das trabalhadores finalmente viesse a gerir o Brasil de uma nova perspectiva, de um novo ponto de vista. Desculpo-me por fazer dessa posição um ideal e desse ideal um projeto que ajudei a colocar no poder, mas mostrou-se frágil e debilitado como as crianças subnutridas no sertão nordestino que ainda hoje, indiferente e contrariando qualquer propagando governista, ptista ou lulista ainda continua a morres, sem nunca ter ouvido falar de fome zero ou bolsa esmola!
Tarde demais para mudar o passado. Hora de mudar o presente. Chega de Lula. Eu também cansei*!

* Esse "cansei" nada tem a ver com o movimento cansei, pois não acredito que represente minhas idéias.


Abraço, WML

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20/07/2007
Antes tarde do que nunca


Nada a declarar... hoje dedico este posto àquele que nos deixa... finalmente.


um forte abraço a todos, WML
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23/05/2007
Coragem de ser a favor do aborto


Atenção, esse é um texto a favor do aborto, se você tem convicções religiosas muito fortes e vive em seu ostracismo dogmático, não leia e nem opine! Mas se tem bons argumentos e outras saídas que não o aborto para evitar a morte ou seqüelas às 1,4 milhões de mulheres que praticam aborto anualmente no Brasil, será bem vindo! Afinal, posso mudar de idéia, não sou uma ostra! Eu poderia utilizar eufemismos e dizer que este texto não é a favor do aborto e sim a favor da vida das mulheres, mas não o farei, pois esse tema já está cheio demais de hipocrisia.
Na verdade não farei texto algum, apenas apresento relações de causa e efeito. O que segue é uma fotografia do estado que se encontra o assunto no Brasil. Ao final tire suas conclusões!


Os fatos:
Sem carteira assinada, uma empregada doméstica que recebe R$ 100 por mês em Salvador contou à Polícia Civil que tomou três comprimidos de um remédio para abortar seu terceiro filho "porque luta para sustentar duas crianças". À delegada, a empregada doméstica disse que não usa nenhum anticoncepcional. "Não tenho dinheiro para nada", afirmou. Após deixar a delegacia, Maria de Fátima foi levada a um hospital – dois dias depois do aborto, ela ainda perdia sangue.

Evanice contava seis meses de gravidez quando decidiu interromper a sua gestação, aos 24 anos de idade. Dizendo não ter condições financeiras para cuidar da criança sozinha, vendeu a geladeira de casa para juntar dinheiro e pagar o remédio que Isabel, mulher que se apresentava como enfermeira em Jaguaruna (189 km distante de Florianópolis), prometia conseguir. Isabel levou para Evanice um remédio para úlcera gástrica que provoca contrações uterinas e cuja venda é controlada. O aborto foi quase imediato.

Os discursos:
"O mais importante é que, primeiro, todos somos contra o aborto. Ninguém em sã consciência pode ser a favor. Mas o que fazer quando ele se coloca como fato real? Eis a dimensão de saúde pública."
Ministro da Saúde

"O direito de matar um inocente é incompatível com estar em comunhão com o corpo de Cristo"
Bento 16, O Papa

A conseqüência:
O Aborto é a maior causa de morte materna na América Latina, segundo Relato da OMS.
Focando a realidade brasileira, um artigo científico na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, sobre o assunto de mortes maternas em Campinas indica que 71,5% dos óbitos foram causados por “complicações infecciosas do aborto”, e conclui: “aspectos religiosos e sociais, podem estar influindo na omissão do aborto como causa de morte materna.”

Outro dado retirado da Folha de S. Paulo:

Não há nenhuma mulher em São Paulo cumprindo pena por aborto, segundo levantamento da Secretaria da Administração Penitenciária, órgão responsável pela custódia das 6.159 mulheres presas no estado. O aborto é crime previsto em cinco dos 361 artigos do Código Penal brasileiro, de 1940. As penas vão de um a dez anos de prisão, dependendo das circunstâncias. O Ministério da Saúde estima que 1 milhão de abortos clandestinos ocorram no país todos os anos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta que, a cada grupo de cem mulheres brasileiras, com idades entre 15 e 49 anos, ao menos 3,7 praticam aborto.

Alguns comentários pessoais:

Sob minha linha de raciocínio parece-me é claro e óbvio a imbecilidade em se criminalizar os abortos! Explico: A sociedade já não considera um criem do ponto de vista prático, tendo em vista que nenhum juiz que se depara com um caso de aborto como os relatados na “seção: Os fatos” condenará a mulher que praticou o aborto. E isso se comprova pela não existência de presos cumprindo pena. Isso é algo comum, as decisões judiciais são antenas temáticas do sentimento da sociedade.
O debater é mais uma questão política, onde as forças contra aborto não admitem terem, perdido a batalha e lutam para sensibilizar a população em manifestações e pressões religiosas. Quem ganha com isso? A clínicas de aborto que faturam com o “serviço discreto e de qualidade” atendendo meninas que podem pagar 1.000 por um aborto. Quem perde? As mulheres às margens da linha da pobreza que se submetem a tomar remédios assassinos ou a cirurgias com ”médicos” mais baratos operando em casa ou em clínicas sem os mínimos procedimentos cirúrgicos.

Pensem nisso antes de manifestar sua opinião inteligente e humanitária contra o aborto!
Abraço,
WML

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15/05/2007
Faça-se a Luz!

"Nature and nature's laws lay hid in night;
God said 'Let Newton be' and all was light."

epitaph for Sir Isaac Newton, Alexander Pope, sec. XVIII


(tradução)
"A Natureza e suas leis escondiam-se na escuridão.
Deus disse: Faça-se Newton
e tudo se iluminou."



Advertência: Este texto não é contra a Administração nem administradores, pelo contrário. É um manifesto que clama para que novos tempos cheguem e os administradores de verdade assumam suas funções!

Estamos entrando na Renascença. As janelas da ignorância lutam para deixar a sala imersa em escuridão, mas a luzes do Iluminismo penetra pelas menores frestas e cruzam as trevas como lanças de anjos.
Todo esse prólogo requintado e papagaiado é para demonstrar como são os discursos dos gurus da Administração: Vazios e repletos de lugares-comuns.
Porém há um “porém”, meu prólogo diz a verdade. A Administração vive há muito em uma fase de evolução denominada pré-ciêntífica. Explico.
A “ciência” não é algo que sempre existiu. Ela foi criada. Criada por um italiano chamado Galileu Galilei no século XVI. E só foi transformada em uma ferramenta sistemática de estudar o mundo pelo gênio de Sir Isaac Newton no século XVII. Antes disso, as verdades eram nada mais do que deduções feitas com base no senso comum e atestadas pela reputação de algum gênio da antiguidade (Ex.: Aristóteles) ou autoridade (Igreja ou Rei).
É nessa situação em que a Administração está mergulhada nos últimos 200 anos! As diretrizes e verdades administrativas são assinadas por “gerentes competentes” que obtiveram sucesso em suas empresas e provaram que “sabem fazer”. O clima é quase messiânico e personalidades como Jack Welch e Bill Gates são idolatrados por legiões de fãs (mais alinhados a tietes do que a estudiosos.)
Por isso não é de se espantar que apenas 18% das empresas conseguem superar os 100 anos! A maioria esmagadora morre antes de atingir a idade madura de 20 anos! Ou seja, a regra geral nas organizações é o fracasso a longo prazo (muitas vezes em um prazo nem tão longo assim...) – (Dados de Feitas para durar de Collins & Porras)
Assim, no mundo da administração é comum “analisar as empresas vitoriosas” e lançar títulos como “As 10 maneiras de atingir o sucesso” ou “20 práticas das líderes de mercado”. Esse tipo de análise é desconexo, infecundo e profundamente perigoso (além de muitas vezes flertar com a imbecilidade!). Darei um exemplo.
A moda do momento é descentralização. A empresa para ser moderna precisa descentralizar a gestão, deixar suas unidades independentes etc. Pois bem, chegaram a essa conclusão analisando as gigantes como Google e Microsoft, porém imaginem isso em uma empresa que desenvolva sistemas, produzidos por unidades diferentes porém que necessitem funcionar, serem lançados e vendidos simultaneamente. A descentralização seria o desastre.
Essa forma de raciocínio é tão válida como a seguinte lógica: Imaginem que antes da invenção do avião. O homem queria voar. Para isso ele observava as aves (as líderes de mercado!) e deduzia: Todas as aves têm penas! Logo, se quero voar tenho que ter penas. E pronto, tava feita a besteira. Se esse idiota fosse gerente de uma empresa não aprovaria nenhum projeto que não tivesse penas envolvidas e Santos Dumont possivelmente seria demitido!
As formas de gestão tradicionais são dogmáticas, personalistas e obedecem ao efeito manada: se todos estão indo por aí, é por aí que vou! E como bestas apavoradas os gerentes saem em batida.
Basta disso. Basta de colocarem os meninos geniais sentados em escolas de administração e encherem suas cabeças com os “10 mandamentos da gestão” as “15 formas de gerenciar” e 200 horas/aulas de slides coloridos com palavras dos grandes CEOs. CEOs não entendem nada de Gestão, assim como um piloto não entende nada dos porque o avião voa. Um bom CEO é o instrumento de uma boa gestão, e não a gestão em si. Uma empresa sólida é formada por toda sua estrutura de valores, visão e missão, sua cultura e competências.
É preciso que a administração entre em seu alvorecer intelectual e desperte para se tornar uma ciência capaz de determinar as varáveis significativas de um problema, as formas que estas variáveis se relacionam e os seus impactos no resultado final.
A Administração precisa urgentemente de seu Newton para olhar para o meio corporativo, ver as interações existentes e equacionar a causa-efeito. Só assim deixaremos de ver tantas empresas morrerem jovens devido à catarse proporcionada pela gurulândia!
Abraços, WML


Alguns vêem aqui o homem procurando traçar as medidas do mundo, outros, Newton como o grande Geometra de Deus!

William Blake's Newton (1795), colour print with pen & ink and watercolour.
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06/05/2007
A vida é um Lego

"Quem pensa por si mesmo é livre
E ser livre é coisa muito séria
Não se pode fechar os olhos
Não se pode olhar pra trás
Sem se aprender alguma coisa pro futuro"

L´Aventura, Renato Russo, 1996

Ia tranquilamente pelas ruas do “infomar” quando me deparei com a página http://avidaeumlego.blogspot.com/ e acabei por concordar com esta verdade filosófica.
A vida é um Lego... a gente começa a vida com uma caixinha pequena de peças, arruma do jeito que dá e pronto. Existem aquelas peças que você quer guardar por toda a vida, umas vamos comprando e outras acabam se perdendo pelo caminho.
Com o tempo, vemos que aquele treco que fizemos quando tínhamos 10 anos não é o que queremos e aos 15 quebramos tudo e montamos novamente, com as peças novas e jogamos outras fora. Depois, o que achávamos bacana aos 15 já não é tão bacana assim e lá vamos nós outra vez usara imaginação. E isso vai se repetindo, mas cada vez mais timidamente, cada vez adicionando menos peças, alterando menos o projeto, sendo menos criativo e mais apegado às pecinhas coloridas. E quando ousamos mudar um pouco mais aparece a Gestapo, os nazistas, os politicamente corretos, a comunidade cristã de proteção à família, à moral e aos bons costumes nos convencer de que o lego foi feito para ficar onde está! Que sempre foi assim desde que Jesus criou seu dente de leite. Assim, chagamos até mesmo a preservar aquelas que o cachorro mastigou que o primo distante enterrou no barro. E mesmo que aos 30 achemos que nossa escultura de lego não seja tão bela como gostaríamos que fosse, acabamos por aceitar que ela já tem peças demais e damos graças a Deus.
Mas a vida continua sendo um lego. E um dia, a peça central cai, some e pimba! Você se vê obrigado a remontar tudo. Que bom!

Algumas pessoas conseguem fazer o que parecia impossível com seu lego, como recriar as "loucuras" de Maurits Escher em Relativity, uma litografia de 1953.
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A litografia original é assim:
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Mais obras de Maurits Escher, veja aqui (http://www.mcescher.com/) vale por toda a besteira que eu falei!
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04/05/2007
O que nos reserva o Presente?

“Tired of lying in the sunshine
staying home to watch the rain
You are young and life is long
and there is time to kill today
And then one day you find
ten years have got behind you
No one told you when to run,
you missed the starting gun”

Time, Waters/Mason/Wright/Gilmour, 1973

(tradução)
“Cansado de deitar-se sob a luz do sol
De ficar em casa observando a chuva
Você é jovem e a vida é longa
Há tempo de viver o Hoje
E depois, um dia você descobrirá
Que dez anos ficaram para trás
Ninguém te disse quando correr
Você perdeu o tiro de partida”


Bem... sempre fui da ala “darwinista-freudiana” defensora de que a grande motivação da vida foi a busca da imortalidade traduzido no desejo reprodutivo, ou seja, SEXO, afinal, “sucesso para as coisas vivas é tudo aquilo que as torna boas em deixar descendentes”
Entretanto, entendo que a comunicação foi, sem sombra de dúvidas, um meio extremamente eficiente de garantir a sobrevivência dos descendentes. Isso justificaria o surgimento dos sentidos, para melhorar a comunicação entre Meio Ambiente e o ser vivo, um “sistema nervoso” para processar estas informações e difundi-las para as demais células do ser vivo. E, bilhões de anos depois, toda esta evolução daria um salto inimaginável quando surgiu a fala, pois, citando Freud, quando o homem inventou a fala, ele também inventou a civilização. Pois, só a partir deste ponto, as idéias conseguem vencer a “barreira craniana” e se difundirem e se multiplicarem, alcançando a tão sonhada imortalidade.
Falo tudo isso para chegar em meu mote central... a comunicação nas empresas. Da mesma forma, as empresas surgiram individualmente, mas (para garantir a sobrevivência em tempos de reengenharia e globalização) se aglomeraram em “organismos” mais complexos e estruturados. Tornaram-se mega-corporações, sem nacionalidade e determinadas a (como vírus) se disseminarem por todo o globo, engolindo recursos e cuspindo produtos/serviços. Tudo isso com a mesma gana dos seres vivos: reproduzir-se e crescer para reproduzir mais. E
Entretanto, algo pode estar acontecendo dentro desses organismos empresariais. Atualmente estão passando por um processo do “surgimento dos sentidos”, com as redes de comunicação mais eficientes e velozes, melhorando a comunicação em seu interior e com o meio externo. Tudo isso sendo processado pelos “neurons de nossa cultura”, os chips. As grandes distâncias foram vencidas, bem como as fronteiras.
Contudo ainda esperamos. Estamos prestes (e ansiosos) pela inovação que dará o salto “da fala”, quando as corporações não mais estarão “enclausuradas” em seus edifícios envidraçados ou prédios fabris (quase febris). Elas vencerão esta barreira física e através das redes de comunicação, serão nada mais que idéias unindo pessoas em diferentes (e indiferentes) lugares da geosfera. Neste ponto, as empresas vencerão as pequenas distâncias, que são as mais difíceis. Aquelas que separam a casa do escritório. O escritório do refeitório e sua mesa da mesa do chefe. Funcionários chefes horário etc. poderão se tornar coisas do século passado.
Talvez este salto já tenha sido dado. Talvez já tenham reinventado a civilização e ainda não percebemos. Este é o desafio! Precisamos olhar sobre os muros de nosso cotidiano, os ombros de nossos gestores e a poeira da mesmice.


Abraço,
WML

O tempo é mutável e incerto...
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A Persistência da Memória, Salvador Dali, 1931
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19/04/2007
I know it´s over

"Oh Mother, I can feel
the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go"

I know it´s over, Morrissey/Marr, 1986

Estranho, diferente, porém esperado. Foi assim que recebi a notícia de que “não me enquadro mais no perfil desejado de funcionário desta empresa”.
Estranho como mesmo sabendo que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde esse tipo de notícia altera nossas funções vitais: batimento cardíaco de 16x09 e mãos frias. Mas tudo contornável, receber a notícia expressando o mínimo possível de emoção foi mais uma parte da encenação, o último ato teatro!
As mãos agitadas, o suor também, o celular servindo de chocalho, a não-linearidade vernácula, as elipses de pensamento e o constrangimento são descrições que poderiam ser a mim atribuídas, mas não. Assim foi como vi meu antagonista durante a conversa de 1 minuto e meio. O rei hesitava, queria acabar o quanto antes aquilo que tanto sonhara em fazer. Como é estranha esta vida!
Tudo começou antes, bem antes, “a long long time ago” em uma época em que a esperança existia e rios cristalinos cruzavam os vales verdejantes daquela vila... Mentira, nem os pastos eram tão verdejantes e nem as águas tão cristalinas, mas é verdade que eu tinha esperança. Esperança de que estudar era algo bem visto, de que se especializar era bem quisto e fazer pós-graduação stricto senso algo a ser venerado!
O tempo passou tudo se tornou uma questão de “faça o que seu mestre mandou” e pronto. Sem comentários. Sem questionamentos. Sem demora. Sem pensar. E foi assim que minha inquietação mental levou-me à maldição. Tudo o que havia buscado, minhas incontáveis entrevistas com os semi-deuses da Coppe, as provas, o trânsito do Rio, o estudo... tudo poderia se perder simplesmente porque “passamos por um momento complicado. Você não tem idéia da pressão que eu estou sofrendo. O mundo conspira contra mim! Não é hora de você faltar um dia na semana!”. Para meu próprio espanto, minha auto-admiração e minha ruína na empresa eu não excitei, não recuei e iniciei o curso. Não sem antes utilizar todas as formas racionais e irracionais de argumentação, sem palestra motivacional e exemplos concretos. Tentei mostrar que poderia compensar horas, trabalhar aos sábados e engraxar sapatos. Tentei ser amigo. Tentei ser apenas profissional. Tentei não me perturbar. Tentei... tentei... mas falhei. E eis-me aqui escrevendo este texto desnecessário e infecundo. Apenas forma de desabafar... apenas desfrutando dos incisos IV e IX do 5º artigo da Constituição da República Federativa do Brasil!
Mas nem tudo é glória... nem tudo é todo este auto-controle que escrevo. Teve um momento de fraqueza, a hora em que a respiração simplesmente não obedeceu os comandos da consciência, em que o peito parecia sob pressão de 1000 Pa, e a vista ficou embaçada pelas lágrimas... lágrimas que engoli, reprimi, sequei com a força do pensamento, mas estavam lá! Dar adeus aos meus grandes amigos, pessoas com as quais dividi momentos de fúria, alegria, decepção, euforia, mudança de climas, tempos, dólar alto, dólar baixo, infinitos cash conservations, task force e muito mais. Pessoas a quem confiei confidências de vida... a quem confiei minha amizade. Olhar nos olhos e dizer I know it´s over “então tá” e “é o fim” não foi nada fácil... nada agradável... a pior parte do scripst.
Tudo foi estranho, diferente, porém esperado.

Criança Geopolítica Assistindo ao Nascimento do Novo Homem - Salvador Dali -1943
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O nascimento é marcado pela ruptura e brutalidade com o passado! Um novo homem sempre nasce...
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11/03/2007
O Grito e o Silêncio

"Me deixa fora dessa guerra santa

Senta a pua, quebra o pau

Manda brasa, solta franga

Sai de baixo, baixa a lenha

Manda ver, roda a baiana

Entra de sola na sala VIP

Mas me deixa fora dessa guerra

Santa ignorância

HAJA PACIÊNCIA"

[...]

"Não sou do meio termo

Quero todos os gestos ou nenhum

Todos os sons ou o silêncio total

Nada de meias palavras

De duplo sentido"


Sala VIP, 1991, Humberto Gessinger





Silêncio... silêncio... Explosão! Não sei se é uma questão de estilo “beethoviano” (que alterna silêncio e explosão musical), desejo atroz de acompanhar os acontecimentos no ritmo que acontecem ou se mera incompetência! Mas o fato é que a Imprensa no Brasil mostra-se simplesmente detestável por ser monocórdia, enfadonha e passional.



Durante meses os tambores tocaram única e exclusivamente as notas da corrupção que rondava as Instituições Nacionais, a podridão política, o PT e suas milícias armadas de más intenções. Pois bem, os jornais deram manchetes com “palavras de ordem”, as revistas estamparam “basta” em suas capas semanais, parlamentares mostraram empatia e desejo de mudança, a classe média comentava diariamente o assunto na hora do jantar em frente ao Jornal Nacional. Bois bem... eis que a Terra dá mais uma volta em torno de seu próprio eixo e... por uma fatalidade (e brutalidade) atroz morre João Hélio, e uma nova cruzada se forma.



A morte do menino de 6 anos transforma-se em um marco. João Hélio, um ícone. Passeatas pedindo (simploriamente) PAZ se formam por todo o país. Bandeiras brancas são hasteadas nos apartamentos da Zona Sul do Rio, e comentaristas e colunistas se debruçam sobre o novo tema em debate: A violência Urbana! E (novamente) “os jornais deram manchetes com “palavras de ordem”, as revistas estamparam “basta” em suas capas semanais, parlamentares mostraram empatia e desejo de mudança, a classe média comentava diariamente o assunto na hora do jantar em frente ao Jornal Nacional.”



E sobre o mensalão? Sobre a Corrupção? Sobre dossiês e quebras de sigilos bancários? Bem, sobre tudo isso a imprensa nada mais tem a declarar. Simplesmente: Silêncio Absoluto!



Não me entendam que condeno toda a mobilização feita ao redor do atual argumento de venda de jornais, a violência. Mas sim que tenho a lamentável e triste certeza de que todo este barulho resultará em nada, ou quase nada. Pois, não estamos acostumados a ter debates e resolver nossos problemas. O que fazemos é ligarmos a TV ou abrir o jornal para ouvir nosso próprio desabafo e esquecermos em seguida a espera do novo tema da novela das oito. E deixarmos a morte de João Hélio ser tão somente mais uma morte em vão deste país a ser mergulhada no mais profundo silêncio absoluto!



Não temos imprensa... e nem determinação para mudar nada. Tudo o que fazemos é dar nossa contribuição intelectual para um debate profundo e infecundo. Enquanto isso, Parlamentares continuam roubando. Crianças continuam sendo assassinadas.


Com muito pesar,

WML


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21/02/2007
O tempo de um sorriso


Qual é o tempo de um sorriso? Quanto tempo ele dura? Eu já vi casos de sorrisos que duraram toda uma vida.
Manhã de 6 de abril de 1986. Cheguei ao colégio como todos os dias. Sentei-me na última cadeira e imergi em meu mundo.
O professor entrou apressadamente e quando me dei conta ele já estava com um mapa colado na lousa e cuspindo palavras que não faziam o menor sentido para mim: América ânglo-saxônica, calvinistas e colonialismo. Nada disso me dizia coisa alguma.
Eu estava preocupado... disperso... quando Carlos me chamou à Terra:
- Acorda LaCava, corre que se não a gente vai ficar no time de fora. ´Bora pro recreio!
A manhã passara e eu nem havia aberto o caderno. No recreio não joguei. Inventei um corte no pé. Algo me pertubava e eu sabia o que era, mas não por quê!
Tudo aconteceu três dias antes. Era prova de biologia. Eu havia esquecido de trazer o material de estudo. A professora entregava a prova enquanto eu me culpava por ser tão esquecido. Emprestar material estava proibido e para piorar a professora me mudara de lugar, colocou-me em uma das primeiras fileiras. Quando já me preparava para mais um zero em meu currículo, surge uma mão sob meus ombros trazendo lápis, caneta, borracha e todo tipo de coisa. Olhei rapidamente para trás e vi um sorriso até então desconhecido. A dona do sorriso chamava-se Renatinha, que, não sei como, viu minha situação e arriscou-se gratuitamente para me ajudar, logo a mim, que nunca lhe dirigia a palavra e dizia que quem sentava na frente era “pela saco” imbecil!
Bem, acontece que fiz a prova com mais material do que em toda a minha vida escolar!
Como sempre, quando terminei a prova os melhores alunos já haviam ido embora e entre eles Renatinha. Fui para casa e esqueci tudo: prova, material e professora. Mas, no meio da tarde, entre uma e outra canção do Álbum Branco dos Beatles, a imagem do sorriso de Renatinha aparece. E desde então ele nunca mais saiu de minha mente.
A campainha tocou indicando o fim do recreio. Subi devagar, sorvendo cada degrau de escada, cada passo, cada respiração pensando naquele sorriso metálico.
Convivi com este sentimento por duas semanas. Sempre passando ao lado da Renatinha e esperando encontrar um olhar de resposta, uma mexida no cabelo, mas nada acontecia. Certa vez, já angustiado pela gravidade da situação, tomei uma decisão drástica: Falaria com ela naquela manhã.
Assim que cheguei ao colégio eu a vi descendo do carro de seu pai. Corri em sua direção e ao chegar próximo disse que precisava devolver o material a mim emprestado semanas antes. Para minha desagradável surpresa, ela simplesmente pegou o material e disse um “Não há por quê!” e virou-se para entrar no colégio. Nem um sorriso, nem um olhar. Nada. Absolutamente nenhuma importância me foi dada.
Renatinha nunca soube de minha paixão. Eu nunca mais falei com ela, nem vi aquele sorriso novamente. E em alguns momentos penso que aquele sorriso foi feito só para mim, e ninguém mais viu algo parecido nos lábios de Renatinha.
Foi então que elaborei uma teoria que levei para o resto da vida. As pessoas nada mais são do que uma sucessão de diferentes pessoas que se multiplicam no espaço-tempo. Eu me apaixonei por uma Renatinha que estava presa no espaço e no tempo. Foi meio segundo de amor total e dedicação exclusiva. Aquele simples sorriso me deixou sem rumo por dois meses e ainda hoje, quando rezo e procuro pensar em coisas boas, me vem à cabeça aquele brilho metálico do sorriso de Renatinha.

COMO ERAM BELOS OS ANOS 80...

Abraço,
WML

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03/02/2007
Furos jornalísticos
Bem... sempre tive fé cega e dois pés atrás com a imprensa! Mas nunca me animei a escrever algo a respeito. E não será agora, deixo este trabalho para quem entende mais do que eu!

É divertido atentar alguns “furos jornalísticos” da imprensa! e preocupante também....


Os jornalistas de gabinete
Por Carlos Brickmann
Todos os meios de comunicação condenam severamente os responsáveis pela construção do metrô paulistano por ignorar sinais de que as coisas não iam bem, muito antes de se formar a grande cratera. A imprensa tem toda a razão – mas por onde andavam os repórteres, que também não captaram os sinais de perigo? Nas ruas, tentando levar a cidade para os noticiários, é que não era.
De acordo com as notícias divulgadas pela imprensa em geral, houve problemas em muitas edificações em todo o trajeto da linha 4 do metrô – a Linha Amarela. Também de acordo com o noticiário, surgiram trincas nos imóveis próximos ao túnel que desabou, houve reclamações, mas nada foi levado em conta até que sete pessoas morreram e toda a região em volta foi engolida pelo buraco. Como se explica que, com tantos sinais, tantos indícios, tantas reclamações, a imprensa não tenha ido atrás dos fatos?
A explicação é triste: por uma série de fatores, o normal é que hoje o repórter só vá às ruas com uma pauta para fazer – isso quando vai às ruas, em vez de se contentar com telefone e internet. Circular à toa, em busca de informações, nem pensar. Cultivar fontes, que passem em primeira mão informações exclusivas, é coisa trabalhosa, cansativa. E, como dizia a velha anedota, às vezes o repórter volta à redação sem executar a pauta porque houve um tremendo incêndio no caminho, com dezenas de vítimas, e não foi possível chegar ao local da matéria.
Um excelente repórter, Ricardo Kotscho, daqueles que preferem descobrir suas matérias a simplesmente executar pautas pré-fabricadas, pergunta: "Quantas outras armadilhas estarão espalhadas pela cidade nesse momento, e nós não estamos sabendo porque a nossa imprensa foi cada vez mais se afastando da realidade do nosso dia-a-dia?"
John Kenneth Galbraith, um dos mais brilhantes assessores do presidente Kennedy, abre um esplêndido livro, O Triunfo (editado no Brasil pela Nova Fronteira, em tradução de Carlos Lacerda), com uma descrição do trabalho da imprensa. Um país subdesenvolvido vive uma imensa crise, e nenhum meio de informação se preocupa com ela. Quando finalmente há um golpe, a imprensa despacha seus grandes nomes, que chegam ao local alguns dias depois e descrevem o que aconteceu – errado.
O caso do metrô paulistano mostra como a imprensa se tornou prisioneira da pauta e, salvo algumas exceções, abandonou a busca por notícias quentes e exclusivas. Na inauguração de Brasília, o jornalista Júlio de Mesquita Filho, o notável condutor de O Estado de S.Paulo, criticava o arquiteto Oscar Niemeyer por seu hábito de projetar prédios subterrâneos. E dizia que o Congresso, sob o tórrido sol do Planalto, não funcionaria se faltasse luz.
Nossa imprensa sofre do mesmo problema. Tem gente preparada, pós-graduada, com cursos no exterior, falando múltiplas línguas e entendendo tudo de semiologia cognitiva avançada, mas deixa de funcionar quando pifa a banda larga.

A vida...
Lembra daquele guindaste que ameaçou cair, quando se abriu a cratera do metrô paulistano? Pois é: segundo o noticiário daqueles dias, o guindaste pesava 50 toneladas. Agora, quando o guindaste foi retirado, já pesava 120 toneladas. Está pior do que este colunista: bobeou, engorda rapidamente.

...como ela éEm cinco dias, noticiam nossos meios de comunicação, repetindo informações das empreiteiras, foram retirados três mil caminhões de terra da cratera. Dá mais de um caminhão a cada três minutos, ininterruptamente, dia e noite, com sol ou chuva. Só que não era isso, não. Não havia tanto tráfego assim. E temos de levar em conta a multiplicação dos caminhões: quando tudo começou, eram 150. Onde será que arrumaram o resto?

Jogo pesado
Parece que em política vale tudo, menos jogar limpo. Um intelectual respeitado, famoso, que vem sistematicamente batendo no governo federal, contou outro dia uma história fantástica. Trata-se de uma conversa que teve há cinco anos, conforme disse, com um rapaz da Baixada Fluminense. O rapaz não o conhecia, mas deve ter gostado muito dele. Ficou íntimo. Contou-lhe tranqüilamente que tinha um tio delegado que mandava matar bandidos, deu-lhe detalhes das milícias que, na época, iniciavam a ocupação dos morros cariocas etc., etc.
Pergunta nº 1: por que guardar tanto tempo essa entrevista tão interessante? Como é que alguém que tem espaço nos meios de comunicação segura essas informações exclusivas e cheias de impacto?
A folhas tantas, o ilustrado jovem diz ao intelectual que é possível resolver o problema do narcotráfico dentro da lei. Se foi feito em Nova York e Medellín, comenta, por que não no Rio?
Pergunta nº 2 : se a entrevista foi feita há cinco anos, nesta época Medellín não tinha resolvido problema algum, nem dentro nem fora da lei. Até já tinha começado a enfrentar a Máfia da Cocaína (o capo Pablo Escobar tinha sido morto, seus sucessores eram perseguidos), mas a pacificação da cidade é bem mais recente – o presidente da República proclamou vitória há um ano, aproximadamente. Como um rapaz da Baixada Fluminense, por mais inteligente que fosse, saberia de um fato que ainda não havia acontecido?

O fato e a versão
Um jornal importante informou que o promotor Igor Ferreira da Silva – que assassinou a esposa grávida, foi condenado a 16 anos de prisão e está foragido há mais de cinco anos – continuou tendo seus salários depositados por muitos e muitos anos. A promotora que acusou o assassino protestou, dizendo que o pagamento foi suspenso no dia seguinte ao do julgamento, quando se tornou claro que o condenado havia fugido. O repórter insiste: diz que houve o pagamento, sim.
Só que esta não é uma questão de afirmar ou negar. Não se trata de opinião, mas de um fato. Se o repórter sabe que o promotor foragido continuou recebendo seu salário por muito tempo (a propósito, esta é a informação de que este colunista também dispunha), não basta reafirmá-la: é preciso apresentar as provas. Da mesma forma, a promotora deve ter em mãos os documentos do que afirma, para liquidar o assunto de uma vez por todas.
Este colunista espera que, no intervalo entre a redação e a publicação deste "Circo da Notícia", a questão já esteja resolvida e se saiba quem estava enganado.

Como é mesmo?
Texto de moda lembra muito os de rock e os de informática: normalmente, só são entendidos por quem já sabe do que se trata (e, portanto, não precisa ler a notícia). É sempre assim – mas, da mesma forma, sempre há algum que se destaca. Veja só que delícia:
"Fiel ao seu estilo, a marca aposta numa imagem de modernidade que já foi considerada ousada pelos mais conservadores, e até um pouco estranha, mas hoje parece um pouco antiga em relação ao que é ser contemporâneo na maneira de se vestir."
Madame Natasha, professora de piano e português, ótima personagem criada por Elio Gaspari, diria que o que se quis dizer é que as roupas já foram modernas, mas hoje em dia são mais antiquadas do que usar máquina de escrever.
E este, então? Não reclame: está mantido o texto original.
"A vítima mortal foi atingido a tiro no abdómen e faleceu já no hospital da Guarda, onde se encontra internada, mas livre de perigo".
Claro: depois de falecer, que perigo poderá ameaçar a vítima mortal?

Os textos foram originalmente publicados no site do Observatório da Imprensa
Abraço,
WML


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16/12/2006
O dia em que conheci o Master System

"E era como se jogassem Space Invaders
Perdendo mais dinheiro de muitas maneiras
Vivendo num planeta perdido como nós
Quem sabe ainda estamos a salvo"

Petroleo do Futuro, 1984, Renato Russo/Dado Villa-Lobos

No último mês a Nintendo lançou sua nova geração de console para games, o Wii. Há muito eu não via tanto excitação por um lançamento. Entusiastas e profetas dizem que estamos diante de uma revolução no sistema de entretenimento, vendo na Nintendo uma espécie de Prometeu pós-moderno, que roubou o Wii dos deuses e o trouxe aos mortais.
Todo esse “frisson” me fez lembrar do que sentia na primeira vez que vi um videogame depois do Atari. Era o Master System.
Não tinha 15 anos. Talvez uns 13. Cheguei em casa correndo, apressado para trocar de roupa, almoçar e ir jogar videogame na casa do Pedro. Ele havia ganhado um Master System no Natal, mas só naquele momento, 3 meses depois, sua mãe o deixava nos chamar para jogar. A mãe dele era daqueles tipos que dão presente para o filho mas só deixam brincar quando estão por perto e depois vão esquecendo e aí sim que começa a diversão do filho.
Estava ansioso. Eu vivia pedindo à minha mãe um videogame de presente. Passava meu aniversário, dia das crianças, Natal e nada de ganhar. Ter um Atari era um sonho distante. Jogar space invader no fliperama na rua de trás da minha casa era minha única diversão. Isso escondido de minha mãe, pois ela falava que joguinhos era coisa de vagabundo marginal.
Agora, com o presente do Pedro, eu tinha a oportunidade de jogar tranqüilamente na casa dele jogos ainda melhores que os de fliperama!
Pois bem, cheguei, juntei meus Quichutes para baixo da cama, passei pelo chuveiro molhando os cabelos e fui comer. Devorei em não mais do que 5 minutos um bife, porção de feijão e arroz e umas folhas de alface. Tudo naquele momento tinha o mesmo gosto, empurrado garganta abaixo com ajuda de um copo duplo de refresco.
Terminado o prato, corria para a porta, como quem se joga de um prédio, quando minha mão gritou: - Onde você pensa que vai ?
- Vou para a casa do Pedro, respondi.
Então ela falou que só poderia sair de casa depois dos deveres da escola feitos. Disse que na escola estavam reclamando que eu além de não fazer as tarefas, era mal educado e respondão, e ainda ficava de bate-papo durante toda a aula.
Tentei explicar a minha mãe que no que a parte de não fazer tarefa era verdade (eu achava aquilo muito chato!) mas que mal-educado eu não era. Eu apenas tratava os professores como eles me tratavam. Mas não adiantou. Após tomar uma bronca exemplar e sob ameaças de ficar um mês de castigo, eu fui condenado a fazer todos os exercícios pendentes.
Pois bem, como um condenado à forca, segui para meu quarto a fim de fazer as incontáveis páginas de conjugação de verbos defectivos e as malditas equações com números negativos! Não menos do que três horas de diversão foram jogadas no lixo, mas bem no final de Armação Ilimitada eu finalmente havia conseguido terminar a odisséia.
Precisava sair de casa sem ser percebido, para que minha mãe não lembrasse do castigo.Fui pela porta dos fundos, cruzei o quintal e finalmente cheguei à rua. Agora era só andar as duas quandras que me separavam do Master System do Pedro.
Chegeui à casa do Pedro suado e ofegante para jogar. À porta, gritei e fui entrando. Quando vi o Pedro fui logo falando para pegar o videogame. Ele pediu para sua mãe, que deixou. Fomos para o quarto e lá estava ele em cima do armário. Estava na caixa, ainda no plástico. Quando abrimos eu fiquei emocionado. Era lindo, com detalhes em vermelho (não preto como os Atari), seu controle era diferente, quadradinho, e não entendi como funcionava, pois não tinha a alavanca comum nos vidogames de então. Pedro me explicou como usar o novo controle e admito que não gostei, achei uma idéia imbecil substituir o joystick por aqueles botõezinhos. Bem, eu queria mesmo era jogar, e perguntei para o Pedro onde íamos colocar. Mas aí meu mundo caiu. A TV deles tinha queimado e o pai do Pedro havia levado para o conserto. Fiquei com o videogame não mão sem saber o que fazer, depois tive a idéia de ir jogar lá em casa, mas o Pedro falou que nem ia pedir para a mãe dele pois ela não ia deixar.
Triste, fui embora. Não queria ficar na casa do Pedro, aturando a mãe dele e ao lado do videogame dos meus sonhos sem poder jogar. Caminhei devagar, como quem segue em um funeral. Chegando na rua de casa eu decidi que precisava matar a vontade de jogar. Fui até a rua de trás para jogar fliperama. Peguei duas fichas fiado com o seu Carlão e joguei. Quando estava ainda com 1.000 pontos da primeira ficha sinto uma mão me puxando para fora do bar. Era minha mãe que estava voltando da quitanda e me vira no fliperama. Fui para casa escutando uma bronca espaçada por uns tapas na bunda. Resumo: não joguei nada, não conheci o Master System e ainda ganhei um mês de castigo para não “queimar dinheiro” (como disse minha mãe) com vadiagem.

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15/11/2006
Eu odeio rodeio SIM! ou Faça cócegas na sua mãe e a monte para ver se ela gosta!
Há algumas semanas, em entrevista à rede Globo de TV, Rita Lee manifestou (em raro momento de lucidez e bom senso) sua opinião a respeito da crueldade praticada contra animais no triste espetáculo do ensandecimento chamado “Rodeio”. (confira aqui: http://www.youtube.com/watch?v=1_nPedILs1g )
É claro que uma crítica tão mordaz como a de Rita, feita em pleno horário nobre contra um negócio que movimenta mais de R$1.000.000.000 (isso mesmo, 1 bilhão!!) só no Brasil, não ficaria sem resposta. Ainda mais com toda a “simpatia” que a própria Globo nutre por este seguimento.
Então, foi assim que a Fantástico fez a reportagem que pode ser vista aqui (http://www.youtube.com/watch?v=rTHgRUJx53k&mode=related&search), onde o ponto alto é a manifestação intelectual de um ilustre desconhecido membro da comunidade científica brasileira (o professor da Universidade Estadual Paulista, Sr. veterinário Tenório de Vasconcelos) onde atesta que a razão pela qual os animais de rodeio pulam convulsivamente é simplesmente cócegas. Através de um método “científico” ele explica que após os “espetáculos” os bovinos ainda são capazes de copularem e se alimentarem, sendo isso uma prova “irrefutável” de que se encontram em perfeito estado, sem qualquer sinal de tortura física ou psíquica! (orgulhe-se por termos este gênio entre nossos compatriotas!!)
Pois vem-me então aquela vontade louca de bicar tudo... mas não, só vou colocar aqui algumas informações (estas sim, ao menos verossímeis!) sobre os Rodeios.
Para que o rodeio seja emocionante e empolgue, é necessário que os animais pareçam bravios e raivosos, para só então serem domados pelos valentes peões. Com o intuito de conseguir esta imagem de “selvageria” dos animais e com o fim de que estes se assemelhem a bestas indomadas, outras bestas (os peões e organizadores do evento) utilizam-se de delicados apetrechos, dos quais falo só de dois:

Sedém: Espécie de cinta, de crina e pêlo, que se amarra na virilha do animal e que faz com que ele pule. Momentos antes do animal entrar na arena, o sedém é puxado com força, comprimindo ainda mais a região dos vazios dos animais, provocando muita dor. (ou cócegas, como disse nosso ilustre veterinário! Desde que seja dentro da definição do Houaiss - sensação particular, podendo ser irritante, que provoca movimentos espasmódicos)

Choques Elétricos e Mecânicos: Aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada à arena.

Além disso, utilizam-se esporas, peiteira, polaco (sinos presos ao animal para irritá-lo) entre outros instrumentos de tortura.

Como alguns Cowboys de Brokeback Mountain estudiosos do assunto podem alegar que eu não tenho autoridade para manifestar-me a respeito de rodeios e invoquem contra minhas palavras toda a autoridade do homem das cócegas, Tenório de Vasconcelos, achei por bem fazer uso de um “Parecer Técnico” sobre a potencialidade lesiva de sedém, peiteiras, choques elétricos e mecânicos e esporas em cavalos e bois durante a prática de rodeio.
Um dos pensadores é a professora Júlia Matera, presidente da comissão de ética da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP:

“A utilização de sedém, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas gera estímulos que produzem dor física nos animais, em intensidade correspondente à intensidade dos estímulos. Além da dor física, esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais, uma vez que eles têm capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos à sua integridade”.

Já a Dra. Irvênia Luiza de Santis Prada, professora titular emérita de anatomia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, diz na obra “Diversão humana e sofrimento animal – Rodeio”:

“O sedém é aplicado na região da virilha, bastante sensível já por ser de pele fina mas, principalmente, por ser área de localização de órgãos genitais. No caso dos bovinos, o sedém passa sobre o pênis e, nos cavalos, pelo menos compromete a porção mais anterior do prepúcio. [...]
Quanto à possibilidade de produção de dor física pelo uso do sedém, a identidade de organização das vias neurais da dor no ser humano e nos animais é bastante sugestiva de que eles sintam, sim, dor física. O contrário é que não se pode dizer, isto é, nada existe, em ciência, que prove que os animais não sentem dor com tal procedimento.”“
(O grifo é nosso!)

Pois bem, se tudo isso ainda não convence que Rodeio não é esporte (como o atestou o então Ex.mo Sr. Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, sabe Deus por quais pressões de “forças ocultas terríveis”), deixo que as cenas falem por si mesmo. Pode-se ver no link abaixo alguns exemplos de como estes felizes animais, que saltam em rodeios como o de Barretos por pura alegria e movido por cócegas, são exemplarmente bem tratados.

Crueldade: Descorna, Golpes e Marretadas, Choques Elétricos e Mecânicos:
http://www.youtube.com/watch?v=7ZI1z_OxNfw

Além disso segue um parecer jurídico onde “fica demonstrado à sobeja a ilegalidade e a inconstitucionalidade dos rodeios.”
O parecer foi apresentado por:
Edna Cardozo Dias - OAB/MG 10454
Doutora em Direito pela UFMG
Curso de Especialização em Criminologia pela Academia de Polícia de MG
Pós Graduada em Direito Público

O parecer: http://www.geocities.com/sos_animal/legislacao/rodeio.htm

abraço,
WML

Obs.: Grande parte das informações sobre laudos técnicos aqui apresentadas foram retiradas do site:
http://www.pea.org.br/crueldade/rodeios/index.htm


Se todos fossem igauis a você, o mundo comeria menos bife!

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03/11/2006
Idiotas invadem a Terra – um manifesto contra a Idiotice

“Contra a estupidez até os Deuses lutam em vão."
Schiller



Senhores, cuidado... os Idiotas invadiram a Terra.
Eles chegaram com suas caras de cínicos, seus olhos esbugalhados, caretas e testas franzidas, com gestos ensaiados, frases prontas e clichês, e nós não demos importância, pensamos que não representavam perigo.
No colégio, os Idiotas eram garotos que tiravam boas notas mas não tinham idéia do que fariam para a Feira de Ciências. Sabiam resolver a equação de 2º grau mas nunca imaginaram para que servia. Decoravam que o carbono era tetravalente, mão não tinham noção de que seu corpo era só carbono. Podiam papaguear todas as características do Parnasianismo mas nunca entenderam um poema de Manuel Bandeira.
Pois então, logo logo, nós, os que se achavam Sagazes, imersos em nossa arrogância e superioridade, delegamos aos Idiotas as funções subalternas, a política e a administração, para as quais não tínhamos paciência nem disposição, queríamos atividades intelectualmente mais inquietantes para nós.
Depois, vendo que os Idiotas eram ótimos em atividades idiotas, encontramos a chance de nos livrarmos de outra atribuição boçal: a de coordenar os Idiotas. Foi desta forma que atribuímos aos Idiotas os postos de comando subalternos e medianos (encarregados e supervisores nas empresas, secretários e ministros e deputados no Governo).
Foi aí que nossa cova começou a ser cavada.
Além de idiotas, alguns Idiotas possuíam características que os transformaram em inimigos nefastos e perigosos. Muitos eram pseudo-intelectuais, que enganavam os menos astutos, outros decoraram tantas frases de efeito, palavras ininteligíveis ou vernaculares ou construções gramaticais alienígenas (como “proatividade”, “task force”, “estaremos analisando e enviando um feedback o quanto antes”, entre outras) que conseguiram transformar a comunicação em algo infecundo e ineficiente, a ponto de nem nossos mais astutos filólogos os compreenderem, sendo isso possível apenas a outro Idiota. Porém, o mais perigoso dos Idiotas eram os que não pareciam idiotas. Eles foram os comandantes desta revolução surda-muda e imbecil que nos dominou a todos. Eram os Idiosincratas, fundadores da idiocrasia, religião/filosofia/política idiota.
Foi com base no pensamento de que as pessoas podem ser diferentes desde que não deixem de ser iguais que os idiotas tomaram o poder.
Este discurso, impenetrável para mentes sadias e perspicazes, fez “casa” nas mentes menos privilegiada de nossos cidadãos, aqueles que não eram Idiotas mas estavam longe da sobriedade intelectual, e com as ações dos pseudo-intelectuiais Idiotas, difundiram esta idiotice.
Tudo isso impulsionado por uma descoberta dos “sócio-cientistas“ idiotas: Nunca foi possível transformar Idiotas em pessoas Sagazes, entretanto é possível e relativamente fácil transformar os Sagazes em Idiotas através de um processo simples, rápido e irreversível!
Assim, como um câncer, um sarcoma, uma epidemia, os Idiotas foram idiotizando o planeta, as empresas, o governo, as associações de moradores, as ongs, as igrejas, o armazém da esquina e a quitanda do Seu João. Em pouco tempo os Idiotas já dominavam todos os cargos de liderança de terceiro e segundo escalão. E mostram que em breve a Idiotice avançará para o topo da pirâmide.
Hoje já se pode notar a presença de Idiotas nos mais altos postos de comando do Brasil e do mundo.
O homem mais poderoso do mundo, George Bush é um Idiota padrão, com sua máquina de guerra, mandando armas para Israel e o “canhão” Condoleezza Rice ao Líbano.
Entre os Idiotas nacionais, Lula, com seu discurso populista, tão ligth que não engorda nem a economia, é o Idiota-mor da nação. Mas Alckmim não fica longe, com sua cara de perfeito idiota e gestos de gerente de banco. Heloísa Helena vem atrás, idiotalizando as mentes mais à esquerda, assumindo textualmente que não pretende fazer tudo o que promete.
É o fim... os Idiotas do mundo já uniram-se... Somos escravos da epilepsia cerebral, da morosidade neurônica, da fraqueza de caráter, das sinapses frouxas e das frases de efeito.
É por tudo isso, companheiros de cárceres intelectual, que (principalmente nas Eleições de outubro) precisamos mostrar nossa agudeza de espírito e não nos deixarmos sermos alvos do “toque de Midas” idiota, que nos amolecerá o tecido cefálico e nos fará repetir as mesmas frases para todo o sempre.
Sagazes do mundo, uni-vos!
Não se torne um idiota como os que estão aí...

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30/07/2006
Superman - O Retorno
Acabo de assistir ao filme “Superman – O retorno” e não resisti, preciso escrever sobre aquilo.
Vamos às minhas impressões, que não são de crítico de cinema, nem fã do Superman, apenas um telespectador padrão, que entrou na sala em busca de um filme para fechar a semana.
Pois bem, o filme é um “corta” e “cola” de tudo que há de mais batido na prosa de todas as línguas do mundo.
Lois é apaixonada por Superman, que a abandonou e sumiu no mundo. Depois de 5 anos Superman volta mas a mocinha está casada e com um filho (adivinhem a idade da criança... bingo para quem apostou 5!)
Ela evita encontrar com seu antigo amor, mas chega um momento em que seu coração fala mais auto e ela então beija o Herói. Sentindo-se culpada, ela volta para o seio familiar.
Enquanto isso, Lex Luthor está prestes a dominar o mundo, destruindo os EUA e matando milhões de pessoas!
È óbvio que em certo momento, não sei como (acho que devo ter me distraído com a pipoca!) Luthor tem Lois e seu filho como reféns e o Superman está a caminho para salvá-los.
No meio do caminho ele fica em dúvida se salva as milhares de pessoas ou seu amor, decide dar um “jeitinho” antes em NY antes de ir ao encontro de Lois!
Pois, bem, quando tudo parece perdido e o capanga de Lutuor prepara-se para matar Lois, o filho dela joga um piano no malvado!(será que o garoto é filho do Superman!?)
No final, Superman salva a humanidade, mas quase morre e é internado em coma!(não ria, que não foi eu quem escreveu o roteiro! Deve ter sido o Carlos Manga!)
Pois bem, a cena seguinte é comovente.
Lois vai ao hospital, o Superman está deitado, em coma, dopado, com os sinais vitais fracos, Lois conversa com ele, como se ele não estivesse ouvindo, diz baixinho que ele é o pai de seu filho e sai.
Na cena seguinte, surpresa: O Superman não está mais em seu quarto, ele ficou Bom!!!
O filme é emocionante. Quase tão bom quanto ma novela das seis!
abraço, WML

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02/07/2006
Fim da Copa do Mundo para nós

"Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa"

Por enquanto - R. Russo, 1981


Não há limites para a estupidez humana...e nem ara a desilusão. O Brasil acordou hoje com uma tremenda dor de cabeça, com uma ressaca de quem se lembra apenas vagamente do que aconteceu na noite anterior. Por um instante chega acreditar que nada de sério ocorreu, mas logo vêem os jornais da manhã, os noticiários da TV e o vizinho lembrarem o motivo da enxaqueca: O “melhor time do mundo”, os astros do futebol foram derrotados pela França! Filme velho... ainda fresco na memória, engasgado, na garganta e com nova versão transmitida ao vivo diretamente da Alemanha! Ao País do futebol, agora resta tão somente assistir apaticamente a Copa do Mundo, e ver até onde chega o Show de Zidane e cia. A derrota da seleção veio exorcizar alguns fantasmas de 98. Quem ainda nutria a doce ilusão de que a Copa de 98 nos foi “roubada” pela Nike, FIFA ou França pode reconsiderar. Ontem ficou claro que a seleção pode sim jogar tão mal (ou ainda pior) do que naquele fatídico dia em Paris. Agora não há desculpas médicas nem conspirações. Algumas verdades precisam ser ditas. A seleção brasileira não é o “Dream team” do futebol. Se não jogar bem, perde. As cinco estrelas no peito não são garantia de vitórias e nem podem ser trocadas por gols. A seleção é um retrato do espírito brasileiro: arrogante e sempre achando que “na hora” tudo se resolve e acaba bem. Ontem, os 11 titulares que entraram em campo NUNCA haviam jogado junto anteriormente, NUNCA haviam treinado taticamente ou feito coletivos, e assim, NUNCA venceriam a França. Parreira usou a forma tipicamente brasileira de gerenciar. Acreditou que sua seleção, “na hora” daria um “jeitinho” e resolveria o problema. Pois bem, o “jeitinho” não veio e nem o “salvador” despertou. Esta expectativa de que um “salvador” aparecerá para resolver todos os males também é um traço de nós, sofridos latinos. Confiamos (na vida, na política e no futebol) na genialidade, nos grandes líderes, no surgimento de craques quase messiânicos. Infelizmente, ontem, nenhum dos 14 jogadores que estiveram em campo teve a “revelação” e nem atendeu o “chamado” do povo brasileiro por um milagre. Sem o “jeitinho” e sem o “salvador da pátria” a coisa dependia então do fator em que somos mais fracos: do trabalho, da preparação. Parreira não treinou o suficiente, não teve tempo, disposição e nem vontade, afinal tinha o melhor time de futebol dos últimos tempos, ou até mesmo o melhor de toda a história segundo alguns entusiastas. Para a comissão técnica este time não precisava de treino, eram todos “salvadores da pátria”, craques natos. Pois bem... o resultado até o mais desligado dos brasileiros sabe: França (classificada) 1 x 0 Brasil (eliminado da Copa).
abraço,
WML


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19/06/2006
Arroz e Feijão

"Há sempre um tempo no tempo em que o corpo do homem apodrece
E sua alma cansada, penada, se afunda no chão"

Tempo Perdido - Os Mutantes, 1968

Sempre pensei que não sabia o que queria da vida. Hoje, aos 78 anos, sentado aqui na varanda, eu vejo que a vida é que nunca quis muito de mim. Tive uma infância comum, sem muita alegria... sem muita tristeza. Uma adolescência sem traumas, sem muitas loucuras. Completei a graduação sem motivos de vergonha, mas também sem muitos méritos. Consegui um emprego nem bom nem ruim com um salário nem bom nem ruim. Casei com a mulher da minha vida aos 26. O estranho é que quando ela morreu, tentei ficar triste, chorar, quebrar tudo, mas faltou-me ânimo... dias depois estava jogando sinuca com qualquer um no bar da esquina. Tive filhos que não me abandonaram e ligam umas 3 vezes no ano. Netos que nunca me maltrataram, nem me visitaram mais do que umas 2 vezes na vida. Meus amigos não sumiram no mundo, moram ainda nas mesmas casas da infância e nos vemos todo mês para jogar cartas. A coisa mais inesperada que aconteceu na minha vida foi no dia em que ao acabar de compra um sorvete com 3 bolas, ele escorregou da minha mão sem que eu ao menos encostasse minha boca. O dia estava quente, o sol castigava minha nuca. Quando ouvi o vendedor de sorvetes. Não hesitei. Pedi um sorvete com três bolas de chocolate. Assim que paguei e me virei para degustar a iguaria, a gravidade fez seu trabalho. A maior tragédia foi ter caído na malha fina do Imposto de Renda de 1995! Usei recibos de tratamento dentário conseguidos por uma prima de uma cunhada que era auxiliar de uma dentista no centro da cidade. Não deu outra, o fisco suspeitou e fui indiciado. Mas tudo acabou bem por ajuda de um sobrinho meu que tinha um amigo na Receita federal. Meu time foi campeão algumas vezes na vida, perdeu outros tantos campeonatos e fui síndico de meu prédio quando o antigo fugiu com uma índia para o Haiti. Fiquei uma semana no cargo até fazermos novas eleições. Eu tomei algumas medidas que ainda podem ser notadas. Mandei pintar o teto do hall de bege (antes era creme) e troquei os quadros da recepção de lugar (até hoje ninguém reparou que a cópia de um Van Gogh está de ponta cabeça!) Não fumo, não bebo. Também não leio, ouço música ou pratico esportes. Acho tudo isso muito chato. Assisto TV e quando não tenho mais o que ver ou me canso das listras coloridas venho para a varanda contemplar a crianças irem para o colégio. Passam meninas lindas... faladeira. Fico imaginando as velhas que se tornarão. Com dores nas costas reclamando da vida com seus maridos, lamentando o que deixaram escapar e por terem que cozinhar todos os dias o mesmo arroz com feijão.
abraço,
WML
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14/05/2006
115 ataques! (será que isso também vai virar filme!?)

"Dizem que ela existe pra ajudar! Dizem que ela existe pra proteger" "Polícia para quem precisa"
Polícia - Titãs, 1986
Eu digo: Nós precisamos de polícia!

115 ataques, 60 mortos, 226 reféns. Este é o saldo até agora do ataque em São Paulo. A morte de 111 presos do Carandiru virou símbolo dos maus tratos sofridos pelos detentos brasileiros nas penitenciárias deste país, em horas Organizações de Direitos Humanos em todo o mundo vieram apedrejas a ação da polícia, em minutos toda a mídia discursava, dando voz às vidas perdidas. Hoje, dia 14/05/2006, algo muito mais grave acontece.
Uma organização criminosa dominou o estado mais importante da Federação, levando terror à população através do assassinato sistemático e metódico de policiais, bombeiros e outros agentes da Lei. Entretanto, até o momento, nenhuma entidade de direitos humanos veio clamar pela punição dos responsáveis pelo massacre, nenhum meio da mídia cobrou dos criminosos ações mais dignas e condizentes com a vida humana.
O estado está sendo destruído, desmanchado ao vivo pela tv, e os comentaristas (antes, no caso Carandiru, tão “donos da verdade” e firmes em suas posições) não sabem o que dizer, ficam mudos frente às câmeras, lamentam as mortes... apenas isso: lamentam!
Hoje, 60 pessoas, que tinham como profissão defender a população e manter a lei e a ordem, foram executados e tenho vergonha, revolta e um profundo desprezo por nossas Instituições ao profetizar o sabido: Poucos serão os detidos, menos aindo os diretamente envolvidos, e, tão certo quanto o tiro certeiro que a democracia sofreu hoje, digo que ninguém será culpado por estes homicídios!
E se nossos intelectuais e políticos apenas lamentam, eu é que lamento ter que chegar a uma triste constatação: o Massacre do Carandiru, não foi massacre, foi limpeza!
Abraço, WML!

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05/05/2006
Workaholic

"Ora bolas | não me amole | com esse papo | de emprego | não tá vendo |Não tô nessa | e o que eu quero |é sossego"
Sossego - Tim Maia, 1978

Chegava em casa às 22h00! Antes disso, passava na padaria para comprar uns “sonhos” e pão para o dia seguinte. Caminhava do trabalho até a padaria com passos curtos, sem pressa, saboreando cada pedaço da orla carioca. Ao sair do trabalho negava as caronas dos colegas de escritório e evitava qualquer ônibus ou tumulto. Nunca falou para sua mulher, mas o que mais lhe dava prazer na vida era a volta do trabalho, e não o trabalho em si. Sua mulher imaginou amantes, transações ilegais, formação de quadrilha, doença e até mesmo uma vida de dupla sexualidade, entretanto, ainda assim, nunca entendeu por que ele ia tanto ao trabalho: sábados, domingos e feriados consumidos por dias inteiros dedicados ao escritório de contabilidade!

abraço,
WML

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02/05/2006
Gordinho decide Morrer

"A gente não quer só comida,
A gente comida, diversão e arte"

Comida - Titãs, 1987

Acuado pela série de denúncias feitas por diferentes veículos da Imprensa (O Globo, Veja e Folha de SP) e sem se dar ao trabalho de refutar tais “calúnias”, o Ex-Governador , ex-Secretário de Segurança, Atual Marido da Governadora do Rio e pré-candidato a candidato a Presidência pelo PMDB, Garotinho simplesmente decide morrer.
Bem... é isso a que sou levado a pensar frente às exigências que o Gordinho Gordinho fez. Ei-las:

1º - "que seja instituída uma supervisão internacional no processo político-eleitoral brasileiro, assegurando a igualdade de tratamento a todos os candidatos, com acompanhamento de instituições nacionais que tradicionalmente defendem a democracia"
2º - "que os veículos de comunicação que fazem calúnias cedam o mesmo espaço para que a população possa conhecer a verdade dos fatos".

Se o Gordinho garotinho for realmente cumprir sua palavra de somente parar com a greve de fome quando suas exigências forem cumpridas, podemos encomendar o caixão. Pois, nunca vi exigências tão vagas e verborrágicas que as apresentadas!
Entretanto não acredito. Penso que realmente o que Garotinho gordinho queira mesmo é perder peso e entrar em forma para enfrentar seus companheiros do PMDB nas prévias do partido! Esta seria a hipótese que mais acho coerente, pois outra explicação do fato seria a de que Gordinho garotinho esteja mesmo é querendo chamar atenção do eleitorado, ficar com cara de mártir e “tumultuar o coreto” para não precisar dar explicação sobre o inexplicável (A Fesp repassou, sem licitação, R$ 112,5 milhões para três associações de cujas diretorias fazem parte sócios de três empresas doadoras para campanhas de Garotinho - http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u78060.shtml), contudo, tendo em vista a ética e os valores cristãos do referido cidadão, eu me nego a pensar que estes sejam seus reais objetivos.


Abraço,
WML

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27/04/2006
Confusão

"Quem sabe ainda sou uma garotinha
Esperando o ônibus da escola, sozinha
Cansada com minhas meias três quartos
Chorando baixo pelos cantos"
Malandragem - Cazuza e Frejat

Confusão. Pernas... pernas e mais pernas! Pernas completas: pé... canela... coxa e aquele osso sobre às coxas que aparece quando a mulher está em seu peso ideal, tendendo para a magra!
Também têm braços. Compridos. Na verdade o braço longo junto com o antebraço fazem um ângulo de exatos 30º, copiado das pinturas renascentistas! È a divina proporção!
Como tudo que é bom: inalcançável! 15 anos... talvez 16! Bem... daqui a dois anos não haveria problemas! Mas talvez também não haveria magia!
O grande problema é o sorriso. Ele me desconcerta! Talvez seja o excesso de sinceridade e a pitada de deboche que nos traz a adolescência. É. Isso é fato: é debochada. Olha para mim como os mesmos olhos que uma pizza olharia o esfomeado! Fique claro que não se trata de sedução! É aquele olhar que só as meninas que não sabem o que querem sabem fazer.
Têm também os dois furinhos na cintura, na fronteira que demarca o início da coluna lombar. É... Depois me perguntam por que não consigo prestar a devida atenção às aulas de inglês! È humanamente impossível. Não se pode olhar para a parede quando um anjo desce ao seu lado!
Ontem, para meu desespero e deleite, ela estava de saias. As saias cobriam até a metade das coxas. Que coisa! Eu sentado à frente dela e ela com suas cruzadas de pernas tão desajeitadas como deveria ser em uma amadora. As pernas não se encaixavam com a velocidade e com a destreza das mulheres caucazianas, e isso fazia com que no momento da cruzada uma paisagem do Édem surgisse à minha frente. Não me ache pedófilo, pois não sou. Juro que tentei evitar. Quando via que estava no momento de inverter a perna de baixo com a de cima, tentava não olhar, mas por algum motivo sobrenatural, sempre que as pernas estavam na maior amplitude possível, lá estava meus olhos a observarem o que não deveria ser visto!

Abraço,
WML


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25/04/2006
O Sopro do Dragão

"Parece cocaína, mas é só tristeza"
Há Tempos - Renato Russo, 1989




Às 1h15 da manhã do dia 11 de outubro de 1996, o morador de um apartamento em Ipanema, morria por insuficiência pulmonar e anemia causadas pela Aids. Seu nome: Renato Manfredini Jr.
Aos 36 anos e atendendo por Renato Russo, ele aceitou como ninguém os papéis que a vida e a fama lhe proporcionaram. Renato foi muito além de um músico e o letrista da Legião Urbana, uma das mais bem-sucedidas bandas de Rock do país.
Naquela madrugada de outubro, há nove anos, Renato nos deixava um legado que extrapolaria sua música. Aclamado pelos fãs, Renato foi elevado à categoria de poeta máximo de uma geração que o idolatrou como se faz a um messias. O garoto tímido, desajeitado e com óculos condensava todos os desejos e angústias da geração coca-cola.
Suas letras por vezes sutis como em Soul Parsifal (“com a saudade teci uma prece”) e em outras ácidas como em Perfeição (“vamos celebrar a estupidez humana”) tinha a capacidade de falar diretamente aos jovens e a quem já foi jovem. Política, sociedade, felicidade e tristeza, o Brasil, filosofia, homossexualidade, ditadura e, sobretudo, o amor foram assuntos abordados por este poeta que soube empunhar todas as bandeiras que atormentavam a juventude nas décadas de 80 e 90.
Perturbado pela doença e enclausurado em sua solidão, Renato negou-se veementemente a prolongar sua vida através de coquetel de remédios. O poeta que dizia nunca ter sido feliz na vida, soube encarar a Morte como poucos.
Leve e devastador como o Sopro do Dragão, Renato Russo deixou sua marca em todos aqueles que já ouviram suas canções ou leram seus versos.
Este anos completaremos 10 anos sem Renato Russo! Esta sim, foi a década perdida!

Abraço, WML

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20/04/2006
Dentes

"Não vou tomar café
Nem escovar os dentes
Vou de água ardente"


Pros que Estão em Casa, Hojerizah - 1985


Tive uma bela noite... Dor de dente... dor de dente...
Está aí uma coisa que iguala todos os homens. Além da morte e da diarréia, a dor de dente é mais uma daqueles acontecimentos que coloca ricos e pobres, bancos e negros, PSDB e PT, homo e heteros no mesmo patamar de reles humanos.
Sonheie que meus dentes estavam sendo arrancados por um Troglodita com um machado, depois que estava sendo metralhado mas que a única coisa que doía eram os dentes.



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02/04/2006
O Canto (rouco e desafinado) dos Cisnes

"Grana vale mais que a minha dignidade/ Estar no Chacrinha ou na televisão/ Tudo isso ajuda pra minha divulgação/ Isso quer dizer mais grana pra produção - e pra mim!"
Minha Renda, Plebe Rude, 1986




Li na revista Veja de 29 de março uma matéria sobre as mudanças pelas quais passam os artistas do mundo pop ao envelhecer e elogiava o Nasi do Ira! por saber envelhecer artisticamente, ganhando maturidade e produzindo trabalhos significativos. È duro ter que admitir, mas concordei com a Veja. A matéria realmente me atentou para um fato que até então não havia percebido: Por que o tempo transforma algumas bandas em referências musicais e outras (a maioria) num completo desastre?
Em Dezembro de 1984, a Legião Urbana surgiu entoando versos ácidos e sujos como “Desde pequenos nós comemos lixo [..] Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.” Os versos sintetizavam a rebeldia da juventude frente à Ditadura do Militares que dilacerava as Instituições e esquartejava a liberdade de expressão. Quatorze anos depois, em 1998, o último disco trouxe um lirismo sutil pregando que “existem muitos formatos /Que só têm verniz e não tem invenção / E tudo aquilo contra o que sempre lutam / É exatamente tudo aquilo que eles são”. Condensavam assim a desilusão gerada pela falta de opções no Neoliberalismo: um só caminho era possível na economia, na política e na sociologia, a Democracia estava consolidada porém a eqüidade social se mostrava (e mostra-se ainda hoje) utópica.
A Legião Urbana provou que soube envelhecer (ou foi salva pela fatídica morte de seu líder Renato Russo). A rebeldia agressiva e punk dos anos 80 deu lugar à contestação velada e lírica ao esquema liberal e à apatia humana. Musicalmente, a sucessão de acordes foi substituída por notas escolhidas a dedo, um som claro, simples e objetivo.
Infelizmente esta não é regra entre nossos “dinossauros” do rock. A Indústria fonográfica nacional descobriu que os antigos ídolos ainda podem render bons trocados e (fazendo das palavras de Renato uma profecia) começaram, sem nenhuma “invenção, a “passar verniz” em canções empoeiradas e nas atitudes ensaiadas dos antigos “rockeiros”.
Através de injeções de “MTV” na mídia e dinheiro nos bolsos, o Capital Inicial voltou com versos repletos de rebeldia enlatada para punks de butique, trazendo seus jovens senhores entoando composições novas que soam como velhas ou canções velhas que soam decrépita e ultrapassadas.
Já os Titãs, que fizeram fãs no underground, lançaram recentemente um disco “formatado” para as FMs batizado sugestivamente como “As dez mais”. Abandonaram a genialidade que os fez respeitados no passado, obras-primas como “Televisão” de 1985 (“A televisão me deixou burro, muito burro demais / Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais”) foram manchadas por lixos mercadológicos do naipe de “Como estão vocês?” de 2003 (“Gina quer ser capa de revista / Gina quer andar com milionário / Gina quer levar vida de artista / Gina quer posar pro calendário”) em um apelo tristemente mercadológico na tentativa desesperada de conquistar novos consumidores!
Por sua vez o Kid Abelha continua produzindo “mais do mesmo”, compondo melodias grudentas para meninas grudentas de colégios particulares que perderam o primeiro namorado grudento. É verdade que o Kid nunca foi um exemplo de inovação e criatividade com suas baladas românticas como “Alice (não me escreva aquela carta de amor)” e “Fixação”, entretanto os 43 anos de vida de Paula Toller não trouxeram a maturidade esperada às letras e canções como se pode ver na pueril “Peito Aberto” de 2005 (“Me pega e leva / Porque eu te amo / Andei fugindo mas estou aqui / derretido sentimental”). As letras adolescentes, quase imbecis, do Kid Abelha conseguem, no máximo, serem classificadas como simpáticas.
Realmente, para a maioria dos veteranos dos anos 80, a velhice chegou mas não trouxe com ela a elegância e a dignidade que geralmente os cabelos brancos nos proporcionam. Estes, até então artistas, utilizam o “método-avestruz” de resolver problemas: Enfiam a cabeça no Mercado pensando em suas contas bancárias e fingem não ver a qualidade pífia de seus trabalhos ou o vilipêndio atroz cometido contra seus ouvintes.

Abraço,
WML

Olha a pose dos moços:



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04/02/2006
Sem cão... nem gato no reino da Dinamarca!

"Deus, no traga paz na Terra,
por favor nos transforme em ateus."
Oração para a paz na Terra

Tudo estava tranqüilo. Sharon decidiu cortar a própria carne e retirou os colonos israelenses da palestina. Simplesmente recuou. Recuou e deu passo sem precedentes no caminho da paz no Oriente Médio. Teriam eleições na palestina e tudo indicava que outra democracia estava se formando. Pois bem... não é que Sharon decide virar vegetal logo neste momento! E que os palestinos elegem nada mais nada menos que o Hamas para comandar a nascente nação!
Em meio a estas insanidades do destino e dos palestinos, o jornal dinamarquês "Jyllands-Posten" publica caricaturas artisticamente geniais e politicamente letais sobre a vitória do Hamas! Nestas caricaturas, Mohamed (Maomé, O Profeta) aparece como um homem bomba!
Está feita a merda! A Dinamarca (país este que boa parte da população mundial vive e morre sem nem nunca ter ouvido falar) entra na “Lista dos Infiéis” do Islã! Manifestantes no mundo inteiro criticaram e se reuniram em frente às embaixadas do país escandinavo!
Isso só fez com que fique mais claro que a distância entre o Islã e o Ocidente está cada vez maior e que um período de agressões e ataques mútuos já iniciou!

Pois bem... acho melhor encontrarmos alternativas para as esfihas e quibes! De agora em diante, somente Hambúrgueres americanos!

Abraço,
WML
A imagem que está gerando briga...

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02/12/2005
O que será que será?
"Quando querem transformar Dignidade em doença
Quando querem transformar Inteligência em traição
Quando querem transformar Estupidez em recompensa
Quando querem transformar Esperança em maldição "

Renato Russo, 1965 - Duas Tribos, 1989

O lado bom de se ter poucos acessos no blog é que posso me sentir mais à vontade para falar de falar de qualquer assunto com mais liberdade, visto que ninguém vai ler mesmo!Posso assumir que não sei se fiquei triste ou feliz com a cassação do mandato do ex-Todo-poderoso José Dirceu. O cara tinha determinação e vontade de fazer algo no Brasil que pudesse durar décadas, o problema que este “algo” eu ainda não concluí se era bom ou ruim!Agora minha dúvida é em relação ao próximo ano. As eleições estão chegando e o que sempre foi muito simples para mim, votar, agora exigirá grande reflexão. Nas últimas eleições eu não tinha dúvida, pegava a urna e marcava 13 de cima a baixo, no entanto, em 2006 será diferente, não tenho mais a antiga determinação e nem minha fé no Partido continua com o mesmo vigor.É certo que as instituições podem tomar rumos equivocados, a grande questão e onde mora o perigo é quando o grande equívoco é a Instituição em si.O que será do Partidão? Será que continuará sua trajetória de monopolização do cenário político nacional ou se desmanchará em 1000 facções diferentes?Não sei. Eu não fiz minha escolha e você? (você quem, ninguém lê isso aqui memsmo!!rsss) A única coisa é que charutos cubanos passaram a ser somente charutos cubanos! Não têm mais nenhum significado político-esquerda-comunista de outrora!

abraçoWML



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20/11/2005
O inferno esquecido

"Angola...
De cujo triste sangue,
De negras e infelizes almas,
Se nutre [...] e conserva o Brasil.”
Padre Antônio Vieira (1608-1697)



O mundo está doente, tem câncer, um imenso tumor cresce no centro do mapa mundi. Nos escondemos em nossas salas, afundados no sofá com o rosto iluminado pela luz da TV, com a mente corroída pela programação imbecil da MTV ou entorpecida pelas questões socio-políticas-administrativas de nossos condomínios, preocupados com o aumento do preço da alface ou o fim da bolha especulativa da Nasdaq! Enquanto isso, a África sofre de um mal crônico: O descaso.
Países como a Angola, com expectativa de vida de 35 anos, 60 % de analfabetos e 4% da população adulta contaminada com o HIV (na África de Sul os soropositivos já somam 25% da população adulta), agonizam imersos em guerras civis e ignorados das agendas doas “grandes nações” e das manchetes de jornais.
Este ano, duas produções de Hollywood mexem nesta ferida. Em “O Jardineiro Fiel” dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, fica claro o descaso e a leviandade com que são tratados os doentes africanos durante testes com novas drogas. Os “estudos” feitos na África para desenvolver novos medicamentos da indústria farmacêutica são comparáveis (e em muitos aspectos superiores em atrocidade e descaso pela vida humana) às infelizmente famosas experiências dos médicos nazistas.
Em “O Senhor das Armas”, mostra-se um pouco de como as milícias africanas conseguem armas clandestinamente, contrabandeadas em sua maioria dos EUA, França, Inglaterra, Rússia e China, curiosamente (como ressalva o filme) os 5 países permanentes no Conselho de Segurança da ONU!
Um continente fustigado pelo sol, fatiado pelos interesses coloniais Europeus e imperiais Americanos, devastado pela fome, infestado pela Aids, esquartejado por décadas de guerras civis apoiadas pela indústria bélica, pilhado pelos grandes e esquecido pelo resto. Isto é a África “de cujo triste sangue, negras e infelizes almas, se nutre, anima, sustenta e conserva” o mundo!


Abraço,

WML



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07/11/2005
aquilo que me constitui é também o que me consome

"Quem sabe as trevas, quem sabe a luz Nem sempre é ouro aquilo que nos seduz Quem sabe se é hoje o dia de desanuviar”

Desanuviar, Os Mutantes 1974

Definitivamente não sei mais aquilo que sou. Apenas sei que “nem sempre é ouro aquilo que nos seduz” Por que as trevas me encantam? O caminho mais belo é sempre o mais tortuoso. O Mais rápido é também o mais chato. O óbvio é uma obviedade apática. Mas não é sobre isso que quero falar. Liguei hoje para aquilo que talvez será minha ruína. O que posso fazer, se “aquilo que me constitui é também o que me consome”? O mesmo fogo que me forjou também incendiou minha alma. Trataste-me como um troféu aos teus pés. Fizeste pose para a foto e depois o esqueceste onde me guardaste. As ligações se acumulam em teu celular. Os números somados seriam tão vultosos quanto meus erros. Por um instante minhas mãos suaram. Meu estômago experimentou o já tão esquecido frio na barriga. Os olhos não se fixavam. As palavras ficavam penduradas nos lábios, aguardando tua voz soar. Entretanto, tudo o que ouvia era o lacônico bip...bip....bip espaçado e a voz sarcástica dizendo que estavas “fora de área” ou “indisponível”. A verdade é que eu não tenho mais idade. MEU TEMPO É O INFINITO!
Abraço, WML


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22/10/2005
Sobre a tristeza de pertencer ao sistema

Ele ganhou dinheiro Ele assinou contratos E comprou um terno Trocou o carro E desaprendeu A caminhar no céu E foi o princípio do fim
Busca Vida, Herbert Vianna 1996

Bem... acho que não acho mais nada! Quem não faz parte do sistema? O sistema cresceu, se transformou, comeu Che e cuspiu camiseta... devorou os brincos e transformou em "pircins" (é assim que escreve?!)... Jesus Cristo virou lembrancinha na cruz vendida na porta de Aparecida, Buda está sentado sobre o dinheiro em casas-de-macumba... venderam os manuscritos de Lennon por 2 milhões! Fidel ficou velho, gaga, com roupas desbotadas e repletas de estrelas... e eu? Eu trabalho numa empresa alemã fundada por Hitler e que não faliu porque os EUA deram mundos e fundos por medo da URSS! Eu faço poesias à noite e compro peças de caminhão de dia! Fotografo a vida e comemoro a morte aos 25!
Triste... mas aí lembro que ganho mais do que 80% dos brasileiros... que gasto em um dia comprando uma câmera fotográfica o que um pai de família não pode pagar o ano todo em educação para seu filho... o que um mendigo não gasta na vida em roupas! E aí vejo que não tenho o direito de reclamar... e fico com minha culpa presa na garganta!

abraço,
WML

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16/10/2005
Precisamos de um analista e de óleo para as engrenagens já enferrujadas!
Eu achava que as acusações em que o Brasil estava mergulhado nos últimos meses eram como furúnculos. Ferimentos doloridos, nojentos, porém meios de desintoxicação do organismo. Acreditava que era um processo doloroso, porém necessário para atingirmos uma maturidade política. Pois bem, assumo: Eu estava errado.
Não eram furúnculos, e sim vermes que eclodiam da pele em putrefação de um corpo moribundo. O Brasil está podre e correntes pessimistas me levam a crer que este quadro é irreversível e letal. O paciente está condenado à morte e só nos resta anestesiar-lhe para diminuir a ou, ou praticarmos uma eutanásia!
Nosso Cavaleiro da Esperança, o Sr. Luís Inácio é apenas um símbolo de tudo que acontece há 500 anos no Brasil. Assassinatos (Celso Daniel), lavagem de dinheiro, tráfico de influência (Irmão e Filho de Lula), proposta populista e sem o menos efeito prático (Desarmamento), assistencialismo vazio e sem qualquer medida de longo prazo (bolsa escola e similares), negociatas de cargos públicos e muito discurso para otário (como eu) ver e ainda ter mais um espasmo de esperança!
O nosso grande problema é este complexo de vira-lata preso na garganta! Tudo nosso fica pela metade. Precisamos de um analista rapidamente. Estou cansado de ver tudo dando errado, fazer de tudo e tudo ainda assim dar errado! Quando vamos passar este país a limpo? Quando teremos Justiça? Quando as engrenagens irão funcionar ?

Abraço,
WML


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11/10/2005
Hipócritas
Um grupo de jovens amigos batem-papo na cantina da faculdade onde estudam. Entre eles, uma menina está sentada no colo do rapaz. Ela vira-se para traz e beijam-se. Trocam carícias. Eles são namorados e nunca foram incomodados por namorarem em público. O papo segue como se nada tivesse acontecido.
Pois bem, agora imaginem esta mesma situação apenas efetuando uma única alteração: Uma menina está sentada no colo de outra MENINA! É aí que tudo muda (e se torna caso de polícia!) Vamos para de imaginar e passar aos fatos.
Ontem deu entrada na delegacia de Ermelino Matarazzo (São Paulo) Um BO sobre atentado ao pudor. Um polícial que caminhava pela USP no final da tarde ficou indignado e na atribuições de seu dever deu voz de prisão para duas garotas que se beijavam “libidinosamente” em público. O caso gerou muito tumulto. As meninas só não foram levadas à delegacia em um camburão por mérito de um funcionário daquela universidade, entretanto foram intimadas a dar depoimentos.
Depois nós nos orgulhamos de sermos o paíos multi-racial e sexual.
Tenho vergonha de nossa hipocrisia.

Abraço,
WML



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05/10/2005
Tudo igual. É só uma questão vetorial.
Hoje em dia, a ideologia saiu de moda. Há alguns anos, ser de esquerda e ter barba tinha um ar romântico. Defender o mercado passava uma imagem de pessoa séria e objetiva. Entretanto, com os rumos do acontecimentos, o fracasso das opções ao neoliberalismo fizeram tudo ficar muito chato.

O Capitalismo não precisa mais provar a todo instante que é o melhor, com isso ele se tornou cada vez mais desumano e faminto! Como mulher depois de casa, fica gorda e chata.

Acredito que atualmente ser capitalista, comunista, socialista, neoliberal ou PTista não signifique absolutamente nada. No fundo, todos querem poder. Uns através da “grana” (comprando o Estado) outros através do Governo (administrando o Estado).

Assim, o antagonismo acabou (ou nunca existiu!). Na década de 60 alguém imaginaria que um Capitalista poderia fazer bons negócios com comunistas e estes últimos ficarem satisfeitíssimos? Imaginem a união entre Microsoft (baluarte da Capitalismo) e China (exemplo de Comunismo bem sucedido!). Pois bem, isso já acontece! Atentem para a matéria abaixo:

Governo chinês faz sua estréia oficial na web (http://br.news.yahoo.com/051003/25/y0tm.html)

A China, um dos países que mais têm censurado conteúdo on-line, estreou oficialmente na web. O site www.gov.cn, que foi divulgado na semana passada, em caráter experimental, traz notícias, informações sobre legislação, links para páginas ministeriais, além de um fórum de discussão. Tudo em mandarim.
O país tem atualmente em seus cárceres 64 cidadãos que se atreveram a publicar artigos contra seu regime político na web. O pior é que a censura chinesa conta com a ajuda de gigantes do Ocidente. O sistema de blogs em chinês da Microsoft, por exemplo, impede que se escrevam vocábulos como "liberdade" ou "democracia".

Já o Google China não inclui páginas contrárias ao regime comunista do país. Ataques do gênero à liberdade de expressão levaram a associação internacional Repórteres Sem Fronteira (RSF, na sigla em inglês), a lançar um guia com dicas sobre como criar um blog e operá-lo de forma anônima.


Pois então, sendo assim acho que podemos queimar nossos livros e manuais ideológicos. Se não trazem calor à alma e ao coração, podem ao menos aquecer a pele em um dia de inverno! Forte abraço,

WML






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04/10/2005
Velha Chama
Talvez seja o clima do Outono ou a depressão trazida pelos ventos brasilienses, o fato é que ando meio contemplativo. Não é que esteja alienado para os fatos da política e o mundo, mas é que algo me diz que estamos no caminho errado e que não há caminho certo a ser tomado.
Estou meio órfão ideologicamente. A esperança, antes minha companheira e luz guia, hoje se tornou propriedade particular de um Partido cujas idéias já me fizeram muito a cabeça, porém hoje é só desilusão!
Contudo, ainda resta-me algo dizendo que um dia recuperarei o bom humor e a paixão de outrora. Será?

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